Uma breve nota sobre minhas curtas férias de meados de ano...
Como uma viajante que se apega à cultura e à costumes mais que à turismo, em cada viagem que faço, curta e simples que seja , procuro ter a experiência verdadeira do lugar. Deve ser por isso que as coisas não me dizem muito, eu prefiro mesmo é ouvir da boca das pessoas. Ouvir toda hora Maradona ou Pelé, e sorrir sem querer começar uma discussão. Mas enfim, para que visitar Buenos Aires se não vamos respirar a rivalidade Boca x River, se não vamos comer tango e cheirar o orgulho cômico dos argentinos, se não vamos ficar num hotel decadente do início do século XX, com salão de baile, pátios abertos ao sol e banheiras de louça no lugar de chuveiros elétricos?
Existem alguns detalhes que definem muito bem um lugar. Uma palavra para definir Buenos Aires? História. Ela está em todos os cantos, em cada esquina, orgulhosamente preservada pelos seus habitantes. Uma história de um passado glamouroso, um presente de crise e um futuro indefinido. Nada mais encantador que ler todos esses momentos nos monumentos, esquinas e praças. É por isso que um ritmo e uma dança se tornaram patrimônio da humanidade...
Outra palavra seria contradição. Como um país falido consegue fazer com que seus cidadãos não atirem um só panfleto na rua no dia de eleições presidenciais... Amor, educação, critério? Escolha você... É por isso que mansões neoclássicas se dão tão bem com grandes prédios em concreto e vidro. É por isso do constrangimento do orgulho arranhado pelo fiasco econômico, representado por crianças esmolando na rua e carros gastos esbatidos circulando nas largas avenidas. É por isso que as pessoas são tão elegantes e nunca saem de casa sem vestir o seu melhor casaco, escovado e engomado por anos a fio.
Mais uma palavra...? Diversão! Uma cidade para se conhecer a pé, sentar sem hora marcada em um café e ler um jornal, jogar conversa fora ou simplesmente não se importar com o tempo que passa, traduz uma alegria toda charmosa de viver. Ou então aproveitar um jardim verde para tomar um excelente vinho e namorar, ao som de músicos que tocam pelo prazer de receber alguns trocados e de despertar alguns sorrisos. E diversão para quem gosta de arriscar a sorte em jogos de azar, ou arriscar a sanidade num dos muitos clubes noturnos. Por fim, diversão para quem gosta de teatro, dança ,música, cultura, todos as noites em cartaz nos muitos teatros da cidade.
Mas talvez a melhor palavra para Buenos Aires seja Paixão. Tudo é extremo em Buenos Aires... Toda dor é profunda, toda alegria é imensa, todo desespero é de morte... Todos gritam o que sentem, as árvores, as crianças nas praças, os guardas de trânsito, os jovens nas boates, os barraqueiros e camelôs, os dançarinos urbanos... Ninguém sai de lá sem deixar parte do seu coração ou levar parte de um coração consigo...
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Tango ou Valsa?
O início de um relacionamento é uma fase crítica, pois, junto com o sentimento arrebatador da paixão, que nos faz desejar loucamente a companhia de alguém, seguem outros sentimentos contraditórios e perturbadores, que fazem com que tenhamos a sensação de estar pisando em ovos. Ainda não conhecemos o outro totalmente, e a insegurança a respeito de sua personalidade e da intensidade com que ele está correspondendo aos nossos carinhos começam a turvar o doce mar do romantismo.
Todos os livros de auto ajuda que prometem resgatar a nossa vida afetiva são unânimes em afirmar que o ser humano tende a preferir as pessoas que estão o mínimo disponíveis, e dizem que o que é mais raro é mais valorizado. Ou seja, estimulam a gente a dizer não aos nossos pretendentes, roubando-lhes os lances que premeditam, com o intuito de frustrar suas expectativas e nos tornar mais caros aos seus olhos.
