Um amigo meu acabou de conhecer uma pessoa incrível. Foi numas férias no litoral. Segundo ele, sete dias ao lado de uma garota como ele nunca havia conhecido antes. Uma pessoa totalmente arrebatadora, responsável, independente e charmosa. Obviamente, ele ficou muito encantado e a coisa fluiu magicamente. Ao voltarem de férias descobriram que eram praticamente vizinhos e o romance engrenou de verdade. Até, é claro, ele perceber que estava muito envolvido e resolver “dar um tempo”. Ele queria fazer mais viagens, sair sem compromisso com outras mulheres, passar noitadas em baladas até se amarrar a alguém seriamente, pois vinha de um namoro problemático, de alguns anos.
Uma semana depois do “dar um tempo”, ele esbarra com a moça num restaurante, na companhia de um rapaz simpático. Pois é, ele ficou arrasado! Será que ele achou que essa moça incrível ia ficar disponível a vida inteira, até que ele pudesse cair na real e perceber que tinha algo valioso nas mãos? Não, né...
Como meu amigo, muitas pessoas “deixam de viver”. Elas abrem mão de relacionamentos promissores para “curtir a vida”, e decidem quando é hora de se entregar e quando é hora de viver prazeres momentâneos, como se pudéssemos planejar cada movimento da vida, como se tivéssemos controle sobre o acaso.
Muitas vezes ouvi dizerem a frase: a pessoa certa na hora errada. Confesso que acho isso a maior babaquice. A pessoa certa não tem hora marcada para aparecer. A gente é que decide a hora de viver, como e quando. E relacionamentos são como oportunidades de emprego, ou oportunidades de investimentos. Nem sempre aparecem quando estamos preparados para eles. Quantas vezes nos se apresenta um investimento que não temos como bancar, e se tivéssemos, o lucro seria certo? Lamentamos. Ou então, vamos correr por um empréstimo. Pois oportunidades devem ser agarradas quando aparecem, ou elas podem não aparecer mais.
Com as pessoas é a mesma coisa. Quando deixamos de viver aquilo que a vida colocou no nosso caminho por medo, por achar que “não é a hora certa” ou com a pretensão de “curtir a vida”, estamos arriscando a chance de uma felicidade que pode nunca mais vir. Quando o coração dispara por alguém, é o nosso organismo nos avisando: essa pessoa vale a pena, essa pessoa é especial. Infelizmente, na hora, não vislumbramos o risco que estamos correndo. O arrependimento só vem tempos depois, quando é tarde demais.
Afinal, curtir a vida é algo que pode ser feito ao lado de alguém que amamos. Aliás, nesses casos, a curtição é bem melhor, ou maior. Diferente, mas também satisfatória. O que não vale é deixar de viver. Nenhuma curtição vale adiar as nossas vidas, que como sabemos, são curtas.
Ah, o conselho que dei a meu amigo? Paciência, irmão! A gente tem que saber perder quando não foi competente o suficiente para ganhar...
segunda-feira, 18 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Chocados com a tragédia de Realengo? Pois é...
Vendo a comoção causada pela chacina do Rio,
Ver matéria
não posso deixar de ter um pensamento: vocês, que estão tão chocados, em que mundo vocês vivem? Será que as pessoas andam dormindo e aí, quando acontece uma tragédia dessa proporção, todo mundo resolve abrir um olhinho e dar uma espiada, e então se lamentar?
Pena que esse olhinho vai se abrir, expressar algumas frases de praxe como “onde é que nós estamos?”, e vai voltar a fechar para o problema da educação no Brasil. Ou vocês não sabem a situação das escolas da periferia brasileira? Vocês não sabem que alunos armados em classe é corriqueiro? Vocês não sabem que vira e mexe alguém é baleado na porta de uma escola, para não ir tão longe, no Palmital por exemplo, ou algum professor é ameaçado pelo líder (que muitas vezes não passa de um menino) de alguma gangue? Vocês não sabem como é comum que a violência e o tráfico ditem as normas nas escolas do Brasil?
Eu é que estou chocada com a sociedade brasileira. Capaz de eleger uns Bussolnaros da vida, capaz de colocar a mão no rostinho e dizer: oh que tragédia, mas incapaz de compreender que esse é só um fato pontual, triste, inadmissível e incompreensível, mas representativo do problema da violência, do acesso às armas, da educação deficiente, da falta de ação dos nossos políticos, de projetos de leis que visam melhor segurança e propiciar o desarmamento do brasileiro parados.
