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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Me gusta Buenos Aires

Uma breve nota sobre minhas curtas férias de meados de ano...


Como uma viajante que se apega à cultura e à costumes mais que à turismo, em cada viagem que faço, curta e simples que seja , procuro ter a experiência verdadeira do lugar. Deve ser por isso que as coisas não me dizem muito, eu prefiro mesmo é ouvir da boca das pessoas. Ouvir toda hora Maradona ou Pelé, e sorrir sem querer começar uma discussão. Mas enfim, para que visitar Buenos Aires se não vamos respirar a rivalidade Boca x River, se não vamos comer tango e cheirar o orgulho cômico dos argentinos, se não vamos ficar num hotel decadente do início do século XX, com salão de baile, pátios abertos ao sol e banheiras de louça no lugar de chuveiros elétricos?


Existem alguns detalhes que definem muito bem um lugar. Uma palavra para definir Buenos Aires? História. Ela está em todos os cantos, em cada esquina, orgulhosamente preservada pelos seus habitantes. Uma história de um passado glamouroso, um presente de crise e um futuro indefinido. Nada mais encantador que ler todos esses momentos nos monumentos, esquinas e praças. É por isso que um ritmo e uma dança se tornaram patrimônio da humanidade...

Outra palavra seria contradição. Como um país falido consegue fazer com que seus cidadãos não atirem um só panfleto na rua no dia de eleições presidenciais... Amor, educação, critério? Escolha você... É por isso que mansões neoclássicas se dão tão bem com grandes prédios em concreto e vidro. É por isso do constrangimento do orgulho arranhado pelo fiasco econômico, representado por crianças esmolando na rua e carros gastos esbatidos circulando nas largas avenidas. É por isso que as pessoas são tão elegantes e nunca saem de casa sem vestir o seu melhor casaco, escovado e engomado por anos a fio.

Mais uma palavra...? Diversão! Uma cidade para se conhecer a pé, sentar sem hora marcada em um café e ler um jornal, jogar conversa fora ou simplesmente não se importar com o tempo que passa, traduz uma alegria toda charmosa de viver. Ou então aproveitar um jardim verde para tomar um excelente vinho e namorar, ao som de músicos que tocam pelo prazer de receber alguns trocados e de despertar alguns sorrisos. E diversão para quem gosta de arriscar a sorte em jogos de azar, ou arriscar a sanidade num dos muitos clubes noturnos. Por fim, diversão para quem gosta de teatro, dança ,música, cultura, todos as noites em cartaz nos muitos teatros da cidade.

Mas talvez a melhor palavra para Buenos Aires seja Paixão. Tudo é extremo em Buenos Aires... Toda dor é profunda, toda alegria é imensa, todo desespero é de morte... Todos gritam o que sentem, as árvores, as crianças nas praças, os guardas de trânsito, os jovens nas boates, os barraqueiros e camelôs, os dançarinos urbanos... Ninguém sai de lá sem deixar parte do seu coração ou levar parte de um coração consigo...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

As férias

Ah...


2011 começou muito bem, obrigada! Com deliciosas férias no litoral! E como minha querida companheira de viagem Nair me deu 3 dias úteis para escrever sobre isso e o prazo já expirou, decidi postar sobre:



Férias em Morro de São Paulo



Por demais conhecido que o nome seja, vale lembrar que Morro de São Paulo é um vilarejo do município de Cairú, na linda ilha de Tinharé, há alguns quilômetros da Capital baiana. Pitoresco, basta dizer que ali a natureza foi extremamente caprichosa: piscinas naturais, água transparente, areia cálida e macia, pequenas bacias e praias que parecem esculpidas para criar um clima intimista e delicado. Pena que as autoridades baianas não retribuam a generosidade divina com igual carinho: meio largado, o lugar parece estar sendo abocanhado pouco a pouco pelo turismo predatório. Os nativos vivem basicamente do turismo (que recebe uma multidão de estrangeiros), mas a falta de capacitação dos prestadores de serviço leva à exploração desnecessária do turista e do meio, a ponto de nos sentirmos sugados até o limite. Além disso, apesar da ilha ser uma APA (área de preservação ambiental), a corrida imobiliária começa a mostrar seus efeitos danosos.



