
quinta-feira, 12 de março de 2009
Rosas vermelhas

O Fantástico Mundo do Orkut

Hoje em dia a moçada pode ser quem quiser, pelo menos no Fantástico Mundo do Orkut!
Estive visitando o perfil de alguns ex-colegas do colégio. Principalmente as figuras que ninguém se lembra, que não eram populares, que ficavam quietinhas na sombra da timidez... Parecem artistas de novela e celebridades no Orkut! As meninas mais bonitas, aquelas que a gente invejava, ou engordaram além da conta, ou não se preocuparam em editar as próprias fotos... Algumas ótimas surpresas: aqueles péssimos alunos que por vezes eram humilhados por notas medíocres agora estão ingressando em mestrados e pós graduações – na Europa! Alguns parecem ter uma vida mais emocionante que a da Paris Hilton: Férias no Caribe, pesca submarina... Outros colocam fotos de seus tesouros: carros, animais de estimação, filhos, maridos e esposas...
Às vezes penso que vou pirar de tanto rir ao ver as fotos e recados do pessoal do Orkut! É tanta fantasia que me pergunto se as pessoas realmente acreditam nesse mundo virtual que criam, e se isso lhes trás algum consolo...
O Orkut também é algo que vicia, e deve ser usado com moderação. Eu falo por que tenho Orkut desde a sua criação, desde o tempo em que meu perfil tinha 6 amigos e todo mundo podia ler os recados e ver as fotos de todo mundo... Desde então já tive várias “manias” de Orkut... Participar de acalorados fóruns nas comunidades foi uma delas... Havia um fórum sobre a Revista Veja onde fiz terríveis inimizades... o pessoal levava as divergências políticas ao extremos...
Houve a época em que eu não conseguia conhecer ninguém sem adicionar no Orkut... Bastava ver só uma vez que adicionava... E aceitava pessoas que nunca havia visto... Já fissurei em colocar fotos... Não tinha uma festa, um evento que eu não ficava louca para fotografar e postar no Orkut... E também já briguei com namorado por causa disso... Não podia um “aparente” gatinho me mandar recado que o namorado estressava... Não podia ver alguma piriguete ciscando no scrapbook do meu namorado que já espumava de ódio... Já descobri a senha dele e deletei gente que não queria que ele interagisse... Já fui deletada do orkut de desafetos... Já descobri um fórum sobre pessoas que abandonaram o Orkut por alguma razão qualquer... Já morri de raiva quando a moda não era mandar scrap e sim depoimentos (que a gente não consegue ler se a pessoa não deixar).
Enfim, no Orkut todo mundo se ama, todo mundo é seu melhor amigo, todo mundo te deseja Feliz Aniversário, bom fim de semana, Feliz Natal... No Orkut tudo o que parece ser na verdade não é... É a legítima realidade virtual!
Existem até mesmo empresas que visitam o perfil de um candidato a emprego... O que eles esperam descobrir com o Orkut? Onde a pessoa passou as últimas férias? Que está à procura de um amor? Ou como ela fica de biquíni?
Já tive amor e ódio pelo Orkut. Hoje eu curto com moderação... Deixei no meu quadro de amigos pessoas com quem interajo realmente e não pessoas que nunca vi na vida... Acho que é uma forma de estar conectada a pessoas distantes que eu gosto, mas que a correria do dia a dia não nos deixa encontrar sempre... Até coloco fotos editadas às vezes, como uma brincadeira que fiz num Álbum chamado Like Madonna, em que fiz uma foto inspirada nas músicas que eu gosto dela...
Se sou cem por cento autênica no Orkut? Claro que não! Você é?
terça-feira, 10 de março de 2009
Pra namorar, pra ficar