Sempre achei essas dicas um tanto quanto cruéis, pois, para mim, tudo o que tem haver com a astúcia é falso e merece desconfiança. Pessoalmente, tenho muita preguiça desses joguinhos de deixar o telefone tocar infinitamente sem atender, mesmo estando louca para falar com a pessoa. Ou então, contar cinco dias depois de um encontro para procurar a pessoa de novo. Não sei se isso é o peso do amadurecimento, ou se é o imediatismo da vida moderna que me deixa com preguiça de “fazer cera” com alguém, o fato é que adoro lances espontâneos do tipo: “sei que acabei de te deixar em casa, mas resolvi ligar mais uma vez só para dizer que o encontro foi maravilhoso!” Não sei se as mulheres de 20 anos tem paciência para tanta espontaneidade, só sei que eu seria incapaz de desprezar um gesto tão carinhoso, mesmo por que, na altura da vida em que estou, sei o que admirar em alguém, e não é um telefonema de mais ou de menos que vai balançar minhas opiniões.
Mas a grande maioria das pessoas se encaixa exatamente no padrão de livros de auto ajuda. Desprezam telefonemas no meio da noite, sentem-se invadidas se alguém as procura muito e caem no pranto da insegurança se o seu affair some por sete dias seguidos, exatamente como os tais livros de auto ajuda rezam.
Fico pensando por que a gente não deixa a vida correr no seu ritmo natural, e por que entramos em joguinhos tão mesquinhos? Mas reconheço, muitas vezes necessários. Por que é tão avassalador dizer, na lata, como uma pessoa é importante para a gente, por que seguramos as palavras, os gestos, os carinhos, tudo para deixar alguém inseguro o suficiente para estar preso a nós? Será que pensamos que isso é uma forma requintada de sedução? Para mim, a sedução já deixou de ser requintada faz tempo, principalmente por que não tem nada menos sexy do que um convite para sair via Facebook.
Uma vez um homem (muito sedutor) me disse que cortejar uma mulher era como dançar um tango... Saber conduzir, saber colocar-se vulnerável na hora certa, fazer uma promessa para logo em seguida causar uma decepção, dar um, dois, três passos em direção a ela, e quando estiver bem próximo, simplesmente recuar e deixar que ela venha atrás...
Muito interessante tudo isso, mas eu prefiro dançar uma valsa... Onde os dois seguem juntos, giro por giro, com movimentos cronometrados... Tango é sexy e sem dúvida nenhuma, arrasador para um coração (sem falar em outras partes do corpo), mas cá pra nós, para dançar uma valsa, é preciso muito mais sinceridade com o seu par... E sem dúvida é uma dança muito, mas muito mais romântica...
Todos os livros de auto ajuda que prometem resgatar a nossa vida afetiva são unânimes em afirmar que o ser humano tende a preferir as pessoas que estão o mínimo disponíveis, e dizem que o que é mais raro é mais valorizado. Ou seja, estimulam a gente a dizer não aos nossos pretendentes, roubando-lhes os lances que premeditam, com o intuito de frustrar suas expectativas e nos tornar mais caros aos seus olhos.
Sempre achei essas dicas um tanto quanto cruéis, pois, para mim, tudo o que tem haver com a astúcia é falso e merece desconfiança. Pessoalmente, tenho muita preguiça desses joguinhos de deixar o telefone tocar infinitamente sem atender, mesmo estando louca para falar com a pessoa. Ou então, contar cinco dias depois de um encontro para procurar a pessoa de novo. Não sei se isso é o peso do amadurecimento, ou se é o imediatismo da vida moderna que me deixa com preguiça de “fazer cera” com alguém, o fato é que adoro lances espontâneos do tipo: “sei que acabei de te deixar em casa, mas resolvi ligar mais uma vez só para dizer que o encontro foi maravilhoso!” Não sei se as mulheres de 20 anos tem paciência para tanta espontaneidade, só sei que eu seria incapaz de desprezar um gesto tão carinhoso, mesmo por que, na altura da vida em que estou, sei o que admirar em alguém, e não é um telefonema de mais ou de menos que vai balançar minhas opiniões.
