segunda-feira, 4 de abril de 2011

Perdão: até onde conceder?

“Errar é humano. Perdoar é divino“.






Com essa frase de conhecimento popular, começo minha reflexão de hoje, consciente de que todos nós, em maior ou menor grau, fomos magoados, agredidos ou decepcionados por alguém em quem confiávamos. Em muitos casos, parece que a mágoa atinge níveis catastróficos, pois o mais comum é detonar o fim do relacionamento com a pessoa em questão. Até onde devemos perdoar as pessoas e até onde é possível salvar um relacionamento machucado por uma grande mágoa?

As religiões nos dizem que o perdão enobrece a alma. Vai dizer isso a uma pessoa que foi muito agredida ou machucada por outra, de forma irreversível! O perdão parece uma grande piada quando o efeito da mágoa é avassalador. Parece até mesmo uma coisa errada e injusta. Mas para as situações cotidianas da vida, o perdão é absolutamente necessário. Pois nada mais danoso que o efeito de uma grande mágoa no coração da gente. E o alívio de perdoar aquela dor causada e esquecer. Perdoar e esquecer tem efeito de bálsamo na alma, falo isso por experiência própria.

Mas algumas pessoas tem o péssimo hábito de fazer do perdão uma autorização para continuar um comportamento inaceitável com as outras. Partem do princípio de que, se foram perdoadas uma vez, serão continuamente. E se valem da pré-disposição à benevolência do outro para se safarem de situações desagradáveis. É aí que eu penso que o perdão é inadequado. Afinal todo mundo merece uma segunda chance. Mas não merece uma terceira, nem uma quarta e muito menos uma quinta.

Recentemente estive às voltas com meu coração, sobre um perdão que eu questionava se deveria conceder ou não. Na verdade, a pessoa em questão já havia destruído, com seu comportamento, a maioria dos sentimentos positivos que eu tinha em relação a ela, e não me envergonha dizer que eram os mais nobres e sinceros que já fui capaz de produzir na minha insignificante existência. Eu não podia permitir que ela destruísse também a possibilidade de reproduzir esses sentimentos no futuro, com pessoas realmente merecedoras deles, nem os sentimentos positivos que eu tinha em relação à vida, aos meus próprios sonhos, a minha alegria de viver.

Quem concede o perdão, não raramente, busca a gratidão e o reconhecimento. É um erro. Muitas vezes as pessoas que nos magoam o fizeram pela incapacidade de valorizar o sentimento do outro, e não vão se sentir gratas por terem sido perdoadas. O perdão deve ser um presente para nós mesmos e não para o outro. É por isso que ele é tão valioso...

Se eu perdoei? Estou batalhando firmemente para que isso aconteça. Como? Enviando bons pensamentos à pessoa que me feriu. Desejando de todo o coração que ela seja feliz e que aprenda a valorizar mais os sentimentos dos outros, as graças da vida, o amor, a lealdade e acima de tudo, as pessoas especiais que por ventura aparecerão em sua vida. Incluindo-a em minhas orações. E pedindo, mentalmente, perdão pelas possíveis falhas do meu próprio caráter que possam ter estimulado o mau comportamento a que fui submetida.

Se isso faz bem a essa pessoa eu nunca vou saber. Mas faz bem para mim e para meu coração. No fundo, o perdão também é uma forma de cuidarmos de nós mesmos.

5 comentários:

Roberto disse...

Grazie della visita Fernanda.
A presto
Roberto

Rogerio disse...

É isso aí Fê. O perdão é um presente nosso para nós mesmos. Ele alivia a dor, acalma o coração, traz leveza ao pensamento, nos devolve ao caminho. Perdoar é se permitir seguir adiante plenamente. Adorei o texto. Parabéns!

Dessaangel disse...

O perdão nos torna pessoas melhores e mais felizes, porque ele nos traz um bem-estar por não carregar um rancor, um peso na mente. Quando perdoamos, nos libertamos de mágoas desnecessárias muitas vezes e ainda por cima damos a chance para a pessoa que errou, então... com o perdão, muitas vezes, fazemos alguém feliz e em troca nos tornamos mais felizes também.
Concordo plenamente que devemos dar uma segunda chance sim, já que todos erramos. Mas uma terceira e quarta chance? Não faz sentido.
Parabéns pelo post, eu adoro esse blog, acompanho sempre.

Claudia Sousa Dias disse...

oh...passei para deixar um beijinho e achei este gato delicioso...!

Claudia Sousa Dias disse...

se possível que a pessoa seja feliz...mas bem longe!


Só assim é possível perdoar certas pessoas. Aqueles que normalmente abusam da boa-fé alheia. E que são mais do que aquilo que possamos pensar...