Em 23 de Outubro de 2005 63% da população votaram pelo NÃO ao desarmamento. Agora estamos todos chocados quando um moleque psicopata pega uma arma calibrada com equipamentos de fácil acesso pela internet (fácil acesso inclusive no custo) e chacina crianças inocentes em uma escola.
Parabéns, Brasil!
Ver matéria
não posso deixar de ter um pensamento: vocês, que estão tão chocados, em que mundo vocês vivem? Será que as pessoas andam dormindo e aí, quando acontece uma tragédia dessa proporção, todo mundo resolve abrir um olhinho e dar uma espiada, e então se lamentar?
Pena que esse olhinho vai se abrir, expressar algumas frases de praxe como “onde é que nós estamos?”, e vai voltar a fechar para o problema da educação no Brasil. Ou vocês não sabem a situação das escolas da periferia brasileira? Vocês não sabem que alunos armados em classe é corriqueiro? Vocês não sabem que vira e mexe alguém é baleado na porta de uma escola, para não ir tão longe, no Palmital por exemplo, ou algum professor é ameaçado pelo líder (que muitas vezes não passa de um menino) de alguma gangue? Vocês não sabem como é comum que a violência e o tráfico ditem as normas nas escolas do Brasil?
Eu é que estou chocada com a sociedade brasileira. Capaz de eleger uns Bussolnaros da vida, capaz de colocar a mão no rostinho e dizer: oh que tragédia, mas incapaz de compreender que esse é só um fato pontual, triste, inadmissível e incompreensível, mas representativo do problema da violência, do acesso às armas, da educação deficiente, da falta de ação dos nossos políticos, de projetos de leis que visam melhor segurança e propiciar o desarmamento do brasileiro parados.
Em 23 de Outubro de 2005 63% da população votaram pelo NÃO ao desarmamento. Agora estamos todos chocados quando um moleque psicopata pega uma arma calibrada com equipamentos de fácil acesso pela internet (fácil acesso inclusive no custo) e chacina crianças inocentes em uma escola.
Parabéns, Brasil!
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Perdão: até onde conceder?
“Errar é humano. Perdoar é divino“.
Com essa frase de conhecimento popular, começo minha reflexão de hoje, consciente de que todos nós, em maior ou menor grau, fomos magoados, agredidos ou decepcionados por alguém em quem confiávamos. Em muitos casos, parece que a mágoa atinge níveis catastróficos, pois o mais comum é detonar o fim do relacionamento com a pessoa em questão. Até onde devemos perdoar as pessoas e até onde é possível salvar um relacionamento machucado por uma grande mágoa?
As religiões nos dizem que o perdão enobrece a alma. Vai dizer isso a uma pessoa que foi muito agredida ou machucada por outra, de forma irreversível! O perdão parece uma grande piada quando o efeito da mágoa é avassalador. Parece até mesmo uma coisa errada e injusta. Mas para as situações cotidianas da vida, o perdão é absolutamente necessário. Pois nada mais danoso que o efeito de uma grande mágoa no coração da gente. E o alívio de perdoar aquela dor causada e esquecer. Perdoar e esquecer tem efeito de bálsamo na alma, falo isso por experiência própria.
Mas algumas pessoas tem o péssimo hábito de fazer do perdão uma autorização para continuar um comportamento inaceitável com as outras. Partem do princípio de que, se foram perdoadas uma vez, serão continuamente. E se valem da pré-disposição à benevolência do outro para se safarem de situações desagradáveis. É aí que eu penso que o perdão é inadequado. Afinal todo mundo merece uma segunda chance. Mas não merece uma terceira, nem uma quarta e muito menos uma quinta.
Recentemente estive às voltas com meu coração, sobre um perdão que eu questionava se deveria conceder ou não. Na verdade, a pessoa em questão já havia destruído, com seu comportamento, a maioria dos sentimentos positivos que eu tinha em relação a ela, e não me envergonha dizer que eram os mais nobres e sinceros que já fui capaz de produzir na minha insignificante existência. Eu não podia permitir que ela destruísse também a possibilidade de reproduzir esses sentimentos no futuro, com pessoas realmente merecedoras deles, nem os sentimentos positivos que eu tinha em relação à vida, aos meus próprios sonhos, a minha alegria de viver.