Mas a grande maioria das pessoas se encaixa exatamente no padrão de livros de auto ajuda. Desprezam telefonemas no meio da noite, sentem-se invadidas se alguém as procura muito e caem no pranto da insegurança se o seu affair some por sete dias seguidos, exatamente como os tais livros de auto ajuda rezam.
Fico pensando por que a gente não deixa a vida correr no seu ritmo natural, e por que entramos em joguinhos tão mesquinhos? Mas reconheço, muitas vezes necessários. Por que é tão avassalador dizer, na lata, como uma pessoa é importante para a gente, por que seguramos as palavras, os gestos, os carinhos, tudo para deixar alguém inseguro o suficiente para estar preso a nós? Será que pensamos que isso é uma forma requintada de sedução? Para mim, a sedução já deixou de ser requintada faz tempo, principalmente por que não tem nada menos sexy do que um convite para sair via Facebook.
Uma vez um homem (muito sedutor) me disse que cortejar uma mulher era como dançar um tango... Saber conduzir, saber colocar-se vulnerável na hora certa, fazer uma promessa para logo em seguida causar uma decepção, dar um, dois, três passos em direção a ela, e quando estiver bem próximo, simplesmente recuar e deixar que ela venha atrás...
Muito interessante tudo isso, mas eu prefiro dançar uma valsa... Onde os dois seguem juntos, giro por giro, com movimentos cronometrados... Tango é sexy e sem dúvida nenhuma, arrasador para um coração (sem falar em outras partes do corpo), mas cá pra nós, para dançar uma valsa, é preciso muito mais sinceridade com o seu par... E sem dúvida é uma dança muito, mas muito mais romântica...
sábado, 16 de julho de 2011
Para os Homens
No Dia da Mulher, ganhamos flores, somos paparicadas e homenageadas, reclamamos nosso respeito e dignidade e somos reconhecidas como as grandes mantenedoras da humanidade. Agora inventaram o Dia do Homem. Sinceramente não sei o que o Dia do Homem significa. Não me parece que o homem, gênero que sempre dominou o mundo mereça um dia para ser lembrado, uma vez que os outros 364 dias do ano eles imperam soberbos.
Ainda ontem, no metrô, ouvi, por acaso, uma moça ter uma discussão com o namorado pelo celular. Ela falava em tom meigo e choroso, se humilhando realmente, dizendo que o namorado estava a tratando com frieza, que não suportava ficar sem ele, que o amava, e blábláblá. A acolhida não devia estar sendo boa, por não demorou para que as lágrimas lhe viessem aos olhos. Fiquei penalizada. Por que os homens sempre sabem nos machucar quando querem?
Porém, devo reconhecer a injustiça do meu raciocínio. Os homens fazem parte de um equilíbrio sem o qual nada seria possível. Até mesmo essa “frieza” com que conseguem lidar com situaçãos emocionais é extremamente importante para todos nós. Quando penso em “homem”, como um gênero em geral, penso em força, em razão, em coragem. Reconheço que a maioria dos homens que eu conheço possuem essas características, em menor ou maior grau. Os homens são controlados como nós mulheres nunca poderemos ser. Eles são analíticos. E nem por isso, menos capazes dos sentimentos mais ternos, mais violentos, como o amor, a paixão, o ciúme, a inveja, o desespero.
Dizem que por trás de um grande homem sempre existe uma grande mulher. Mas admito que toda grande mulher precisa de um bom homem ao seu lado.