Além de lugares bonitos, Morro atende a todos os gostos... Lugares românticos para namorar, baladinhas para curtir com a turma, passeios para a família... Para hospedagem, há pousadas e hotéis para todos os bolsos, e o que não falta é gente simpática e amiga para nos acolher como se estivéssemos em casa! A culinária decepcionou um pouco, faltam os temperinhos típicos da Bahia, mas como o lugar recebe muitos estrangeiros, imagino que o pessoal prefira servir pratos mais democráticos.



Top 5 Morro de São Paulo:



1) Mergulho para ver os peixes - é um passeio que vale a pena... a gente perde a noção de tempo admirando os peixinhos coloridos nos corais, é uma terapia. Aproveitando o barco, pulinho em Boipeba para babar em mais praias lindas.

2) Piscinas naturais - Outra terapia. Cheguei com uma dor chatinha e persistente no meu joanete e saí de Morro sem sentir nada... Devo aos banhos nas piscinas naturais!

3) After Beach na Toca do Morcego - curtir uma galera bonita, música ao vivo, DJs divertidos e um pôr-do-sol de tirar o fôlego.

4) Ver o sol nascer na Segunda Praia - não tem preço

5) Curtir uma balada com os chicanos - Os argentinos quando juntam, ninguém segura! Eles dominam e o estilo das músicas é tão contagiante que ninguém fica parado!



Mas o que determina qualquer lugar são as pessoas! As pessoas são sempre mais importantes. Eu tive a sorte de ter somente ótimas companhias. Tanto dos amigos que levei quanto dos amigos que fiz lá.



Para finalizar, vale compilar um trechinho do poema de Carlos Drumond de Andrade, que se lê num dos muros da vila: "Aqui amanhece como em qualquer parte do mundo, mas vibra o sentimento de que as coisas se amaram durante a noite."





Ah...


2011 begins very well, thanks! with vacations in the coast. And as my dear fellow traveler Nair gave me three days to write about it, and the term is ending, I decided to post about:






Vacations in Morro de São Paulo






The name is very famous, but I´d like to remember that Morro de São Paulo is a little village in Tinharé island, that belongs to Cairú city, far a few Km from capital of Bahia. I´d say that nature in Morro was very conceited and it´s enough: natural pools, transparent beaches, warm and soft sand, little places that seems to be sculpted only for make an intimate and delicated atmosphere.It´s too bad that authorities from Bahia do not reciprocate the generosity of God with equal care: a little abandoned the place seems to be swallowed by predatory tourism. The native people lives basically working with tourism (the island receives a crowd of foreign), but there´s no trainning for service providers and becouse of that the tourists and the environment is overexploited, unnecessarily. More over, although the island be an EPA (environmental preservation area) the speculations shows its harmful efects.






Besides beautiful places, Morro de São Paulo meets the diversity of preferences... Romantic places for love, parties for friends have fun, ride with family... We can stay in inns and hotels for all budgets and there is friendly and Nice people to receive us as we were home! Food desapointed me a Litlle, I missed the spice of Bahia but as in there is so many foreing, the food must be democratic.


Top 5 Morro de São Paulo


1) Go scuba diving to see fishes on corais – it´s a trip that worth it... We forget about the time admiring little fishes, it´s a therapy. Utilize the boat to Go to Boipepa to admire more beutiful beaches.


2) Natural pools – another therapy. I arrived with my bunion hurt and I went home cured. Thanks for the seabathing.


3) After beach at Toca do Morcego. Enjoy with beautiful people, live music, funny Djs and a breathtaking sunset.


4) See the Sunrise on the Segunda Praia. It´s priceless.


5) Parties with Los chicanos – The argentenean all together rocks! They rules, their music is very exciting and nobody can be stands.


But the most important are the people. I was very Lucky and had only good company both from friends I took as friend I met there.


Ending, worthwhile to compile a part of a poem from Carlos Drumond de Andrade (as my own translation) that is wrote on one of wall of village : Here the sun rise as in any place in the world, but stay the feeling that things loved each other during the night.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Um homem precisa viajar...