Quem concede o perdão, não raramente, busca a gratidão e o reconhecimento. É um erro. Muitas vezes as pessoas que nos magoam o fizeram pela incapacidade de valorizar o sentimento do outro, e não vão se sentir gratas por terem sido perdoadas. O perdão deve ser um presente para nós mesmos e não para o outro. É por isso que ele é tão valioso...
Se eu perdoei? Estou batalhando firmemente para que isso aconteça. Como? Enviando bons pensamentos à pessoa que me feriu. Desejando de todo o coração que ela seja feliz e que aprenda a valorizar mais os sentimentos dos outros, as graças da vida, o amor, a lealdade e acima de tudo, as pessoas especiais que por ventura aparecerão em sua vida. Incluindo-a em minhas orações. E pedindo, mentalmente, perdão pelas possíveis falhas do meu próprio caráter que possam ter estimulado o mau comportamento a que fui submetida.
Se isso faz bem a essa pessoa eu nunca vou saber. Mas faz bem para mim e para meu coração. No fundo, o perdão também é uma forma de cuidarmos de nós mesmos.
Com essa frase de conhecimento popular, começo minha reflexão de hoje, consciente de que todos nós, em maior ou menor grau, fomos magoados, agredidos ou decepcionados por alguém em quem confiávamos. Em muitos casos, parece que a mágoa atinge níveis catastróficos, pois o mais comum é detonar o fim do relacionamento com a pessoa em questão. Até onde devemos perdoar as pessoas e até onde é possível salvar um relacionamento machucado por uma grande mágoa?
As religiões nos dizem que o perdão enobrece a alma. Vai dizer isso a uma pessoa que foi muito agredida ou machucada por outra, de forma irreversível! O perdão parece uma grande piada quando o efeito da mágoa é avassalador. Parece até mesmo uma coisa errada e injusta. Mas para as situações cotidianas da vida, o perdão é absolutamente necessário. Pois nada mais danoso que o efeito de uma grande mágoa no coração da gente. E o alívio de perdoar aquela dor causada e esquecer. Perdoar e esquecer tem efeito de bálsamo na alma, falo isso por experiência própria.
Mas algumas pessoas tem o péssimo hábito de fazer do perdão uma autorização para continuar um comportamento inaceitável com as outras. Partem do princípio de que, se foram perdoadas uma vez, serão continuamente. E se valem da pré-disposição à benevolência do outro para se safarem de situações desagradáveis. É aí que eu penso que o perdão é inadequado. Afinal todo mundo merece uma segunda chance. Mas não merece uma terceira, nem uma quarta e muito menos uma quinta.
Recentemente estive às voltas com meu coração, sobre um perdão que eu questionava se deveria conceder ou não. Na verdade, a pessoa em questão já havia destruído, com seu comportamento, a maioria dos sentimentos positivos que eu tinha em relação a ela, e não me envergonha dizer que eram os mais nobres e sinceros que já fui capaz de produzir na minha insignificante existência. Eu não podia permitir que ela destruísse também a possibilidade de reproduzir esses sentimentos no futuro, com pessoas realmente merecedoras deles, nem os sentimentos positivos que eu tinha em relação à vida, aos meus próprios sonhos, a minha alegria de viver.
Quem concede o perdão, não raramente, busca a gratidão e o reconhecimento. É um erro. Muitas vezes as pessoas que nos magoam o fizeram pela incapacidade de valorizar o sentimento do outro, e não vão se sentir gratas por terem sido perdoadas. O perdão deve ser um presente para nós mesmos e não para o outro. É por isso que ele é tão valioso...
Se eu perdoei? Estou batalhando firmemente para que isso aconteça. Como? Enviando bons pensamentos à pessoa que me feriu. Desejando de todo o coração que ela seja feliz e que aprenda a valorizar mais os sentimentos dos outros, as graças da vida, o amor, a lealdade e acima de tudo, as pessoas especiais que por ventura aparecerão em sua vida. Incluindo-a em minhas orações. E pedindo, mentalmente, perdão pelas possíveis falhas do meu próprio caráter que possam ter estimulado o mau comportamento a que fui submetida.
