segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
O primeiro fio branco
Hoje encontrei meu primeiro fio de cabelo branco.
Claro que eu sabia que eles viriam, cedo ou tarde. E desejei que fosse mesmo tarde.
Na minha família eles costumam aparecer com 25, 26 anos. Às vezes até bem antes disso.
Logo não foi nenhum choque, nem surpresa.
Mas, claro, para nós mulheres os cabelos brancos tem um significado além da vaidade...
Por que nós simplesmente pifamos biologicamente com o passar dos anos. As mulheres pagam um pouco caro por toda a fertilidade e vitalidade dos anos de juventude com a paralização hormonal e genética.
Nossos ossos enfraquecem e nosso viço murcha, perceptivelmente, até se apagar como uma chama.
Por que os homens continuam férteis até o fim da vida, mesmo perdendo todos os cabelos? Por que eles são como o vinho, só aprimoram com o tempo? Por que um homem grisalho é charmoso e uma mulher grisalha é VELHA?
Claro, não pretendo ficar grisalha. Hoje em dia, e mesmo há séculos, temos o recurso da cosmética que permite que haja um disfarce para o que não tem remédio.Há relatos históricos da antiguidade, que narram como as mulheres utilizavam a henna para pigmentar seus cabelos brancos.
Em algumas culturas, a maturidade é respeitada e admirada. Mas não no meu mundo onde os rígidos padrões capitalistas de beleza regem nossa sanidade: ou nos enquadramos ou nos colocamos à margem.
Mas algumas mulheres corajosas e que estão se cagando para esse tipo de imposição social andam assumindo seus cabelos brancos sem neuras e sem L´oreal, suas rugas com orgulho sem desespero por botox, e continuam inexplicavelmente (e talvez por isso mesmo, obviamente) belas e admiradas.
Nunca parei para pensar como gostaria de envelhecer. Talvez porque quando se é jovem, a palavra envelhecer parece algo como a distância entre a Terra e a Lua, ou seja inimaginável.
Mas esse fim de semana eu estava sem maquiagem, o cabelo enrolado e preso de qualquer jeito, acredito que com olheiras por ter passado mal a noite, e por isso indesejável na minha cabeça, quando conheci um rapaz que, durante toda a nossa conversa, foi ostensivamente galanteador, ora elogiando meus lindos olhos, ora comentando como eu tinha o corpo bonito (a namorada dele é norueguesa, logo, deu para entender o que ele quis dizer quando relacionou o meu "corpo bonito" ao fato de eu ser brasileira), ora incapaz de desviar o olhar enquanto eu falava...
Então descobri como eu quero envelhecer: ligando o foda-se. Não me preocupando exageradamente com minha aparência, só o suficiente para me cuidar e me sentir bem - de dentro para fora.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Inocentes...
- Ninguém é realmente feliz!
Essa foi a conclusão óbvia a que uma amiga chegou, após uma dessas noitadas em que sentamos para beber e falar das nossas vidas... Os problemas que se avolumam, as desilusões constantes, os fracassos, nada parece estar no lugar nesses momentos, e quanto mais nos lamentamos, mais arranjamos motivos para nos lamentar.
E não satisfeitas com nossas agruras, começamos a lembrar de todas as desgraças que aconteceram com pessoas conhecidas. "A mãe de fulano tá mal". "Sicrano perdeu o emprego". "Beltrano sofreu um acidente". E por aí vai, chope por chope, uma lista de lamúrias das mais variadas, como se estivéssemos decididas a passar pela nossa mesa de bar, cada infelicidade do mundo.
E ficamos pensando como seria nossa vida, se pudéssemos escolher todo detalhe dela, cada infinitésimo segundo. Dizem que se pode escolher o tipo de vida que se tem, ou o tipo de pessoa que se quer ser, mas o que eu acho é que só podemos tentar sobreviver da melhor maneira com o que temos.
Eu cheguei a conclusão que teria mais dinheiro. Muito mais dinheiro.
"Mas e se você fosse uma pessoa doente?" questiona minha amiga como se dinheiro não trouxesse felicidade.
Eu iria fazer os tratamentos mais caros e mais sofisticados. E ainda que não pudesse resgatar minha saúde, compraria uma cobertura com vista para o mar e morreria ali, felizinha da vida.
"E se você não tivesse amigos ou família?" Continua ela, disposta a me fazer perceber que minha opção por riqueza não era a mais sensata.
Todo mundo tem família. Ninguém nasce de chocadeira. E a minha família e rede de amigos é numerosa demais para que eu tivesse a infelicidade de me considerar solitária. Além disso, com mais dinheiro, eu ia dar uma vida mais confortável para todos que me cercam de forma que todos seriam mais felizes...
E vamos noite a fora pensando: Eu iria fazer compras em Paris, eu iria abrir um hospital para tratamento do câncer, eu iria criar uma instituição de apoio a crianças carentes, eu iria montar um time de futebol (meu time tem até nome FFC - Fernanda Futebol Clube, que também são minhas iniciais: Fernanda Fiuza Calado), eu iria comprar um caminhão de sorteve, eu iria passar férias em Ibiza, eu mandaria a megera da minha cunhada para um SPA...