Um dos meus maiores dilemas é ser apaixonada por viagens e não poder bancar todas as que eu gostaria de fazer, ou por falta de tempo, ou por falta de dinheiro. Quando eu tinha bastante tempo para viajar e conhecer o mundo, na adolescência, por exemplo, antes de começar a trabalhar, eu poderia ter me tornado uma mochileira, essas pessoas que colocam um cobertor nas costas e conhecem o mundo pegando carona, se hospedando em albergues e usando de muita política e sensibilidade para cultura diversa. Mas eu não era intrépida, nem ousada, e também sempre tive o intestino preso, o que se agrava quando estou fora de casa, pois nada inibe mais meu intestino que um banheiro desconhecido, sujo ou a ausência completa de um banheiro.

As poucas vezes em que fui acampar serviram para me mostrar que não nasci para acampar. Uma vez, após montar minha linda barraca numa encosta, de frente para um vale verdejante, desabou um temporal e minha casa temporária ficou no meio de uma correnteza, com todas as minhas calcinhas dentro... Quando cheguei, e vi tudo o que eu tinha encharcado, tive uma atitude muito filosófica: Eu sentei e chorei...

Mochilar é um mistério para mim... Como as pessoas conseguem "mochilar"? Levar numa mochila tudo o que precisam para sobreviver alguns dias? Sobretudo, sendo mulher! Como viajar sem xampu, condicionador, hidratante, filtro solar, escova de dentes, repelente de insetos, fio dental, enxaguante bucal, aspirina, plasil, dorflex, ponstan, maquiagem, secador de cabelos, chapinha, caixa de OB...E isso só para falar de alguns pouco ítens necessários à sobrevivencia feminina... Não tem como tudo isso caber numa mochila, e não tem como um ser humano rodar toda a Europa com tudo isso nas costas...

As pessoas vêm me falar que se eu não me livrar do pânico de Hostel eu não vou conhecer lugar nenhum, pois é pouco provável, para mim, ir para Paris e ficar no Ritz (de preferência na suíte Elton Jonh). Mas uma das coisas que me move a viajar são os Hotéis. Eu amo um Hotel! A idéia de sair para conhecer um lugar e na volta ver que minha cama esta arrumadinha, toalhas perfumadas no banheiro e aquele frigobar cheio de quitutes me fascina. Sem falar em ligar no room service e pedir um lanchinho. Quase choro só de imaginar!

Eu não penso: "vou passar férias no Rio!" Geralmente eu penso: "Vou passar Férias no Copacabana Palace". Isso é pedir muito?

Outra dificuldade de viagens internacionais é que o mundo odeia quem fala português, e geralmente odeia também quem fala inglês... como vou sentar num restaurante e pedir um filé grelhado em polonês? Também detesto "programa de turista". Sabe assim, trinta japoneses de boné fotografando cada peido que os nativos dão e um guia explicando que "il Fontana di Trevi il mio sogno è tutto d'or, sento in me la speranza credo soltanto nell'amor"... Não dá né...

Bom... Espero programar muitas viagens baratas (já que não tem outro jeito), e conto com meus leitores e amigos para me darem boas dicas... Fui intimada a conhecer o mundo. E vou finalizar com uma citação de Almir Klink que simplesmente acho que cola:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Proximas viagens

Cada vez mais eu me convenço de que o homem já foi criado genial, e não veio do macaco ou de algum outro ser de intelecto inferior... Basta estudar as antigas civilizações para se dar conta disso facilmente. O homem sempre usou a cabeça para resolver complicados problemas que o cercava, e a perpetuação da nossa espécie é um exemplo disso. Sobreviver, para a raça humana, é algo que só devemos à capacidade que o homem tem de raciocinar, e ao feroz apego pela vida, que é tão característico de todos nós.

Quando entro em contato com a complexidade do conhecimento do Egito Antigo, dos Mesopotâmios, dos Cretenses, das civilizações pré-colombianas, dos povos milenares asiáticos, fico realmente estarrecida com a arrogância do homem contemporâneo, que não sabe cagar sem usar um computador, e acha que previsão do tempo e celular são coisas que facilitam sua vida.

Os homens comuns, sem precisar de qualquer estudo, há 50 mil anos atrás, já sabiam quando ia chover, só de sentir o cheiro do ar, ou de observar a forma como as aves voavam no céu. Uma das principais fontes de sabedoria dos antigos era observar e viver em harmonia com a natureza.