Se isso faz bem a essa pessoa eu nunca vou saber. Mas faz bem para mim e para meu coração. No fundo, o perdão também é uma forma de cuidarmos de nós mesmos.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Mania de Ser Feliz...
Muitas pessoas, se questionadas, não saberão dizer o que é Felicidade para elas. Hoje o ideal de FELICIDADE está tão sofisticado que é quase inalcançável para a maioria de nós, mortais. E tudo o que fazemos e construímos tem um objetivo: alcançar a felicidade. Mas o que se percebe é que cada vez mais as pessoas estão sofrendo. Sofrendo com a violência, com a falta de sabedoria para conduzir suas vidas, com depressões e problemas psicológicos, com frustrações.
Se analisarmos friamente, o que é a felicidade? Um produto criado pela mídia e comprado por nós para divulgar outros milhares de produtos que parecem ser indispensáveis na nossa vida - e consequentemente, nossa felicidade. Um carro novo. Um aparelho de tecnologia ultramoderna. Um apartamento de cobertura com vista para o mar. Uma conta bancária recheada. Pessoas perfeitas, lindas e sorridentes cruzando nossos caminhos todos os dias. Sucesso. Muito sucesso. Em todos os âmbitos da existência. Viagens fascinantes. Beleza incondicional. Paralisação do envelhecimento. Coisas e mais coisas pelas quais podemos pagar. Desde quando a Felicidade se tornou um bem que podemos comercializar?
Se vivêssemos com o objetivo de viver, a felicidade cairia para segundo plano. E existiria, apesar dos pesares. Por que a felicidade é tão somente a maneira como escolhemos enxergar o mundo à nossa volta. Quando eu digo que o nosso objetivo deveria ser viver, quero dar a entender que o que importa na nossa curta passagem pelo mundo, é atravessar cada experiência obrigatória da forma mais intensa possível. Sentir nossas alegrias, nossas tristezas, nossas dores, nossas doenças. Sentir e viver cada minuto, bom, ruim, maravilhoso e desesperador. Por que é para isso que vivemos. Não é para sermos felizes. Não existe um só ser humano na face da terra que não tenha passado pelo seu quinhão de sofrimento e de euforia. E é maravilhoso observar que algumas pessoas tem tanta consciência disso, que se consideram muito felizes, mesmo que não se enquadrem em nenhum modelo pré estabelecido.
Mas se estamos tão obcecados pela tal Felicidade, como viver? Como apreciar as coisas simples e cotidianas que nos são dadas, se estamos de olho em algo sempre idealizado, sempre futuro, sempre fora do nosso alcance? Que obrigatoriedade é essa de ser bom, feliz, pleno, agradável, constante, forte?
Vejo pessoas batalhando incansavelmente para cumprir um objetivo e logo que o alcançam, partem para a próxima batalha. É insano como as coisas mais almejadas perdem o valor quando conquistadas. Por que fazemos da nossa vida uma eterna procura, por que não estabelecemos o momento de parar? Por que estamos esperando a vida COMEÇAR, se nos aproximamos da morte no momento em que nascemos?
Também estou procurando a felicidade, como vocês. Nem sei o que ela é. Às vezes estou em paz, em casa, vendo tudo ao meu redor em seu perfeito lugar. E me sinto ansiosa de repente. Como se estar parada atrasasse minha busca pela tal felicidade. Mas se eu pensar melhor, se eu fechar os olhos e enxergar dentro de mim, vejo a felicidade lá, sorrindo marota, e me dizendo: Aquiete-se, eu estou bem aqui! Eu sou esse momento de paz que você está vivendo em sua casa, sou o programa de televisão chato que você pode assistir jogada num sofá, sou o barulho do vizinho que você pode ouvir por que tem ouvidos, sou seu coração batendo nesse exato momento, vivo!
Então seguro a mão da Felicidade e vamos dançar!
Se analisarmos friamente, o que é a felicidade? Um produto criado pela mídia e comprado por nós para divulgar outros milhares de produtos que parecem ser indispensáveis na nossa vida - e consequentemente, nossa felicidade. Um carro novo. Um aparelho de tecnologia ultramoderna. Um apartamento de cobertura com vista para o mar. Uma conta bancária recheada. Pessoas perfeitas, lindas e sorridentes cruzando nossos caminhos todos os dias. Sucesso. Muito sucesso. Em todos os âmbitos da existência. Viagens fascinantes. Beleza incondicional. Paralisação do envelhecimento. Coisas e mais coisas pelas quais podemos pagar. Desde quando a Felicidade se tornou um bem que podemos comercializar?