Ainda ontem, no metrô, ouvi, por acaso, uma moça ter uma discussão com o namorado pelo celular. Ela falava em tom meigo e choroso, se humilhando realmente, dizendo que o namorado estava a tratando com frieza, que não suportava ficar sem ele, que o amava, e blábláblá. A acolhida não devia estar sendo boa, por não demorou para que as lágrimas lhe viessem aos olhos. Fiquei penalizada. Por que os homens sempre sabem nos machucar quando querem?
Porém, devo reconhecer a injustiça do meu raciocínio. Os homens fazem parte de um equilíbrio sem o qual nada seria possível. Até mesmo essa “frieza” com que conseguem lidar com situaçãos emocionais é extremamente importante para todos nós. Quando penso em “homem”, como um gênero em geral, penso em força, em razão, em coragem. Reconheço que a maioria dos homens que eu conheço possuem essas características, em menor ou maior grau. Os homens são controlados como nós mulheres nunca poderemos ser. Eles são analíticos. E nem por isso, menos capazes dos sentimentos mais ternos, mais violentos, como o amor, a paixão, o ciúme, a inveja, o desespero.
Dizem que por trás de um grande homem sempre existe uma grande mulher. Mas admito que toda grande mulher precisa de um bom homem ao seu lado.
Penso que, na natureza, o gênero masculino da nossa espécie foi o que mais preservou suas características primitivas, como a necessidade de proteger, o instinto violento que o faz competitivo e caçador. Nós mulheres não somos assim. Nós absorvemos características masculinas mais profundamente. Foi o que nos permitiu conquistar posições que antes eram exclusivamente masculinas.
Por isso hoje, fica minha homenagem a todos os homens que podem ser realmente chamados de Homens, assim com H maiúsculo. E meu obrigada aos amigos, colegas, pais, tios, irmãos, namorados, filhos, maridos, amantes que eles são. Obrigada por não caírem no choro quando recebem uma bronca no trabalho. Obrigada por nos protegerem, por cuidarem de nós e nos tratar como princesas, e por, muitas vezes, serem os príncepes encantados que precisamos. Obrigada por não se chatearem com coisas pequenas e saberem evitar uma discussão quando tudo o que queremos é brigar e colocar lenha na fogueira com todos os nossos hormônios em ebulição. Obrigada por trocarem o pneu do carro, por sempre nos lembrarem que precisa trocar o óleo. Por puxarem a cadeira para a gente se sentar. Por ficarem tão surpresos e agradecidos quando cedemos aos seus desejos mais simples. Por fazerem com que a gente se sinta linda, com uma olhada apenas. Obrigada por ficarem tão confusos ao lidar com as mulheres, e por saberem às vezes exatamente o que pensamos. Por trabalharem tão duro pelas suas famílias.
E obrigada por chorarem quando ficam emocionados. Por conseguirem falar dos seus sentimentos. Por sonharem em ter um filho. Por sentirem medo. Por serem o nosso complemento perfeito.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Aquelas pessoas tão legais...
Eu admiro muito as pessoas legais.
São aquelas que sabem ser agradáveis e conversar em tons amenos com qualquer um, de forma que quando saem de uma sala, deixam alguém sorrindo em um canto. Ou então, quando é lembrada para algum evento, as pessoas sempre dizem assim: “isso, vamos convidar o fulano, ele é tão legal...” As pessoas legais sabem fazer os outros sorrirem, estão sempre alegrinhas e contando casos espirituosos. Elas não entram em disputas de opinião, tem um jeitinho de colocar as suas sob um prisma que combina com o de todo mundo, sem discordar de ninguém. Elas não polemizam, não ficam de nenhum lado. É comum ouvir uma pessoa legal dizer: “Sei que ele te tratou abominavelmente, mas comigo ele sempre foi gentil...”
Fico na dúvida se as pessoas legais não tomam partido de ninguém por que são justas ou se estão com medo de perderem um admirador, ou ainda, se elas dizem sempre a coisa certa na hora certa por que aprenderam a dizer exatamente o que a gente quer ouvir...
