terça-feira, 25 de maio de 2010

Refúgio


Há algum tem tempo, deixei a simples contemplação das coisas belas e cotidianas, para mergulhar num universo de estresse e ansiedade. O que obtive em troca? Uma crise de herpes labial mensal... agravamento dos sitomas da TPM... intolerância com as pessoas que eu gosto... alguns surtos de choro consulsivo no meio da noite...

Quero o retorno para a contemplação... Ou ao menos, uma porta aberta em que eu pudesse transitar pelo mundo dos seres plácidos, meditativos, sempre que eu precisasse. Essa porta poderia ser um lugar em que eu pudesse simplesmente não pensar, e ouvir um pedaço de mar quebrando nas pedras... Uma música que eu pudesse ouvir e suspirar... Alguém de quem eu pudesse me lembrar sem nenhuma mágoa, e sem nenhum egoísmo... Uma técnica de meditação, ou um mantra que jamais aprendi... Ou mesmo uma atividade que me desse muito prazer, como dividir uma história com alguém que eu realmente amasse ou como escrever um texto pontuado com belas palavras...

Quero um lugar só meu, como a casa no campo que Elis Regina cantava poderosamente, da canção do Rodrix e Tavito, "do tamanhdo ideal pau a pique e sapê", para onde eu pudesse fugir naqueles segundos antes de enlouquecer e despejar a saraivada de gritos...

Quero alguém só meu, que tenha me pertencido inteiramente alguns poucos segundos, que tivesse visto a minha alma e encontrado nela alguma beleza, algo de que eu pudesse me orgulhar, mas que meus olhos cegos, cansados e entorpecidos já não vem mais...

Quero inventar a Chapeuzinho Vermelho e o Patinho feio, como fiz ontem à noite com minha sobrinha, quero aqueles Monstros verdes que povoam a imaginação infantil e que Luíza parece preferir às insossas fadinhas azuis...

Quero rezar perto de um riacho... chuá chuá escorrendo nos meus ouvidos, como as velhas cantigas tristes das escravas lavadeiras que nunca ouvi, mas que eu sei que existiram, e por que sei, não imagino, talvez um tempo que já vivi...

Quero ter um plug que me desconectasse, que bloqueasse da minha vida toda a necessidade de levantar no mesmo horário, tomar o mesmo trem, ver e ouvir as mesmas caras... Quero um universo tão grande que jamais se repita em minha rotina.

E porque quero tanto coisas tão sem sentido, bobas até... elas me fogem, como aquela palavra que ficou pendurada na ponta da língua, mas que já não conseguimos lembrar.

Um comentário:

Andressa Paixão disse...

É realmente tenso quando a gente precisa de descanso pra mente, e não tem pra onde fugir.
Mas vai com calma, com um pouquinho de paciência você consegue!
bjoos