E então ficamos distrbuindo felicidade e graça entre as pessoas que conhecemos, ou não conhecemos, imaginariamente, como papai Noel...
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
A Resenha!
Fim de semana último assistimos já saudosos a derradeira rodada do Brasileirão, que foi dos mais emocionantes da década! Até ontem, o campeão ainda não havia pintado! Ponto a ponto, vimos arrancadas espetaculares de times que já estavam praticamente de férias, e ainda, a derrocada de times que seguraram a liderança para depois morrerem na praia...
Mas futebol é isso aí.
E quem levou a melhor foi o urubuzão do Flamengo, que num Maracanã lotado, quebrou um jejum de 17 anos!
Bom, para mim, o campeão moral é o Internacional. O time gaúcho brigou desde o início, mostrou raça, compromisso e não teve altos e baixos como a maioria dos participantes. Mostrou uma regularidade incrível. E uma torcida digna de mérito!
Ficamos então com o G-4: Flamengo, Inter, São Paulo e Cruzeiro. Falando em Cruzeiro, foi a zebra do campeonato... O time que entregou a Taça Libertadores vexamosamente no início da temporada para o argentino Estudiantes veio capengando, até deslanchar na etapa final e aproveitar cada pontinho! Oportunista como ele só, teve embates muito tranquilos e acabou conquistanto uma vaguinha para a Libertadores de 2010, desbancando o Palmeiras, o Galo, o Goiás e o Corinthians.
O Corinthias foi minha aposta furada: jurava que esse ano era dele... Que nada!
O Galo... Fez uma primeira etapa exemplar do campeonato, permaneceu entre os quatro primeiros colocados boa parte do tempo, e a torcida monstruosa lotando estádio com uma média de público fenomenal, acabou abrindo as pernas. Culpado: o técnico pode abraçar uns 60% dessa responsabilidade. Celso Roth com escalações desastrosas, acabou modificando demais o perfil do time que levou o Atlético à liderança do campeonato na primeira fase. Jogadores sem perfil atleticano não se encontraram no time e não destacaram, exemplo, Rentería e até mesmo a grande aposta Ricardinho (repararam como o Galo caiu de produção depois que ele veio?). Outros co-responsáveis: jogadores como Tiago Feltri, que eu não sei o que estão fazendo no Atlético, pelo amor de deus, e Carlos Alberto, que tem garra mas não tem técnica... Até Diego Tardelli, o quase artilheiro do campeonato, decepcionou, mostrou corpo mole, ficou ligado demais no estrelismo. O Atlético não deu sorte nem com o goleiro! Enfim, o Galo entregou um campeonato que não quis ganhar, por que todos os dedinhos foram movidos para o clube levantar a taça, menos a vontade dele próprio.
Menções honrosas para o Fluminense e o Botafogo, que escaparam do rebaixamento no sufoco, Fluminense inclusive com vitórias espetaculares!
E troféu bola murcha vai para o Coxa, o Coritiba paranaense, que depois de cair para a segunda divisão, ainda teve que assistir à quebradeira da sua torcida, que se portou sem nenhuma dignidade ao dar vazão à violência e revolta... Nota zero!
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Aquelas nossas promessas!
Este ano eu vou emagrecer 15 quilos, ou vou viajar para o exterior, vou parar de fumar, vou encontrar um grande amor...Chegou de novo a época das nossas promessas vazias, porém, nenhuma outra época é mais compatível do que o fim do ano para elas...
Nós precisamos de um rito de passagem, de repetir uma mesma prática, de mostrar a nós mesmos que estamos deixando coisas para trás...E começando uma vida nova, ainda que nada realmente mude.
Eu gosto de usar branco, não sei bem por que, sinto-me bem passando o ano assim. Dizem que branco é paz, mas em algumas culturas é também luto, de certa forma estamos enterrando um ano inteiro.
Meu ano de 2009 começou completamente diferente do que está terminando, e fico feliz em perceber quanta coisa boa aconteceu em tão pouco tempo...
Eu pisei em 2009 à beira do mar, carregando algumas feridas que teimaram em não cicatrizar, mas cheia de vontade para o que desse e viesse. E deu. E veio. Na verdade eu mal precisei fazer esforço algum. Tudo se encaixou suavemente em seu nicho, como se eu só estivesse esperando o giro propício do universo.
Talvez a vida seja mesmo simples assim...
O mundo gira e você está onde não quer estar.
E gira de novo e coloca você exatamente onde você desejava.
Tudo é uma questão de tempo, de fé, de paciência, e de perseverança.
Nenhuma situação, por mais desesperadora, é definitiva para quem acredita num mundo em movimento.
Em 2010 eu só quero que todos a quem eu amo estejam em paz e felizes.
Quero poder ver que as coisas têm mudado e melhorado continuamente.
Talvez eu espere que meu time seja campeão.
E também que China e EUA assinem o tratado da emissão de gases poluentes.
São desejos simples, mas para mim, suficientes.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Helena ou Leona?
Para mim, Taís Araújo é uma das atrizes mais interessantes da sua geração. Primeiro por que é linda e talentosa. Segundo, e talvez devesse ter sido citado primeiro, é uma mulher de personalidade, opinião e socialmente engajada.