As mulheres eram regidas pelo ciclos da lua, e pela lua conheciam perfeitamente bem seus corpos, a ponto de saber quando estavam ovulando, quando poderiam evitar filhos, quando seus filhos nasceriam, e como fazer para que eles crescecem fortes. O conhecimento da vida era passado de geração para geração, em seu tempo certo, e não era obtido de forma distorcida pela internet. Hoje, com todo conhecimento, nossas jovens não são capazes de nada, e continuam engravidando precocemente, mesmo com todo acesso à informação, têm seus filhos à custa de muita cesariana. O nosso corpo parece que perdeu a capacidade de reproduzir, não conheço nenhuma mulher de minha geração que conseguiu parir um filho naturalmente, como nossas avós ainda faziam.

Muito fascinada por essa sabedoria que se perdeu quase que completamente nos dias de hoje, e em busca de um sentido maior para esse corre-corre diário que nos atropela todo o tipo de espiritualidade, gostaria de conhecer os antigos lugares sagrados que um dia foram palcos de grandes rituais, e grande transmissão de conhecimento e comunhão com a natureza...

As ruínas do Egito com suas tumbas em forma de pirâmides... O oriente médio e os lugares sagrados para tantas crenças, Atenas com seus templos, a Ilha da Páscoa e suas antigas lendas de seu povo extinto, Machu Picchu e os resquícios da civilização Inca...

Acredito, sem nenhum embasamento científico, que esses lugares ainda exalam a força estranha dos povos que ali se elevaram a semi-deuses, quando comungaram com a natureza e aprenderam a ler as estrelas, muitos milênios antes do Homem pisar na lua e constatar que a Terra é Azul.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Férias em Itacaré!

Vista da praia de Itacarezinho, da trilha


Nada como curtir uns dias de férias, de preferência num lugar para se celebrar a vida e a natureza. Para recarregar as energias (astrais, por que físicas, só gastei mais!), escolhi a deliciosa Itacaré, cidadezinha no litoral baiano, a cento e poucos quilômetros de Ilhéus, na famosa costa do cacau.

Para chegar, optei pelo vôo até Ilhéus, e de lá, um táxi até Itacaré. Já no caminho dá pra sentir que tudo o que se diz sobre esse recanto nada esquecido por Deus prometia mil belezas naturais. A cidade é singela, simples, pequena e limpa. Conta com os serviços básicos, mas não tem banco! Por isso, levei dinheiro vivo e contei com os lugares que aceitavam cartão. Para se hospedar, opções para todos os bolsos! É possível encontrar pousadas com ar condicionado (imprescindível) de R$ 35,00 a R$ 70,00 reais. Mas como eu estava de férias, resolvi me dar ao luxo de ficar na pousada mais nova da cidade, com belíssima arquitetura, piscina aquecida, hidromassagem, salão de jogos, decoração especialíssima com móveis e objetos de arte trazidos do interior de Minas, atendimento vip e bar molhado comandado pelo Ivan, barman terrível cuja principal qualidade é embebedar mocinhas inocentes com drinques de beber rezando e fabulosas doses de tequila e vodca Absolut. A pousada é a Terra Boa, não é barata, mas como eu já disse, eu mereço!

As praias lembram o filme A Lagoa Azul. Toda essa natureza exuberante tem um preço: longas caminhadas em trilhas no interior da mata, ou nas montanhas cobertas de coqueiros, ladeando o mar. Os guias locais são divertidíssimos e se você tiver a sorte que eu tive, vai pegar grupos animados e interessantes para te acompanhar nessas aventuras. Tudo vale a pena: cachoeiras que lavam a alma, vistas de perder o fôlego, e o prêmio: praias de água quentinha, com riachos que deságuam no mar. Uma das minhas preferidas é a praia de Jeribucaçu, onde se come um peixe vermelho pescado na hora e assado na brasa, com farofa de banana, arroz branquinho e vinagrete. Hummmmm...

Falando de culinária, não deixe de ir ao Tio Gu Café, na Pituba, restaurante de dois irmãos o Tio Gu e o Tio Zé. Os mais variados e deliciosos crepes do mundo, saladas coloridas e sucos especialíssimos. Mas se você ainda precisar de um incentivo a mais para conhecer a creperia, dou dois: os garçons que parecem ter saído da novelinha Malhação, são todos lindos, sarados, atenciosíssimos e de todos os lugares do Brasil, e o próprio Tio Zé, que é um moreno musculoso de lindos olhos verdes e tatugens radicais. Você vai ter certeza que está no paraíso.



