sábado, 8 de agosto de 2009

Psicologia infantil


É certo que tudo tem dois lados, assim como toda ciência tem benefícios e malefícios.

Eu não sei se os benefícios que Psicologia trouxe para a humanidade compensam a criação de uma geração de crianças sem limite do tipo que se jogam no chão do shopping em pirraças escandalosas por causa de um brinquedo novo que, assim que chegar ao seu armário vai ser esquecido para sempre, que se empanturram de sanduíche do Mc Donald´s por mais que a mãe ou o pai implorem para que comam o brócolis ou que colocam avisos de Do not disturb na porta do quarto enquando sofrem abuso sexual virtual de algum pedófilo na internet.

Pude perceber que essas crianças geralmente são aquelas criadas com toda minunciosa psicologia, são filhos da classe média alta com curso superior, de pais que acham que têm que compensar sua ausência (cheios de culpa) fazendo todas as vontades dos reizinhos da casa. Aliás, compensação, sublimação, são termos da psicologia... Esses pais preferem um bom diálogo às jurássicas palmadas. Colocam os filhos num nível de igualdade, olham nos olhos, falam pausadamente, mesmo que a criança esteja "colocando fogo na casa".

Outro dia, numa reunião da igreja dos meus pais aqui em casa, pude perceber o poder de deseducar da psicologia. Todas as crianças (filhos de psicólogos emocionalmente saudáveis, cristãos e educadíssimos) agiam como se estivessem num playground, na sala da minha casa, de paredes recém pintadas e sofá recém reformado. Eles só não conseguiram quebrar as lâmpadas, por que todo o resto os pestinhas fizerem. Derramaram refrigerante em tudo que era almofada, pisotearam o sofá, arranharam todos os DVDs e por pouco não me quebraram a TV. Incapaz de me conter, dei uns berros e acabei com a farra. Os pais nem tomaram conhecimento, ouvi no máximo um "filhinho, não faz isso..."

No meu tempo, criança tinha seu lugar. Comíamos antes do adultos, silenciosamente, e ai se não mastigássemos a verdura: nada de doce depois! Bastava o pai olhar, nem levantava a voz, nem ameaçava, que já tremíamos de medo e corríamos para os cadernos da escola. Chineladas sempre que aprontávamos. Presente, só no Natal e no aniversário, e mesmo assim era o que o pai podia comprar. O pai não morria de culpa se o filho não tinha o tênis mais caro, ao contrário, ensinava o filho a agradecer pelo que ele tinha e pronto. Íamos à igreja todo domingo de manhã, de boa vontade. Dividíamos um quarto de 3 metros quadrados com 2 irmãos e nem por isso reclamávamos de falta de privacidade (aliás privacidade é algo que parece essencial para uma criança de 7anos, conforme a recente Psicologia). Não ficamos traumatizados ou revoltados por que éramos beliscados sempre que fazíamos alguma arte. Nenhum dos meus amigos se drogou por que o pai trabalhava 20 horas por dia para sustentar a família e não ia à peça de teatro da escola por conta disso.

Não sei como seria criar um filho num mundo como o nosso. Mas com certeza gostaria de criar um filho exatamente como fui criada! Com muito beijo e abraço, esperando com asiedade o Natal chegar para ver se "papai noel" ia mandar aquele brinquedo que esperei o ano todo, sendo obrigada a repetir a "tabuada" toda antes de ter permissão para brincar, levando palmadas nas horas certas, entendendo perfeitamente que a quantidade de desejos realizados não é diretamente proporcional ao carinho e ao amor que um pai tem pelo filho, sabendo que quando meu pai chegava à noite cansado do trabalho, ele nunca estava cansado o bastante para me contar uma história antes de dormir.

4 comentários:

Rafaela Freitas disse...

Meu irmão é estudante de psicologia e tem muita vontade em se especializar em Psicologia Infantil. A gente vive discutindo sobre a eficácia desses métodos modernos. Eu como leiga e ele, estudante, claro, não conseguimos avançar muito nessa questão.

A Psicologia, qdo bem "usada", só irá trazer benefícios à formação da criança. O problema é quando os pais lançam mão desses métodos "modernos" como tentativa de disfarçar a falta de disciplina.

Bons pais são aqueles que têm pulso firme! Isso não quer dizer dar palmadas, e sim se impor como "autoridade-espelho" diante dos filhos.

Do contrário, Vygotsky e Piaget, em algum lugar, choram de desgosto a cada pirraça iminente.

Rafaela Freitas disse...

Ah, lembrei de uma cena que vi há alguns anos. Na fila do supermercado: uma criança, de 2 ou 3 anos, descendo o "cacete" na própria mãe, puxando o cabelo da irmã e chutando qualquer pessoa que estivesse ao seu redor.

A mãe ria. Acho que era mais de vergonha do que de "achar bonitinho", embora ela fingisse fazer uma cara de "so cute" para as pessoas que estavam na fila, olhando aquilo com mto pesar. Falta de coro. Na mãe, claro!

Nanda Fala... disse...

É verdade, os pais estão perdidos na criação dos filhos... Uma conhecida minha levou a filha de 3 anos a um psicólogo e ele disse a ela que quem precisava de terapia era a mãe... rsrsrsrs

Anamaria - mãe feliz e babona disse...

Nem 8 nem 80. Meu pai nunca me bateu mas tinha limites, tinha respeito e muito amor.
Eu abaixo, falo nos olhos, converso, explico mas ter diálogo não quer dizer deixar rolar solto.
Fomos neste final de semana na casa de uns amigos e fiquei espantada com filhos de amigos pulando sobre o sofá branco do casal
Eu tomei conta, falei que não podia, tirei o sapato quando ele quis deitar já cansado, expliquei e fui atendida sem estresse.
Para educar não é preciso chinelo.
Vejo na verdade muitos pais cansados demais ou até mesmo com preguiça de educar.
Minha mãe me vendo fala "esqueci como educar é repetir, repetir, repetir" rs
Hoje recebemos elogios sobre a educação e simpatia do filhão no evento