Sempre a achei antipática nas entrevistas. Ela não sorri para agradar aos holofotes, e expressa sempre opiniões em que se lê nas entrelinhas: "Sou bela, sou jovem, sou preta e venci. Danem-se vocês!" E eu particularmente acho isso tudo o máximo! Tipo, a maioria dos globais faz pose de bonzinho e queridinho, mas lá no fundo não passa de um bando de esnobes xexelentos, como é um exemplo clássico Carolina Dieckman, que foi (libertadoramente) desmascarada pelo programa Pânico...
Agora colocaram a Taís de protagonista da novela das oito. Pô, isso é o máximo em que um Global pode chegar, tipo assim como um petista chegar à presidência da répública. Mas... olha o que fizeram com a Taís, a enfiaram no personagem (afeee, quem suporta mais uma) Helena do Manoel Carlos!
(Uma palvrinha sobre a Helena do Manoel Carlos: ela é exatamente o que os americanos chamam de very boring).
Uma Helena tem que ser certinha, enjoada até enojar, namoradinha do Brasil, sofrer até a pieguice e sobretudo ser aguada. Então a Taís está num aperto: ela é raçuda, politizada. Como vai levar até o fim da novela uma personagem que não valoriza suas qualidades mais marcantes de interpretação, só Deus sabe... Ou ela vira o jogo e mostra que não é Helena porra nenhuma, mas sim Leona, e detona a trama do Manoel Carlos, subindo na estima de todos os seus fãs, ou ela se rende à mesmice da Helena, permanece a heroína global que é a parte mais chata da novela, uma mulher negra atuando como uma mulher branca, mantém seu emprego e eu nunca mais assisto a nada com ela...
Ou seja, entre a cruz e a calderinha...
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
E vamos à Pizza!
Geyse Arruda têm a chance de deitar na cama!
Não é que a Playboy está cogitando fazer um ensaio da moça?
Bom, boa oportunidade para faturar uns cobres!
E pra não perder o velho costume brasileiro, de ver tudo acabado em Pizza...
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Minissaia na universidade? Não pode!
Acompanhei extremamente chocada o caso da aluna Geisy Arruda, 20 anos, que foi expulsa da Uniban, uma universidadezinha no estado de São Paulo, depois de causar frisson e ser hostilizada por quase mil alunos por ter ido à aula usando uma inconveniente minissaia...
Esse é um precedente lastimável para nossa geração, para as mulheres do terceiro milênio! Não se pode mais usar minissaia! No país do fio dental, das mulatas globeleza do carnaval, das Sheilas do Tchan, das gloriosas índias amazonenses, no país tropical, dos mais belos bumbuns do mundo, NÃO SE PODE MAIS USAR MINISSAIA!!!!
Isso por que uma universidade, cujo objetivo maior é prezar pelo patrimônio intelectual de milhares de jovens, prega a intolerância contra a mulher (talvez as alunas da Uniban devessem ir à aula de burqa), e aplaude quando uma moça é quase linchada dentro de suas instalações por alunos e alunas (talvez despeitadas por não terem o que mostrar sob uma minissaia).
Sabemos que atos de vandalismo são fruto da falta de educação e desvalorização da cultura, assim como da certeza da impunidade. Mas que eles aconteçam dentro de uma universidade é um caso a se pensar. Não são os jovens, sobretudo os esclarecidos, os maiores denunciadores das injustiças, das desigualdades e da intolerância? Não são eles os defensores da quebra de paradigmas gastos e da queda da falsa moral, da medíocre moral, da hipocresia? Então o que estão fazendo esses jovens dentro de uma universidade, vandalizando, hostilizando mulheres, preocupados com um pudor há muito morto e enterrado, de uma sociedade puritana e ultrapassada? Pelo amos de Deus, algumas de nossas avós usavam minissaia nos anos 60!
Mas enfim, jovens são naturalmente tolos, e naturalmente influenciáveis, e a maioria da estupidez da juventude pode chegar sem consequências na maturidade quando bem orientada. Mas quem vai orientar esses jovens, que estão indo para a universidade para abrir a mente a novos horizontes do conhecimento, se a própria instituição aplaude e apóia seus atos de estupidez e anarquia? A diretoria, a reitoria da universidade, no lugar de chamar essas pessoas à razão, expulsa uma aluna por ir à aula de minissaia, alegando que ela tenha "provocado" a situação?
Por isso meus senhores, não se espantem se começarem a apedrejar mulheres nas nossas ruas...
E para todo mundo que está inconformado com esta história, gentileza entrarem no site dessa universidade absurda e deixem seu protesto no Fale Conosco.
http://www.uniban.br/
PS - Esse não foi o único caso de violência contra mulheres no campus. Uma aluna foi espancada por deixar uma manifestação por que o filhinho estava passando mal. Pelo jeito a universidade não registra bons índices de avaliação dos órgãos especializados pelos cursos que ministra. Alías essa é uma boa chance para o MEC provar para que existe, e devesse começar pela Uniban uma tão necessária faxina pelas universidades do país.
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