Tio Zé gatíssimo - num é que esbarrei nele no aeroporto?

Itacaré é a terrinha da aventura e esportes radicais, mas se depois de um dia fazendo rafting, se pendurando nas tirolesas, surfando, fazendo trakking na mata ou off road num land rover, você ainda tiver pique para cair na balada, vai encontrar festinhas animadas, que ocorrem sazonalmente, no Dedos de Moça, por exemplo, ou DJs irados no Casarão Amarelo (aos sábados),  forrozinho com música ao vivo no Mar e Mel. Nesses lugares, gente de tudo o que é lugar do mundo para aquele intercâmbio cultural. Não se incomode em falar inglês, ou espanhol, pois a língua predominante em Itacaré é Hebraico. Mas os turistas que vêm para nosso país aprendem um pouquinho de português, o que é mais que justo! Outras farrinhas boas no Jungle bar, para uma vibe meio latina e o Corais, que dá mais nativos, mas a gente invade mesmo assim, e onde eu fui bem feliz!

Se pintou um clima de romance, vá para a praia do Resende curtir o nascer do sol, ou fazer uma fogueira ao som de um violão. Em Itacaré é tudo muito seguro, a gente anda sozinha no escuro, como não se faz mais em lugar nenhum. Mas tem sempre companhia, todo mundo ali parece envolido na tarefa de se comunicar e ficar amigo.

Resista à tentação de vender coco na praia, e se estabelecer em Itacaré. Mas se for impossível, saiba que casa, comida, natureza exuberante e grandes amigos nunca irão lhe faltar!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Descanço e Introspecção em Lavras Novas


Alguns lugares, por mais que sejam conhecidos, só se revelam em toda sua essência, em certas datas, quanto estão à flor da pele a cultura de seu povo, as crenças, o folclore.

Passear pelo interior de Minas na época de Semana Santa é uma delícia, pois é um feriado feito para introspecção e o descanso. E que lugar mais perfeito para isso que o vilarejo de Lavras Novas, a 115 km de Belo Horizonte, um arraialzinho escondido no alto de belas e azuladas montanhas?

Recolher-se num chalezinho rústico, com vista para as serras, deitar-se numa rede preguiçosa, tomar um café com pão de queijo bem típicos, respirar o arzinho frio da montanha, deliciar a vista num sem número de paisagens pitorescas... tudo isso é Lavras Novas!

Hoje o lugar foi invadido por pousadas confortáveis, que contam com serviço de quarto, piscinas aquecidas, hidromassagem e culinária francesa, para quem não abre mão do conforto mesmo num finzinho de mundo desses... Sem falar dos turistas ocasionais, que não perdem a oportunidade de abandonar nas cachoeiras suas latas de cerveja ou de ligar o som das suas pick ups num funk bem alto... Ah, saudade do tempo em que Lavras Novas era mesmo um lugar esquecido e escondido, que não tinha nada disso, só uma única ruela calçada ladeada de casebres e sua igrejinha despojada, no meio de uma pracinha... Mas não podemos recriminar tanto assim o progresso, já que podemos observar a melhora na qualidade de vida dos moradores, das crianças do lugar, que agora contam com tratamento odontológico, energia da Cemig e correm bem nutridas pelas trilhas.

E como é bonito ver as senhoras com véu de renda caminhando para a missa da Sexta Feita da Paixão, e a meninada alvoroçada com a tradicional queima do Judas, na pracinha? E o bolo de chocolate do desjejum, lembrando à gente que é Domingo de Páscoa?

Merecido descanso... Três dias num pouso desse ( horas intermináveis de indolência e preguiça ), nos recuperam definitivamente... Até o próximo feriado!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Então... Búzios!!!

Aí você pega o carro e vai pro Litoral, debaixo de chuva, por que acredita que não há melhor lugar no mundo para começar o ano!!!
E não há mesmo... Escolhi Búzios e tem que ser na praia de Geribá, que é a mais animada... Mas primeiro, deixem-me dizer que é importante que você confira a previsão do tempo, mas jamais acredite nela... Por que não choveu nem um dia sequer... exceto, claro, uma garoinha de nada muito raramente... O Litoral do Rio de Janeiro é muito generoso com as mineiras, sobretudo as baladeiras como eu, que pagam um boi pra entrar na curtição e dois pra não sair... E como dizem os cariocas: ach mineirach sao ach maich legaich...

