sábado, 12 de dezembro de 2009

Inocentes...



- Ninguém é realmente feliz!
Essa foi a conclusão óbvia a que uma amiga chegou, após uma dessas noitadas em que sentamos para beber e falar das nossas vidas... Os problemas que se avolumam, as desilusões constantes, os fracassos, nada parece estar no lugar nesses momentos, e quanto mais nos lamentamos, mais arranjamos motivos para nos lamentar.
E não satisfeitas com nossas agruras, começamos a lembrar de todas as desgraças que aconteceram com pessoas conhecidas. "A mãe de fulano tá mal". "Sicrano perdeu o emprego". "Beltrano sofreu um acidente". E por aí vai, chope por chope, uma lista de lamúrias das mais variadas, como se estivéssemos decididas a passar pela nossa mesa de bar, cada infelicidade do mundo.
E ficamos pensando como seria nossa vida, se pudéssemos escolher todo detalhe dela, cada infinitésimo segundo. Dizem que se pode escolher o tipo de vida que se tem, ou o tipo de pessoa que se quer ser, mas o que eu acho é que só podemos tentar sobreviver da melhor maneira com o que temos.
Eu cheguei a conclusão que teria mais dinheiro. Muito mais dinheiro.
"Mas e se você fosse uma pessoa doente?" questiona minha amiga como se dinheiro não trouxesse felicidade.
Eu iria fazer os tratamentos mais caros e mais sofisticados. E ainda que não pudesse resgatar minha saúde, compraria uma cobertura com vista para o mar e morreria ali, felizinha da vida.
"E se você não tivesse amigos ou família?" Continua ela, disposta a me fazer perceber que minha opção por riqueza não era a mais sensata.
Todo mundo tem família. Ninguém nasce de chocadeira. E a minha família e rede de amigos é numerosa demais para que eu tivesse a infelicidade de me considerar solitária. Além disso, com mais dinheiro, eu ia dar uma vida mais confortável para todos que me cercam de forma que todos seriam mais felizes...
E vamos noite a fora pensando: Eu iria fazer compras em Paris, eu iria abrir um hospital para tratamento do câncer, eu iria criar uma instituição de apoio a crianças carentes, eu iria montar um time de futebol (meu time tem até nome FFC - Fernanda Futebol Clube, que também são minhas iniciais: Fernanda Fiuza Calado), eu iria comprar um caminhão de sorteve, eu iria passar férias em Ibiza, eu mandaria a megera da minha cunhada para um SPA...
E então ficamos distrbuindo felicidade e graça entre as pessoas que conhecemos, ou não conhecemos, imaginariamente, como papai Noel...

2 comentários:

Andressa disse...

eu vivo reclamando da minha vida.. mas nunca pensei no que faria se pudesse escolher uma vida para mim...
acho que já me acostumei com a minha vida o suficiente para não querer me desfazer dela.Sabe aquele sentimento de costume? é mais ou menos por aí.

Nanda Fala... disse...

Não sei se é costume, ou apego... é a velha história, por mais que a vida seja difícil, ninguém quer a morte, só saúde e sorte!
=)