Eu sempre desconfiei de pessoas que não têm uma opinião firme pelo menos, sobre um determinado assunto, ou que estão dispostas, à menor argumentação, a mudar seu ponto de vista, para concordar com o outro. Fico pensando se essas pessoas são de fato dóceis e gentis ou se elas são apenas inseguras, ávidas por aprovação.
O real caráter de uma pessoa legal não precisa de fato ser conhecido, para que ela seja admirada e bem quista. Basta que alguém distribua sorrisos, amabilidades e favores para ser considerada legal? Ou nós estudamos o interior de alguém antes de elevá-lo a esse status?
A maioria de nós prefere mesmo evitar conflitos e estar ao lado de pessoas leves e divertidas. A solicitude dessas pessoas as fazem ótimas ouvintes quando queremos falar sobre futilidades, intriguinhas sem importância, mas quando temos um real problema, ou quando as requisitamos para as grandes causas, elas fogem como o diabo da cruz. E quando precisamos de um conselho sensato sobre alguma coisa, elas se recusam a opinar, resumindo, uma pessoa legal nunca vai dizer que você está realmente acima do peso, o que seria muito mais proveitoso para você.
Assim, seguimos poluindo nossos relacionamentos com a falsa expectativa de honestidade. Preferimos sugar a alegria de um falso amigo do que suportar as falhas de um amigo que não está disposto a amaciar suas opiniões, mas que será, porém verdadeiro.
E fico pensando se as pessoas que realmente nos amam e se importam conosco são essas que sempre dizem exatamente aquilo que desejamos ouvir, mas que são incapazes de nos segurar no colo quando mais precisamos.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Casadas X Solteiras
Eu, como uma das últimas das moicanas do time das solteiras, adquiri a seguinte opinião: nada muda tanto uma mulher como o quesito “constituir família”. Pelo que observo das minhas muitas amigas casadas, casar é quase uma lobotomia. Não me parece muito sensato acreditar que para ser adulta e responsável seja necessário abdicar dos prazeres que tínhamos quando solteiras, mesmo os prazeres mais simples, como ir ao cinema com as amigas. Acuso as mulheres de abandonarem as amigas deliberadamente depois que se casam, e minha acusação fica ainda mais séria quando acrescento um ponto: nossas amigas casadas não só acreditam que estão num patamar de importância superior às meras solteiras mortais, como nos cobram presença como se elas tivessem muito mais o que fazer, e nós muito mais tempo disponível.
Mais de uma vez fui criticada pelas casadas, ainda que em tom de brincadeira, sobre “tomar jeito”. Isso por que vivo uma vida típica de solteira. Gasto dinheiro como que eu quero, viajo quando eu quero, saio e chego na hora que quero. Tenho uma amiga casada que sempre me diz: nunca a vejo desarrumada, sem unhas e cabelo feito, sempre bem vestida... mas você é solteira, tem tempo e mais que obrigação de andar assim". Hein? Desculpe...? Agora é futilidade cuidar de mim, mesma? Isso tudo vindo de uma amiga que, quando era solteira, gastava mais da metade do salário em roupas de grife? Não acho que negligenciar meus compromissos comigo mesma seja ser mais adulta, tanto quanto uma mulher que passa o dia preocupada com os horários dos filhos, com as notas do boletim, com a nutrição da família e com as necessidades do marido.
Nós, mulheres solteiras, passamos nossas vidas comemorando as conquistas e as escolhas das nossas amigas casadas, mas são raras as oportunidades (de acordo com as normas sociais) em que as mulheres casadas participam das nossas escolhas e conquistas. Por exemplo, fui sete vezes madrinha de casamento de (queridíssimas, diga-se de passagem) amigas minhas. Nas sete vezes eu gastei uma fortuna com vestido de festa, cabelo e maquiagem, presentes, passagens e viagens (quando o casamento era em outra cidade). Quando os filhos nasceram eu fui a chás de bebês e batizados, mais presentes. Se contabilizarmos, quando é que uma mulher solteira tem a chance de ser prestigiada por suas amigas, e contar com a presença obrigatória delas? Aniversário não vale, pois todos, casados ou solteiros, fazem aniversário! E as amigas casadas dão sempre uma desculpa para não vir às nossas festinhas de solteiras.