Se vivêssemos com o objetivo de viver, a felicidade cairia para segundo plano. E existiria, apesar dos pesares. Por que a felicidade é tão somente a maneira como escolhemos enxergar o mundo à nossa volta. Quando eu digo que o nosso objetivo deveria ser viver, quero dar a entender que o que importa na nossa curta passagem pelo mundo, é atravessar cada experiência obrigatória da forma mais intensa possível. Sentir nossas alegrias, nossas tristezas, nossas dores, nossas doenças. Sentir e viver cada minuto, bom, ruim, maravilhoso e desesperador. Por que é para isso que vivemos. Não é para sermos felizes. Não existe um só ser humano na face da terra que não tenha passado pelo seu quinhão de sofrimento e de euforia. E é maravilhoso observar que algumas pessoas tem tanta consciência disso, que se consideram muito felizes, mesmo que não se enquadrem em nenhum modelo pré estabelecido.
Mas se estamos tão obcecados pela tal Felicidade, como viver? Como apreciar as coisas simples e cotidianas que nos são dadas, se estamos de olho em algo sempre idealizado, sempre futuro, sempre fora do nosso alcance? Que obrigatoriedade é essa de ser bom, feliz, pleno, agradável, constante, forte?
Vejo pessoas batalhando incansavelmente para cumprir um objetivo e logo que o alcançam, partem para a próxima batalha. É insano como as coisas mais almejadas perdem o valor quando conquistadas. Por que fazemos da nossa vida uma eterna procura, por que não estabelecemos o momento de parar? Por que estamos esperando a vida COMEÇAR, se nos aproximamos da morte no momento em que nascemos?
Também estou procurando a felicidade, como vocês. Nem sei o que ela é. Às vezes estou em paz, em casa, vendo tudo ao meu redor em seu perfeito lugar. E me sinto ansiosa de repente. Como se estar parada atrasasse minha busca pela tal felicidade. Mas se eu pensar melhor, se eu fechar os olhos e enxergar dentro de mim, vejo a felicidade lá, sorrindo marota, e me dizendo: Aquiete-se, eu estou bem aqui! Eu sou esse momento de paz que você está vivendo em sua casa, sou o programa de televisão chato que você pode assistir jogada num sofá, sou o barulho do vizinho que você pode ouvir por que tem ouvidos, sou seu coração batendo nesse exato momento, vivo!
Então seguro a mão da Felicidade e vamos dançar!
segunda-feira, 14 de março de 2011
Sobre celulite, cafonice e ser gay
Nós mulheres vivemos brigando com a nossa aparência. É só mais uma das nossas guerras. A culpa não é nossa, naturalmente. Existe, por trás da nossa fixação em manter nossas bundas livres da celulite, muito mais filosofia do que pode parecer.
A natureza nos dotou do estrógeno e da incumbência de gerar bebês. Sim, muitas de nós acham que ter bebês é a principal função de todas as mulheres e não lhes tiro a razão. É maravilhoso ser capaz, tão facilmente, de gerar um bebê, quando para a metade da população do planeta isso é impossível. É a prova maior de que existimos acima da dominação masculina ao longo da história da civilização. Mas com o estrógeno vem a celulite. E quando nossos hormônios se retiram da cena, nos abandonam com todos os inconvenientes da menopausa. Às vezes eu penso que não somos mulheres, somos produtoras de hormônios. Eles determinam quem somos. Nosso bom humor. Nosso mau humor. Nossa disposição. Somos quase movidas a hormônios.
Mas ainda assim, lutamos contra a celulite. Se ter celulite é uma qualidade exclusivamente feminina, por que lutar contra isso? Seria uma revolta contra a nossa condição feminina? Não é mais ou menos como ir ao médico e pedir: Doutor, retire-me esses seios, não gosto deles. Seriam os tratamentos contra celulite mais uma revolução feminista?
Homens que não gostam de bunda com celulite, atenção. Uma bunda sem celulite é biologicamente antinatural. Os únicos homo sapiens do planeta que não tem celulite na bunda são os homens. Logo, vocês, que têm fixação por bunda sem celulite, preparem-s e para conviver com seu lado gay. Sim, por que uma bunda sem celulite e bem durinha é uma coisa masculinizada. Mas tudo bem. Ser gay não é mais uma opção sexual. É uma filosofia de vida.
