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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Todo mundo ama os Beatles!


Vi o frisson gerado pelo show do Paul McCartney e me pergunto: o que é isso? Porque as pessoas amam tanto os Beatles? O que eles tem e tiveram de tão bom que fascina tanto várias gerações uma após a outra? Bom, já deu para perceber que Beatles não são assim uma paixão minha, apesar de eu ser encantada com todo o fenômeno pop que eles desencadearam.
Lembro das primeiras músicas que ouvi dos Beatles quando criança. Na vitrola dos meus pais rolava as coletâneas (lançadas em 1973, The Beatles 1962-1966 e The Beatles 1967-1970) Nessa época boa do vinil, gostava da fase iê iê iê, que é bem divertida... Mas quando se ouve as músicas da fase Sgt. Peppers, Abbey Road e Let it be, a gente tem a impressão de que não é a mesma banda. A evolução musical é incrível, mas (caramba!) não é essa a questão. Música boa muita gente faz e fez com muito menos reconhecimento. A questão é: qual é a desses Beatles?
Eu diria que os rapazes de Liverpool estavam no lugar certo na hora certa. O mundo pós guerra estava efervescendo de filosofias, comportamentos, transformações tecnológicas e descobertas científicas nunca vistas ou imaginadas. A popularização e abrangência das novas mídias como TV e cinema contribuiu para o alcance de novos movimentos artísticos e intercâmbios culturais.  Não sei se isso é de fácil apreensão para quem nasceu e vive num mundo globalizado pela internet, em que um vídeo postado no youtube tem alcance mundial em 3 segundos. Mas num mundo sem internet, algo tem que empurrar uma banda inglesa para todo o globo: o mundo era um campo fértil para o estilo dos Beatles.
Outro fator que contribuiu para o “boom” da beatlemania foi a sacada de que as pessoas precisam se identificar com algo para apreciar. A atitude globalizada desses moços fez com que seu ritmo permeado de influências (como o skiffle, o rock ´n roll, a música clássica) caísse no gosto geral. Eu diria que, naquela época, isso foi um toque de genialidade visionária. Os Beatles falaram para o mundo como se falassem a língua de cada um.
A capacidade dos Beatles de se superaram e evoluírem a medida que seus fãs crescem e amadurecem também é um fator decisivo. A música e a atitude dos Bealtes poucos anos depois de seu primeiro sucesso, Love me do, está tão transformada que é quase irreconhecível. De 1966 a 1969, a banda viveu a fase estúdio e denunciou uma espiritualidade que tudo tem haver com o momento histórico mundial. Fortemente influenciados pelos horrores do Vietnã, as letras falavam de paz e amor,  o que transmitia otimismo num mundo de medo.  Quem teve o privilégio de ouvir All we need is Love gravada ao vivo e transmitida via satélite para 26 países, com participações de grandes nomes da época como Mick Jagger e Eric Clapton sabe do que estou falando.
Pois bem, os Beatles acabaram. Com muita atitude, senso de oportunidade e uma legião de fãs ensandecidos, que vão se multiplicando por várias gerações, temos o maior (o primeiro?) megafenômeno pop do mundo.
Acho que é preciso esse contexto todo para entender o fenêmeno! Ícones são criados todos os dias em cada época.  Mas parece que os Beatles mudaram o mundo. Ou, como eu acho mais correto afirmar, mostraram a todos como o mundo estava mudado.

Everyone loves The Beatles!
I saw the impact  coused by Paul McCartney´s show and I asked to myself: what is this? Why do people Love Beatles so much? What so great about them? Altought I admire all pop phenomenon they put on.

I remember listen to The Beatles´ songs when I was a child. My parents used to listen to the old long plays records (Beatles Colection up to 1973). That time I really liked ie ie ie craze wich was a lot of fun... But we listen to the songs by Sgt. Peppers, Abbey Road and Let it be period and it doesn´t like the same band. The music evolution is amazing but (fucked!) this is not the point. Good songs lot of people wrote even though they had less knowledge. The question is: what´s The Beatles?
I´d say Liverpool´s boys were at the right place and time. The post-war times was bursteling with philosofie, behaver, technologic transformations and scientific  discoveres never seen or imagined before. Popularity of new midia like TV and movies contribuited for reach new artistic tendences and cultural exchanges. I´m not sure It is easily to be understood by people Who were born and live in a global world by Internet, in which a vídeo posted on youtube reachs the whole world in about three seconds. But in a world whithout Internet something had to push an english band away. The world  was fertilgrounds for the rebellious stile of The Beatles.
Another factor that contribuited to the beatlemania boom has been understood that people need to identify themselves with something to appreciate. The global atittude of these guys made that their rhytm full of inluences (as skiffle, rock´n roll and classical music) would be appreciate globaly. I´d say that, that time, it was a brilliant and visionary touch. The Beatles spoke to the world as if they spoke everybody languages.
The capacity of The Beatles to over do themselves as their fans grow and get older is also a decisive factor. The music and atittude of The Beatles a few years after their first hit ‘Love me do’ has been completely changed and it´s almost impossible to recognize. From 1966 to 1969, the band passed throw a Studio fase wich showed a way that has to do with the world history. Quite influenced by the Vietna war horrors the lyrics talked about piece and Love, wich pourred optimism in a world guided by the fear. Who ever head the privilege to listen to ‘All we need is love’ recorded live via sattelite to 26 countries, with participation of great names from that time such Mick Jagger and Eric Clapton knows what I mean.
Well, The Beatles are through. With a lot of atittude, and getting oportunities, and a litlle push from mídia and also a legion of crazy fans with had mutiplied several geaneration we have the biggest (it was the first?) phenomenon of the pop world.
Needless to say, we need this context to understand the phenomenon. Icon are made in the own times. Seems The Beatles changed the world, or correcting: showed the world that everything had been changed.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Uma Sra. presidente...

"Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!" Dilma Rousseff

Que o Brasil é um país de vanguarda, isso ficou mais uma vez óbvio. Um país que cresce em importância aos olhos do mundo acabou de eleger uma mulher para Presidente da República.

Dilma Rousseff tem uma história de vida bastante ativa politicamente, embora tenha sido divulgada sua "pouca experiência" no exercício de cargos públicos. Há aqui um terrível equívoco por meio dos eleitores e da imprensa. Exercer um cargo público, por si só, não constitui experiência política. Experiência política é estar participativo nos processos democráticos no país, lutar contra desigualdades e participar do diálogo que visa o bem comum. Nisso, Dilma dá um banho.  Como se não bastasse, presidiu o Ministério brasileiro mais importante, a Casa Civil.

Alvo de pesadas críticas e até acusações severas, vista com nariz torcido e imenso preconceito pela classe média brasileira, a candidata do presidente Lula conquistou a massa brasileira, que a meu ver, não se deixou manipular pela mídia das elites. Ofereceu seu voto à princípio relutante e no segundo turno, de bom grado, reafirmando a aceitação de um governo que ajudou a transformar o perfil do nosso país.

Foi extremamente emocionada que assisti ao primeiro pronunciamento da presidente eleita. Confesso que tenho muitas críticas ao governo Lula, e não sei muito bem o que esperar de Dilma. Claro que conforme um conhecido ditado, mais prudente é esperar pelo melhor, mas nos preparar para o pior. Mas considero sua eleição uma vitória para o Brasil, em muitos aspectos. Antes de ser uma vitória feminina, considero uma vitória do eleitorado de classes baixas, que é tido sem cultura, sem estudos, e por isso incapaz de votar. Vi pessoas analfabetas com discursos muito mais lúcidos que jovens universitários ao defenderem seus candidatos nesta eleição. O Brasil está começando a sair da escuridão política.

São ultrajantes afirmações do tipo "o Brasil vendeu seu voto pelo bolsa-esmola". Penso que quem é capaz de elaborar uma afirmação tão difamatória sobre o povo brasileiro não respeita o Brasil, e não considera a sua população e não tem o mínimo preparo para participar da evolução do país. Finalmente, o Brasil vota pelo Brasil, e não pelo interesse pessoal de uma minoria.

domingo, 10 de outubro de 2010

Porque o aborto precisa ser legalizado

Assuntos polêmicos como o debate do aborto e mais uma necessária reforma da previdência devem, por regra, serem evitados em época de eleição. Dilma Roussef por exemplo, está amargando a perda de alguns importantes votos por conta de seu posicionamento em favor do retorno do debate em torno do aborto. Isso demonstra mais uma vez a imaturidade do eleitor brasileiro, é a consequência lamentável de um país que não prima por investimentos na educação.

Ser contra ou a favor do aborto é muito diferente de ter uma legalização do aborto. Ser contra ou a favor do aborto é uma questão pessoal, que deve ser baseada na experiência de vida, na religião e na consciência de cada um. Eu, particularmente, sou contra. Não faria em hipótese alguma. Mas penso assim hoje, que sou uma mulher adulta, madura, independente e que tem as decisões baseadas na minha própria consciência. Porém sou a favor da legalização do aborto sim, e penso que é um absurdo e uma falta imperdoável de colhões da câmara brasileira manter o projeto parado há tantos anos (19, para ser precisa).

A questão não é levada a sério no Brasil pelo mesmo motivo que uma mulher não pode tocar um homem estranho nem acidentalmente na Arábia Saudita. Naquele país, a mulher é considerada inferior ao homem, e portanto, um ser impuro. Aqui, os direitos de todos prevalescem sobre os direitos das mulheres. Tudo é questionado no debate sobre o aborto: o direito à vida do feto, a posição dos padres, a opinião dos médicos - menos o direito da mulher sobre o próprio corpo.

Só por que eu sou contra o aborto, devo negar a milhares de mulheres o direito a um atendimento adequado, quando por algum motivo que para elas faz muito sentido, decidirem interromper uma gravidez? Por que os padres (que são todos homens), tem tanto a dizer a respeito, quando não fazem a menor idéia do que significa não aceitar estar grávida sem ter desejado estar? Não deveria ser uma decisão pessoal chegar ao ponto de fazer o aborto, e não uma proibição e um crime? Será que por ser ilícito, algum aborto deixa de se realizar no Brasil? Nos países onde é legalizado, se realizam mais abortos que aqui? Será que saber que poderia optar por um aborto legal não daria mais tranquilidade a uma mulher numa situação difícil de decidir manter a gravidez, pois é sabido que muitas vezes o aborto acaba sendo um ato de desespero?

Bom, se a Dilma vai restaurar o projeto sobre a legalização do aborto e levá-lo ao plenário, mais um motivo para merecer meu voto. Só uma mulher poderia viabilizar essa importante questão no Brasil. Sem discursos religiosos e demagogos. Aliás, quanto mais a religião estiver fora da política, melhor para todos nós. Anseio por um país maduro, e não por um país governado pela ignorância e pelo pseudo-moralismo.