E a reclamação que as casadas vão achar mais infame da minha parte, mas é legítima, e baseada em algo que sempre ouço de uma querida amiga (que vai se reconhecer ao ler isto) é: "nunca coloque uma mulher bonita e solteira dentro da sua casa". Como assim? Por acaso as mulheres solteiras são maníacas que vão atacar o seu homem assim que você for ao banheiro por cinco minutos? Será que o fim da vida das solteiras é perseguir os maridos honestos das amigas? Será, pelo amor de Deus, que seu marido é tão gostoso assim? E por fim das contas, será o seu marido um animal anencéfalo no cio que assim que estiver diante de uma mulher solteira vai esquecer todo o amor e compromisso que tem com você? E por último, será que as mulheres casadas que frequentam sua casa são assim tão mais confiáveis que as solteiras? Cuidado... Você pode estar se enganando sobre quem é o inimigo!
Não espero que com esse desabafo eu dê a entender que estou comparando a vida das mulheres casadas e das mulheres solteiras, numa escala de melhor ou pior. O que eu quero dizer é que sim, vivo uma vida plena como adulta, porém, fiz escolhas diferentes das escolhas feitas pelas casadas. Claro que eu também queria ter encontrado já meu grande amor, claro que eu queria ter uma família minha, um bebê rosado para alimentar, fazer românticas viagens a dois e outros prazeres da vida de casada. Mas desconfio que às vezes, essas mesmas amigas que me criticam morram de saudade da época em que eram solteiras e livres. Assim como elas não desejam os problemas que eu vivo, eu também não desejo nem de longe os problemas que elas vivem.
Acredito que as mulheres casadas e solteiras possam viver em paz, e continuar a amizade que desfrutavam na juventude. E sem se criticarem pelas escolhas que fizeram. Basta entender que cada um vive a vida que escolheu viver.
Sinto muita falta das minhas amigas casadas. Mas não quero ser cobrada por ser a única a responsável por manter nossa amizade. Será que elas poderiam, entre uma mamada e outra se lembrarem de me mandar um e-mail? Prometo que, entre uma reunião ou outra, irei responder...
terça-feira, 14 de junho de 2011
Errou? Deleta!
Não importa onde a humanidade irá chegar com todos os seus avanços tecnológicos... O mais devastador e fantástico deles será o dia em que o homem inventar o botão “delete” para apagar do passado todos os dias ruins da sua vida, todas as conseqüências ruins desses dias, e ser capaz de voltar nos próprios passos para refazer sua história.
Quem não teve um dia ruim?
Alguns dias ruins são culpa nossa, obviamente... São aqueles dias em que podíamos ter feito algo de bom, mas por algum motivo, agimos como completos idiotas. Falamos o que não devíamos falar. Fizemos o que não devíamos fazer. Amargamos um arrependimento que parece destruir nossa alma, nossa autoestima, nossa reputação. Pode reparar, um idiota se apodera de você sempre que você mais precisa ser a pessoa inteligente e equilibrada que é: o dia de uma entrevista de emprego, o dia de um primeiro encontro importante em que você deseja impressionar alguém... É sempre assim. Aliás, isso já foi mais que conceituado por um tal de Murph...
Mas não paramos por aí... Existem os dias em que fizemos tudo certinho. Empenhamo nos. Mas, por causa de um detalhe, de algo que esquecemos ou por um golpe de sorte, acabamos fudendo tudo, ou fomos fudidos pelo imprevisto. Nesses dias, não adianta ter um anjo da guarda. O acaso, o universo, a lei da física, os signos do zodíaco, os planetas, tudo se alinha com o objetivo de acabar com a gente...