O mundo hoje em dia é gay! Eu mesma sou bem gay... Não, não sou lésbica. Sou gay mesmo. Ser gay é ser in, é estar em dia com as novas linhas de pensamento vanguardistas, é acreditar num mundo mais alegre, menos sisudo, muito glamoroso. É gostar de beleza, é lidar com a sexualidade sem fantasmas, assumindo o que você é com orgulho: freira ou puta. É explorar o lado fashion e sensível do ser humano. Isso é ser gay. Muitos homens com H que conheço, héteros de carteirinha, são gays. E muitos gays que eu conheço são tão cafonas que nem podem ser gays (no meu conceito).
Ah, também estive pensando um pouco sobre ser cafona. Novo conceito para cafonice. Cafona geralmente é algo ultrapassado, gasto, que cheira a naftalina e faz a gente ter sobressalto de desgosto. Imagina uma calcinha da sua avó... Então, isso é cafona. Agora, no meu repaginado conceito de cafonice está tratar mal as pessoas. Sabe aquela frase assim: “você sabe com quem está falando?” usada geralmente para intimidar pessoas humildes? Nossa... nada mais cafona... Parece ter saído do vilão da novela do Gilberto Braga. Aliás, novela é algo cafona, né? Vamos combinar... Do Gilberto Braga então... festival de cafajestes, piranhas, banalização da perda da virgindade, salafrário passando enfermeirazinhas boas para trás, homem velho rico tendo caso com novinha alpinista social, mulher respeitável caindo na cama do irmão safado do marido legal... Ou seja, nada que eleve a alma! Num mundo normal, tudo bem, novela entretém. Mas num país sem referência para a ética e a honestidade, fora de propósito!
Bom, agora que apresentei a vocês minhas novas idéias sobre celulite, sobre ser gay e sobre ser cafona, deixo vocês refletirem sobre a necessidade da celulite para a afirmação do ser mulher, a necessidade de ser gay para ter uma vida mais leve e a necessidade de evitar novela do Gilberto Braga para não acabar cafona!
A natureza nos dotou do estrógeno e da incumbência de gerar bebês. Sim, muitas de nós acham que ter bebês é a principal função de todas as mulheres e não lhes tiro a razão. É maravilhoso ser capaz, tão facilmente, de gerar um bebê, quando para a metade da população do planeta isso é impossível. É a prova maior de que existimos acima da dominação masculina ao longo da história da civilização. Mas com o estrógeno vem a celulite. E quando nossos hormônios se retiram da cena, nos abandonam com todos os inconvenientes da menopausa. Às vezes eu penso que não somos mulheres, somos produtoras de hormônios. Eles determinam quem somos. Nosso bom humor. Nosso mau humor. Nossa disposição. Somos quase movidas a hormônios.
Mas ainda assim, lutamos contra a celulite. Se ter celulite é uma qualidade exclusivamente feminina, por que lutar contra isso? Seria uma revolta contra a nossa condição feminina? Não é mais ou menos como ir ao médico e pedir: Doutor, retire-me esses seios, não gosto deles. Seriam os tratamentos contra celulite mais uma revolução feminista?
Homens que não gostam de bunda com celulite, atenção. Uma bunda sem celulite é biologicamente antinatural. Os únicos homo sapiens do planeta que não tem celulite na bunda são os homens. Logo, vocês, que têm fixação por bunda sem celulite, preparem-s e para conviver com seu lado gay. Sim, por que uma bunda sem celulite e bem durinha é uma coisa masculinizada. Mas tudo bem. Ser gay não é mais uma opção sexual. É uma filosofia de vida.
O mundo hoje em dia é gay! Eu mesma sou bem gay... Não, não sou lésbica. Sou gay mesmo. Ser gay é ser in, é estar em dia com as novas linhas de pensamento vanguardistas, é acreditar num mundo mais alegre, menos sisudo, muito glamoroso. É gostar de beleza, é lidar com a sexualidade sem fantasmas, assumindo o que você é com orgulho: freira ou puta. É explorar o lado fashion e sensível do ser humano. Isso é ser gay. Muitos homens com H que conheço, héteros de carteirinha, são gays. E muitos gays que eu conheço são tão cafonas que nem podem ser gays (no meu conceito).