É preciso que você fique numa casa bacana, com três andares, de preferência num condomínio com piscina e sauna, bar molhado e muita propensão à
estrangeiros (de Brasília e São Paulo por exemplo). É preciso que escolha à dedo as pessoas que levará com você. Nada de gente legal: o barato é a heterogeneidade de caracteres, para que você tenha a sensação de estar no Big Brother Brasil, com direito a muito amasso na piscina, intrigas e oposições, disputas amorosas, barracos, lágrimas de crocodilo, etc etc etc...
É muito mais divertido protagonizar algumas das cenas que fazem o sucesso com telespectadores brasileiros que assistí-las pela TV.

Durante o dia você pode até ir dar uma passeada nas prainhas diferentes, ir aos mirantes, andar de barco, curtir a natureza, isto é, se não estiver de ressaca... Mas
16:00 você deve voltar correndo pra Geribá, pra curtir a baladinha diurna mais "maneira" que existe, o Fish Bone Café, bem na beirinha da praia... vá de saída de praia mesmo, havaianas, e prepare-se porque lá dentro tudo é caro... Mas compensa, por que os DJs são bárbaros e é a maior concentração de gente bonita por metro quadrado do Brasil... Não espere conteúdo desses rostinhos lindos e corpinhos sarados, ali não é lugar de convesar... só garanta sua vodca Absolut e dance, dance, dance ao som da música eletrônica... A pegação é a mesma que rola nas micaretas tipo "beija e sai fora". Se você não curte esse tipo de coisa, tudo bem, há tanta variedade que os mocinhos nem se importam de levarem fora, levam no bom humor. 90% da população do Fish Bone é de cariocas de todos os lugares possíveis: Rio mesmo, Niterói, Volta Redonda, sei lá mais onde... 5% são estrangeiros e 0,001% mineiros. Mas não se sinta um Fish out... O negócio ali é colírio pros olhos e música eletrônica pra curtir.

Se bater a fominha te
m comida pra todos os paladares e bolsos. Você pode escolher lugares soistcados, mas todos os dias cansa e eu sugiro de um butequinho que tem desde muqueca de lagosta ao comum bife com batatas fritas. Chama Café Abençoado, em Geribá e nem tem site. O dono vai te alimentar como um sultão e te tratar com toda simpatia. E como diz um amigo meu, cada um vê o artista que merece... Como o Gianechinni não veio, a galera da Malhação filou todos os meus cigarros, e eu só me dei conta de que eram globais (por que não assisto Malhação), quando eles mesmos me contaram... Acho que decepcionei os muleques, por que nem pedi pra tirar foto. Mas o Bodão (aquele que parece o mais feinho da novelinha), é o mais bonitinho na verdade... Incrível como a tv distorce o mundo né???E também não deixe de comer o crepe do Chez Michou que é muito tradicional e muito bom, na Rua das Pedras... O ambiente é mais pra familiar, apesar da música eletrônica e do visual descolado.

A noite começa lá pela meia noite. Evite sair de ca
rro, se não quiser passar raiva e perder horas da sua noite em trânsito. O transporte é fácil e barato, de táxi, van etc. E em tempos de lei seca, é o melhor que tá tendo em termos de segurança.

Ah... As baladas.

Confesso que as baladas são as melhores. Caríssimas e também para todos os gostos. Tem o Pachá para os muito jovens, o Rock Bar para os muito velhos, o Havana Club para os muito ricos e sofisticados. Sempre rola raves sazonais em Cabo Frio e festas fechadas que a gente pode comprar o convite e ir. A Privilége, na Orla Bardot é a boate que mais bomba. Q
uinta feira é o melhor dia - tem atrações diferentes, sexta o pior - pois é tipo matinê. Rola trance, hip hop, hause e um pouco de funk. A pegação rola solta, o público é bem bonito e o sushi bar é razoável! Evite se tiver mais de 25 anos... você não vai gostar...E se prepare, por que a fila é quilométrica para entrar! Até mesmo a fila vip! O traje aqui é sofisticado, mas pouco. Grifes são bem vindas, mas se você tiver bom gosto, desnecessárias. Vale desde shortinho com rasteirinha até vestidinho de paetê com sandália de salto.

