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quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Quando você conhecer alguém...
Quando você conhecer alguém que a faça desejar mudar de estado civil, pelo seu próprio bem, abandone sua vida, aquela antiga, com aqueles caras que não a mereceram e a fizeram sofrer, que a ensinaram bastante sobre quem você não queria ao seu lado e que roubaram algumas noites em que você passou na cama, sozinha, chorando.
Abandone também aquele grande amor do passado, aquele primeiro, o que lhe tirou o fôlego e que acreditou que seria para sempre, mas por algum erro de percurso, você perdeu. Sim, enterre também as boas lembranças, os bons momentos que a fazem suspirar quando você, por um descuido ou outro, acaba viajando em sonhos para um tempo em que foi muito feliz com alguém.
Não mencione nomes, lugares, episódios.
Quando você conhecer alguém que a faça desejar começar tudo de novo, de um jeito novo, para uma vida nova, mesmo que nada seja certo nem duradouro sobre a face da terra, entenda que suas experiências são suas, para seu crescimento, seu aprendizado, sua história, e que o outro não merece compartilhá-las (por que quer lhe dar novas histórias), nem precisa (por que tem seu próprio passado).
Ao contrário, no lugar de perder tempo detalhando cada ex, cada aventura, cada romance, bem ou mal fadado, aproveite para construir coisas novas sob escombros escuros. Aproveite para se reinventar. Permita-se cometer erros (os mesmos que você já cometeu). Permita-se repetir clichês. Permita-se o frescor de uma nova relação.
Não contamine sua nova existência com um passado mesquinho. Pois o passado é mesquinho sempre. Está engessado no que você fez e viveu. Nada pode se comparar à enormidade de um presente em construção e a um futuro vindouro.
Nenhum amor pode florescer regado de coisas usadas. Liberte-se.
A vida é breve demais para que a gente insista em assistir sempre o mesmo filme. Ler o mesmo livro. Ficar preso à coisas que acabaram.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Dia dos Namorados sem namorado!
Caros leitores!
Vocês sabem como detesto momentos “auto ajuda”. Mas esse dia dos namorados vai ser muito especial para mim, portanto eu não poderia deixar de escrever sobre isso. Se vocês estão se perguntando se apareceu um amor avassalador na minha vida, sinto muito, mas no momento não estou protagonizando nenhuma personagem da Julia Roberts. Esse dia dos namorados vai ser muito especial por que é o primeiro, em muitos anos, que passarei solteira!
Como todos os meus leitores sabem, eu passei a maior parte da minha vida sendo a namorada de alguém, ou seja, são muitos e muitos dias dos namorados em que já vivi muitas situações ternas, apaixonadas, decepcionantes e até mesmo odiosas. Com larga experiência no assunto, posso dizer que já vivi meu quinhão de ilusões amorosas, já desenhei coraçãozinho no papel, já gastei solas de sapato em shopping lotado procurando o presente perfeito, já cozinhei jantar romântico, já fiquei horas em fila de restaurante da moda (e horas e horas e horas), em engarrafamentos para viagens românticas, já fui em pizzaria barata quando estávamos sem grana, já passei o dia dos namorados brigando dentro de um carro debaixo de chuva, já fiz uma viagem de ônibus numa madrugada inteira só para passar um dia com alguém... ufa... ser uma namorada perfeita dá trabalho demais, mesmo que seja um dia no ano.
É por isso que o post de dia dos namorados esse ano vai para as pessoas solteiras. As pessoas que passam o ano tranqüilas e felizes, mas caem em depressão nesse tal de dia 12 de junho.
Na verdade, para nós, preparei um dia dos namorados mais que especial. Esse dia em que você está suspirando por um amor platônico, nesse dia que você vai lembrar-se do seu ex namorado com dor no peito, nesse dia que tudo o que você vai conseguir ver são casaizinhos fingindo-se perfeitos e apaixonados (é, pois é, eu sei que essa fachada existe, mesmo por que já fui assim), eu tenho uma sugestão. Faça como eu, passe o dia com a melhor pessoa que você poderia estar na face da terra – você mesmo!
Afinal, todos sabem como é gostoso curtir ao lado de alguém... Mas cá pra nós, é muito, mas muito bom mesmo ser livre! Simplesmente fazer o que se quiser, na hora que se quiser, sem precisar dar satisfação para ninguém. Passar o dia na cama, de preguiça, sem hora para levantar... Tomar café da manhã demorado, lendo um jornal... Tomar banho com tempo suficiente para esfoliar a pele, hidratar o cabelo, massagear as celulites, sem ter ninguém te esperando, te apressando, reclamando da sua demora.
E se é o ritual do presente que te agrada, vá ao shopping (argh, maratona...) e escolha um presente para você mesmo... Peça para embrulhar bem lindo e entregarem na sua casa. Ou coloque sobre sua mesa e abra no dia dos namorados. Escreva-se uma declaração de amor, onde constem todas as suas qualidades maravilhosas. Ah, mime-se um pouquinho... Você vai esperar a vida inteira por alguém que aprenda seus gostos e desejos? Por que não realizá-los já?
Seja a coisa mais importante da sua vida! Você é uma pessoal legal, bonita, esperta. Você tem sonhos, você tem tanto a viver, apesar de todos os pesares! Pelo menos um dia do ano. Não é muito... Mas já é um excelente começo!
E me desculpem a pegada auto ajuda desse texto. Mas é que eu fico tão romântica no Dia dos Namorados...
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Aperitivo 6/9
E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
(Hilda Hilst - Do Desejo - 1992)
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