Ah, também estive pensando um pouco sobre ser cafona. Novo conceito para cafonice. Cafona geralmente é algo ultrapassado, gasto, que cheira a naftalina e faz a gente ter sobressalto de desgosto. Imagina uma calcinha da sua avó... Então, isso é cafona. Agora, no meu repaginado conceito de cafonice está tratar mal as pessoas. Sabe aquela frase assim: “você sabe com quem está falando?” usada geralmente para intimidar pessoas humildes? Nossa... nada mais cafona... Parece ter saído do vilão da novela do Gilberto Braga. Aliás, novela é algo cafona, né? Vamos combinar... Do Gilberto Braga então... festival de cafajestes, piranhas, banalização da perda da virgindade, salafrário passando enfermeirazinhas boas para trás, homem velho rico tendo caso com novinha alpinista social, mulher respeitável caindo na cama do irmão safado do marido legal... Ou seja, nada que eleve a alma! Num mundo normal, tudo bem, novela entretém. Mas num país sem referência para a ética e a honestidade, fora de propósito!
Bom, agora que apresentei a vocês minhas novas idéias sobre celulite, sobre ser gay e sobre ser cafona, deixo vocês refletirem sobre a necessidade da celulite para a afirmação do ser mulher, a necessidade de ser gay para ter uma vida mais leve e a necessidade de evitar novela do Gilberto Braga para não acabar cafona!
quinta-feira, 3 de março de 2011
Top 5: Looks do Oscar 2011
5 - Madonna
Por que Madonna é Madonna e sendo Madonna, ELA simplesmente PODE usar qualquer coisa!!!4 - Camila Alves
Achei um luxo o vestido principesco da conterrânea Camila Alves, ainda mais com esse adereço de peso do lado...Grife Kaufman Franco.
3 - Anne Hathaway
2 - Michelle Williams
À princípio fiquei na dúvida se eu gostava ou não desse look... E quanto mais eu pensava, mais dúvida eu tinha... Agora eu já estou amando! Primeiro por que é elegantérrimo. Segundo por que esse cabelo está divino. Terceiro por que a Michelle fica parecendo um anjo todo monocromático... Sei lá... Wird, mas eu gosto!
TOP TOP - CHARLIZE THERON
A Charlize não precisa de muita coisa para ficar deslumbrante (que ódio!) Mas também sacanear com a gente não vale! Quem mais ficaria diva num vestido tão simples e geométrico? Bom acho que eu gostei por ser simples e geométrico! Tinha que ser Versace né, minha cara...
quarta-feira, 2 de março de 2011
Desculpas à Vaca
http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2011/03/coruja-chutada-por-jogador-na-colombia-morre.html
Fiquei muito chocada ao ler essa reportagem, sobre jogador que chuta uma coruja no campo de futebol, durante um jogo, em frente a milhares de espectadores, seus colegas atletas e a imprensa. O que notei no gesto do jogador nem foi maldade, mas sim, uma imensa displicência e falta de respeito por outra vida, que estava indefesa diante de seus olhos. Isso ainda é pior que a perversidade, é chegar num grau de insensibilidade capaz de um gesto mecânico tão devastador.
Isso é um reflexo cruel da falta de humanidade com a qual convivemos diariamente.
Como não tratará seus semelhantes um homem capaz de tal gesto? E esse homem, simbólico aqui, na figura desse jogador de futebol, não será cada um de nós, no nosso grande sentimento de superioridade sobre as outras espécies?
Admiro as pessoas que tem respeito pela vida, seja ela qual for. Ainda que isso não devesse nos causar espanto, e sim, ser a regra. Outro dia me pronunciei sobre minha opinião favorável ao uso de ratinhos em testes de substâncias em laboratórios, fui ovacionada por alguns e criticada por outros. Mantenho minha posição. Mas acredito que nesse caso os fins justificam os meios. Esses testes são importantes para a descoberta da cura de doenças humanas. No caso de vandalismo gratuito contra animais, sou contra e me revolta. Ainda, contrabando de animais, manutenção de animais silvestres em meios inadequados ou cativeiro, abuso de animais em circos e mau tratamento a animais domésticos, sem falar da sistemática devastação do meio ambiente para fins puramente mercantilistas. Espanta-me e enoja-me.