Para os maiorezinhos, também na Orla Bardot, tem o bacaninha Anexo ao Mar, um Lounge com decoração clean, área vip com vista para o canal e muita gente interessante! Prefira ficar no bar, onde se tem vista panorâmica de todos os pontos do estabelecimento e onde você exibirá seu belo bronzeado. Aqui você percebe que existe vida inteligente em Búzios. Sobretudo se tiver a sorte de conhecer um gatinho de Niterói, para te levar para curtir a alvorada num mirante maravilhoso na Praia Brava, pois o Anexo fecha cedo (quatro da manhã). Certifique-se de que o rapaz tenha um amigo bacaninha para acompanhar a amiga que estiver com você. Ele vai estacionar o carro, ligar o som num forró universitário e te ensinar uns passinhos se você não souber.
Ele pode c
onhecer sua cidade mais que você imagina e vai te falar de todos os lugares que curte nela, como a vista do Retiro das Pedras e o Observatório (onde ele dança forró quando vem) e os bares boêmios de Santa Tereza. Você pode ter um fim de madrugada bem romântico, mesmo estando nessa vida de baladeira. E faz bem, garanto. Vocês vão trocar telefones e marcarem de se visitarem logo, nas respectivas cidades. Não perca o pepelzinho azul de extrato bancário onde ele escreveu o telefone dele, por favor...
Coisas muito importantes para as meninas baladeiras em Búzios: filtro solar, chapinha ( foi-se o tempo em que o estilo "selvagem na praia" fazia sucesso), chapéu, condicionador sem sal, protetor labial, neosaldina, muita água de coco, muita alegria e disposição, muita paciência com os cariocas.

Coisas muito importantes para os meninos baladeiros em Búzios: dinheiro extra porque tudo é muito caro, bermudas, óculos de sol, Engov, bom humor, muita persistência com as cariocas e camisinhas (por favor!!!),

Partiu??

domingo, 21 de dezembro de 2008

São Paulo com Madonna

Coisas que acontecem comigo: Pego o avião para São Paulo e minha poltrona está ao lado de um moço sonolento e desinteressante. Ajeito-me com meu livro do Nelson Mota no colo, esperando uma oportunidade de acender a luz para leitura, mas meu companheiro não parece nem um pouco disposto a aturar isso. Antes da decolagem ouço uma voz masculina conversando ao celular, falando em francês. Inclino-no me para ver de quem se trata, um homem interessantíssimo e (dou uma conferida rápida), de ternos e olhos azuis... Ah... Minha poltrona nunca é ao lado de alguém assim!!!
Coisas que nunca acontecem comigo: Estamos voando há cinco minutos. Pergunto ao moço do lado se incomodaria se acendesse a luz de leitura. Ele diz que vai mudar de poltrona, pois o avião não está cheio. "Ótimo", penso. E mergulho na vida de Tim Maia. Sinto alguém me observando. É o francês interessante. Ele pergunta, sotaque carregado: - Sobre o que é o livro? Pronto. Convida-me a sentar ao seu lado. Então, excelente papo durante 50 minutos até São Paulo. Com sotaque francês... Trocamos telefones. Combinamos um jantar. Aquelas coisas dos filmes da Meg Ryan que nunca acontecem comigo tinha acabado de acontecer...
Um dia perfeito: Durmo maravilhosamente no quarto do Hotel. O dia amanhece tipicamente paulistano. Cinzento, fresco, agitado. Como tenho algumas horas antes da minha reunião com um cliente, vou dar um passeio pela
cidade. Subo a Nove de Julho a pé, em direção à Paulista. Os lindos prédios já estão ornados para o Natal. A cidade fervilha, passam por mim tipos de todos os estilos. Na esquina, atração fatal: cara a cara com o Masp. Confiro o relógio. Dá tempo de um encontrozinho com a arte? Passeio pelo Masp. Já sou recepcionada pela ilustração fantástica de Dalì. Ali um Goya, acolá um Van Dyck... alguns renacentistas, um pouco de barroco... até Ticiano! Vou percorrendo a história da arte, obra a obra, tão fascinada que me sinto fluturar. Mas paro mesmo diante de Renoir... Ah, um quadro que eu amo, o Rosa e o Azul... Sigo pelos impressionistas com a impressão de alma baforejada por beleza, e vida, e cores, e formas... Ah, achei Van Gogh... Modigliani ... e Picasso, da fase rosa. Ah, essa doeu... Eros e Psique, na escultura arrebatadora de Rodin... Passo duas horas de puro prazer... Quando dei por mim, já estava atrasada para o almoço combinado com uma amiga colhida em uma viagem de férias maravilhosa, e a quem não via há dois anos anos. Pego um táxi esbaforida e corro pro Itaim. Renovamos as histórias, os papos, a vida... Dois anos nos mudam muito, mas ela está exatamente a mesma! Cara de menina, apesar de recém mamãe...
Negócios:
De 14:00 às 18:00, reunião de trabalho. A chuva que cai então me deixa um pouco alarmada... Dor de barriga e ansiedade. A cliente parace tão indecisa... Temos que usar todas as artimanhas criativas para convencê-la das nossas sugestões. Mas no final, tudo dá certo. Agora é só apresentar o projeto na... Segunda feira!!!! Prazos impossíveis me perseguem...