É difícil superar os problemas. Aprender com eles. E ficar mais forte depois. E rir do ser ridículo que existe em todos nós...
Mais fácil e romântico seria mesmo o botão de “delete”.
Muitos embaraços, arrependimentos e transtornos seriam evitados.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Dia dos Namorados sem namorado!
Caros leitores!
Vocês sabem como detesto momentos “auto ajuda”. Mas esse dia dos namorados vai ser muito especial para mim, portanto eu não poderia deixar de escrever sobre isso. Se vocês estão se perguntando se apareceu um amor avassalador na minha vida, sinto muito, mas no momento não estou protagonizando nenhuma personagem da Julia Roberts. Esse dia dos namorados vai ser muito especial por que é o primeiro, em muitos anos, que passarei solteira!
Como todos os meus leitores sabem, eu passei a maior parte da minha vida sendo a namorada de alguém, ou seja, são muitos e muitos dias dos namorados em que já vivi muitas situações ternas, apaixonadas, decepcionantes e até mesmo odiosas. Com larga experiência no assunto, posso dizer que já vivi meu quinhão de ilusões amorosas, já desenhei coraçãozinho no papel, já gastei solas de sapato em shopping lotado procurando o presente perfeito, já cozinhei jantar romântico, já fiquei horas em fila de restaurante da moda (e horas e horas e horas), em engarrafamentos para viagens românticas, já fui em pizzaria barata quando estávamos sem grana, já passei o dia dos namorados brigando dentro de um carro debaixo de chuva, já fiz uma viagem de ônibus numa madrugada inteira só para passar um dia com alguém... ufa... ser uma namorada perfeita dá trabalho demais, mesmo que seja um dia no ano.
É por isso que o post de dia dos namorados esse ano vai para as pessoas solteiras. As pessoas que passam o ano tranqüilas e felizes, mas caem em depressão nesse tal de dia 12 de junho.
Na verdade, para nós, preparei um dia dos namorados mais que especial. Esse dia em que você está suspirando por um amor platônico, nesse dia que você vai lembrar-se do seu ex namorado com dor no peito, nesse dia que tudo o que você vai conseguir ver são casaizinhos fingindo-se perfeitos e apaixonados (é, pois é, eu sei que essa fachada existe, mesmo por que já fui assim), eu tenho uma sugestão. Faça como eu, passe o dia com a melhor pessoa que você poderia estar na face da terra – você mesmo!
Afinal, todos sabem como é gostoso curtir ao lado de alguém... Mas cá pra nós, é muito, mas muito bom mesmo ser livre! Simplesmente fazer o que se quiser, na hora que se quiser, sem precisar dar satisfação para ninguém. Passar o dia na cama, de preguiça, sem hora para levantar... Tomar café da manhã demorado, lendo um jornal... Tomar banho com tempo suficiente para esfoliar a pele, hidratar o cabelo, massagear as celulites, sem ter ninguém te esperando, te apressando, reclamando da sua demora.
E se é o ritual do presente que te agrada, vá ao shopping (argh, maratona...) e escolha um presente para você mesmo... Peça para embrulhar bem lindo e entregarem na sua casa. Ou coloque sobre sua mesa e abra no dia dos namorados. Escreva-se uma declaração de amor, onde constem todas as suas qualidades maravilhosas. Ah, mime-se um pouquinho... Você vai esperar a vida inteira por alguém que aprenda seus gostos e desejos? Por que não realizá-los já?
Seja a coisa mais importante da sua vida! Você é uma pessoal legal, bonita, esperta. Você tem sonhos, você tem tanto a viver, apesar de todos os pesares! Pelo menos um dia do ano. Não é muito... Mas já é um excelente começo!
E me desculpem a pegada auto ajuda desse texto. Mas é que eu fico tão romântica no Dia dos Namorados...
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