Gostaria de lembrar um trecho do livro A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera. Mostra como devemos nos colocar no lugar do outro para tentar compreender o mal que podemos causar com nossa tolerância ao desrespeito à vida.
"Logo no começo do Gênesis, está escrito que Deus criou o homem para que ele reinasse sobre os pássaros, os peixes e o gado. É claro, o Gênesis é obra do homem e não do cavalo. Ninguém pode ter a certeza absoluta de que Deus realmente queria que o homem reinasse sobre todas as outras criaturas. O mais provável é que o homem tenha inventado Deus para santificar o seu poder sobre a vaca e o cavalo, poder esse que ele usurpara. Sim, porque, na verdade, o direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa que a humanidade, no seu conjunto, nunca contestou, mesmo durante as guerras mais sangrentas.
É um direito que só nos parece natural porque quem está no topo da hierarquia somos nós. Bastava que entrasse mais outro parceiro no jogo, por exemplo um visitante vindo de outro planeta cujo Deus de lá tivesse dito "Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas", para que toda a evidência do Gênesis ficasse logo posta em questão. Talvez depois de um marciano o ter atrelado a uma charrua ou enquanto estivesse a assar no espeto de um habitante da Via Láctea, o homem se lembrasse das costeletas de vitela que costumava comer e apresentasse (embora tarde de mais) as suas desculpas à vaca.”
Fiquei muito chocada ao ler essa reportagem, sobre jogador que chuta uma coruja no campo de futebol, durante um jogo, em frente a milhares de espectadores, seus colegas atletas e a imprensa. O que notei no gesto do jogador nem foi maldade, mas sim, uma imensa displicência e falta de respeito por outra vida, que estava indefesa diante de seus olhos. Isso ainda é pior que a perversidade, é chegar num grau de insensibilidade capaz de um gesto mecânico tão devastador.
Isso é um reflexo cruel da falta de humanidade com a qual convivemos diariamente.
Como não tratará seus semelhantes um homem capaz de tal gesto? E esse homem, simbólico aqui, na figura desse jogador de futebol, não será cada um de nós, no nosso grande sentimento de superioridade sobre as outras espécies?
Admiro as pessoas que tem respeito pela vida, seja ela qual for. Ainda que isso não devesse nos causar espanto, e sim, ser a regra. Outro dia me pronunciei sobre minha opinião favorável ao uso de ratinhos em testes de substâncias em laboratórios, fui ovacionada por alguns e criticada por outros. Mantenho minha posição. Mas acredito que nesse caso os fins justificam os meios. Esses testes são importantes para a descoberta da cura de doenças humanas. No caso de vandalismo gratuito contra animais, sou contra e me revolta. Ainda, contrabando de animais, manutenção de animais silvestres em meios inadequados ou cativeiro, abuso de animais em circos e mau tratamento a animais domésticos, sem falar da sistemática devastação do meio ambiente para fins puramente mercantilistas. Espanta-me e enoja-me.
Gostaria de lembrar um trecho do livro A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera. Mostra como devemos nos colocar no lugar do outro para tentar compreender o mal que podemos causar com nossa tolerância ao desrespeito à vida.
"Logo no começo do Gênesis, está escrito que Deus criou o homem para que ele reinasse sobre os pássaros, os peixes e o gado. É claro, o Gênesis é obra do homem e não do cavalo. Ninguém pode ter a certeza absoluta de que Deus realmente queria que o homem reinasse sobre todas as outras criaturas. O mais provável é que o homem tenha inventado Deus para santificar o seu poder sobre a vaca e o cavalo, poder esse que ele usurpara. Sim, porque, na verdade, o direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa que a humanidade, no seu conjunto, nunca contestou, mesmo durante as guerras mais sangrentas.
É um direito que só nos parece natural porque quem está no topo da hierarquia somos nós. Bastava que entrasse mais outro parceiro no jogo, por exemplo um visitante vindo de outro planeta cujo Deus de lá tivesse dito "Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas", para que toda a evidência do Gênesis ficasse logo posta em questão. Talvez depois de um marciano o ter atrelado a uma charrua ou enquanto estivesse a assar no espeto de um habitante da Via Láctea, o homem se lembrasse das costeletas de vitela que costumava comer e apresentasse (embora tarde de mais) as suas desculpas à vaca.”
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