Happy Hour:
(Vaca Véia) Recomendam-me um bar bacaninha ali perto, frequentado pelos yuppies paulistanos. Encontro-me novamente com minha amiga para uma cervejinha e um bate papo, num dos botecos eleitos pelos paulistanos como o melhor lugar para paquerar. São Paulo é um lugar ótimo para mulheres solteiras, descubro. Todos os homens olham para a gente. Paqueram. São simpáticos. E estão em grande número pela cidade. Já estava achando que era transparente em minha cidade.

22:00 -
Aguardo meus amigos que vêm para o show da Madonna no dia seguinte. Enquanto isso gasto alguns minutinhos na internet. Até que me vêm uma idéia à mente. Envio um email para o francês do avião. A resposta é imediata! Meu telefone toca e ele virá me buscar para jantar em poucos minutos. Fico torcendo para a Cláudia chegar logo, não quero sair com um estranho, ainda sou mineira e desconfiada. Deixo um bilhete no quarto: " Saí com um estranho, o dono deste cartão. Se eu não voltar, chame a polícia!" Mas não foi necessário nada disso, a Cláudia chegou e saímos os três para jantar.

O francês: (Santo Grão da Oscar Freire) Depois de rodar um pouco pela São Paulo noturna mergulhada em luzes de natal, decidimos por um café despretencioso na Oscar Freire. Mas... Por que não me avisam que os franceses são esnobes, enjoados e que têm o extremo mau gosto de falar mau da terra que os acolhem? Cadê o gentleman do avião?




Um dia mais que perfeito: Enrico vem nos acordar no hotel. Tomamos café juntos e bora explorar São Paulo!
Agora de metrô, até o Museu do Ipiranga. Depois, táxi até o Shopping Morumbi, pra ficar mais perto do estádio. Brriguinhas nutridas pelo MC Donald´s e bora pro show!!!

Quase arrependimento -  Quem merece seis horas em pé numa fila, sujeito a sol, chuva, oportunistas vendendo energético a 10 reais? Madonna né... Só ela!

 
As luzes -  Bem, quando as luzes do palco acendem, esquecemos tudo!!! Até que estávamos vaiando cinco minutos antes por que o show está atrasado...

O Show
- O figurino estava lindo. - Cenários de sonho. - Madonna no palco é energia pura. Ela se diverte e dá cada passo com precisão. Não é mais um show para ela. É O show... - O Dj pulando na galera foi divertido. - Ela prometeu não demorar tanto para voltar! - Amei La ista Bonita, ritmo cigano! - Quem disse que Madonna não canta não a ouviu em You Must Love me, voz e violino ao vivo. - Madonna com a camisa da seleção brasileira foi emocianante. - Surpresa!!! Hung Up rock´n roll, acordes de guitarra me conquistaram definitivamente... - Putz, como ela é bonita pessoalmente!

Fim de Noite
O taxista nos apresenta um fim de noite bem no estilo do nosso Paraconi belo horizontino, mas com um toque de boemia. Escondido no centro e refúgio de artistas e intelectuais. As fritas estavam boas. Enrico preferiu o bom e velho Mc donald´s.


Show da Madonna: Se existisse uma palavra, eu usaria para expressar o que foi e o que significou... A dona do verbo ficou literalmente sem palavras.


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