sexta-feira, 14 de maio de 2010

Do Perímetro da Elipse e outros Demônios...

Um dia pensei que seria designer, e que passaria o dia criando coisas maravilhosas que saltariam da minha imaginação, e que isso me daria tanto prazer que quando eu visse a minha obra acabada, verteria lágrimas emocionadas...

A beleza da situação me seduzia de tal forma, que eu nem pensava nas pedras do caminho, tal como a minha imaginação ser um pouco rebelde e se recusar a criar coisas maravilhosas o tempo todo, mesmo com todas as metodologias de criação aprendidas impecavelmente (pelo menos na teoria), o uso indiscriminado de brainstorms incessantes, e a consciência de que nada se cria, tudo se meio que copia, meio que se altera, meio que se ajusta aqui e ali...

Até com uma imaginação rebelde e num certo ponto (depois de 6 anos de labuta na minha profissão, mais os 5 anos de labuta na faculdade e em estágios-escravos) exaurida, eu poderia lidar... O que eu não consigo é descobrir que a minha imaginação é rebelde a ponto de desconsiderar física, a matemática, a teoria da relatividade etc.

Você acha que Designer é um ser criador e cheio de vislumbres de produtos fantáticos, que dançam da sua mente para o papel como uma passe de mágica... não tem passe de mágica! Quando você está nos finalmentes do projeto, descobre que o perímetro da elipse sempre tem uma certa margem de erro, e que se a tal elipse for em metal você tem que tirar a diferença numa solda assim e assado, depois inventar uma forma de alguém conseguir dar um acabamento perfeito nessa solda que quando sofre uma tensão cria um ponto frágil na sua elipse, e aí seu produto tem um ponto frágil que pode culminar num processo nas costas do seu cliente porque o consumidor final comprou, não soube usar e quebrou bem na solda, e acionou o Procon, pois a quebra do produto quase matou o cachorro dele, e daí quando você já visualizou todo esse festival de horrores você se decide pôr um círculo no lugar da elipse, o que vai alterar todo o conceito formal e estético do seu produto, conceito esse que você ficou uma semana inteira elaborando com base em pesquisas detalhadíssimas, forçando todos os seus conhecimentos em estatística cuja professora era a Marta Fenelon na faculdade, então você lembra do Jabor que te ensinava geometria descritiva mas que nunca mencionou o margem de erro que todos os astrofísicos conhecem no perímetro da elipse... e você quer matar a Marta, o Jabor, os astrofísicos, mas no fundo a culpa é sua, por que no dia que eles deram umas dicas mais básicas de todo esse processo você matou aula e foi beber na pracinha da PUC...

Ossos do ofício!!!

3 comentários:

Violeta disse...

AMEI seu texto! Me identifiquei demais. É mesmo péssimo quando no fim do processo descobrimos um problema que muda todo o restante do processo.
Só nos resta reclamar, afinal:
RECLAMAR É VIVER!

Enrico Marques disse...

Oi amore.
Quem escreveu o comentário acima fui eu. Mas no computador estava o endereço da Violeta, que trabalha comigo, e eu não vi.

Nanda Fala... disse...

kkkk