Meu cunhado é muito calado. Ele não fala muito da sua vida, exceto comigo, que devo representar para ele uma irmã mais velha, ou sei lá, ele se sente à vontade, e exceto quando ele está bêbado, é quando fica hilariantemente falador.
Perguntei por sua namorada anterior, uma loirinha que andou freqüentando o sofá da casa dele. Até brincamos que íamos dividir o sofá, ela e eu. Ele disse que ela nunca foi namorada, e ainda atalhou, o que me deixou meio chocada:
- Ela não é pra namorar, entende?
Não, não entendo!
Século XXI, terceiro milênio, e os homens (neste caso, o menino), mesmo nascidos de uma geração pós feminismo, sexo livre, emancipação feminina e blá blá blá, ainda classificam as mulheres (nesse caso, as meninas) por: essa é para ficar, essa é para namorar?
Com que então os homens e meninos ainda acham graça na mocinha que o pai não deixa viajar e tem hora para chegar em casa?
Paralelos de duas adolescentes:
Morena, pele rosada, comportada, o pai não deixa viajar, cara de inocente (bobinha mesmo), eleita para namorada.
Loira, pele bronzeada, passou o carnaval em Diamantina com os amigos, buscava meu cunhado em seu carro novo, que ganhou ao passar no Vestibular, estudante de Direito, só serviu para ficar.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Mais um Blog
Mas Saramago já disse melhor que eu, com as exatas palavras que busquei, em seu blog:
http://caderno.josesaramago.org/
A TODAS NÓS, QUE O DIA DAS MULHERES SEJA DE REFLEXÃO E NÃO UM DIA PARA SE GANHAR UMA ROSA!
domingo, 8 de março de 2009
Contradições
Como a gente vive num mundo absurdo, fico muito intrigada com os casos de excomunhão da semana passada!
Dois médicos e a mãe de uma menina pernambucana estuprada pelo padrastro, pelo aborto dos gêmeos que a menina esperava, com 9 anos, sendo franzina e desnutrida e a gravidez de risco. Leia aqui tudo a respeito.
Dei um Google na palavra excomunhão, que já me aterrorizou nos idos anos da infância, quando fazia Catecismo e achava que ia sufocar até morrer se fizesse algo errado na primeira comunhão, como mastigar a hóstia ou algo assim...
Excomunhão é a punição máxima para o integrante oficial da Igreja, que implica excluí-lo de receber os Sacramentos, e o nível máximo prevê até mesmo não receber os Sacramentos fúnebres, sendo o ex fiel considerado amaldiçoado.
O aborto é um dos casos descritos no Código de Direito Canônico de 1983, em que são listadas as faltas gravíssimas passíveis de punição com a excomunhão.
Com todo o meu respeito pela fé Católica, e com minha paixão por igrejas levada ao ponto de colecionar fotos de igrejas por onde passo, e não sossegar enquanto não entro dentro delas para conhecer os altares e as obras de arte, penso que assassinos, estupradores, terroristas, corruptos, que roubam vidas tão preciosas quanto o par de gêmeos infelizes que não veio ao mundo, esses não são passíveis de excomunhão. Esses podem comungar, sentar-se ao lado dos inocentes que agridem numa igreja e prestar sua devoção, podem casar-se e serem enterrados em solo sagrado.
Toda a sabedoria divina têm que estar muito misericordiosa e muito paciente para tolerar toda a burrice humana, mesmo daqueles escolhidos por representantes Dele. E também pela necessidade que certo membro da Igreja teve de colher seus quinze minutos de fama, à custa de homens que empregam sua profissão em salvar vidas.
Lamentável, mas perdoável. Jesus nos ensinou, entre outras coisas, a não julgar nossos semelhantes.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Romântica incurável

Confesso que já perdi muito investimento por causa dessa minha incorrigível mania de persistir na velha história do vale a pena amar... Noites de sono, sonhos perdidos, esperanças não alcançadas, lágrimas derramadas e acima de tudo decepções...
Por isso tanta gente tem medo de relacionamentos e de se comprometer... Por isso tanta gente está sozinha, lamentando que não há por aí gente legal e descolada a fim de se relacionar... (li o post sobre isso no blog de uma amiga e fiquei muito comovida).
Mas será culpa nossa ter medo?
É uma atitude tão temerária gostar de alguém, ficar na dúvida se esse alguém vai gostar da gente também, se vai se importar, se vai nos tratar bem, se vai corresponder à altura aos nossos esforços, se vai nos decepcionar até enfim partir nosso coração... Que corajoso se expõe assim a tantos riscos? Gato escaldado tem medo de água fria, não é o ditado?
Eu reconheço que confio desconfiando e gosto na eminência permanente de me despojar desse sentimento, caso seja necessário. Parece que estou sempre em estado de alerta. É como andar num bote em mar revolto, trajando o salva vidas, já preparada para o desastre. Sempre que eu digo “agora vai”, acaba não indo. E tenho que conviver com a sensação de fracasso e com a raiva de mim mesma, por ter mais uma vez entrado no jogo do amor.
Agora estou aqui, imaginando se é possível jogar o mesmo jogo, com o mesmo peão e ainda assim vencer a partida...
terça-feira, 3 de março de 2009
Ai que saudade da Amélia!
Foi-se o tempo em que ser uma excelente cozinheira era coisa de Amélia... Hoje em dia é muito chique saber receber os amigos com um prato especial, “receita de família”...Tive uma avó que era uma cozinheira de mão cheia, como se dizia... Ela era de um tempo em que não se achava qualquer ingrediente essencial no supermercado da esquina. Às vezes tinha-se que andar quilômetros para conseguir boa carne. E os temperinhos eram plantados no quintal de casa mesmo: pimentas, cheiro verde, salsinha, cebolinha, coentro, erva doce... Tudo muito natural, muito especial, e com muita criatividade. Não havia quem não adorasse a culinária improvisada e saborosa da Dona Gríola! Podia-se chegar a qualquer hora na casa dela que comia-se bolinho de chuva, biscoitinhos polvilhados com canela e açúcar mascavo, acompanhados com um perfumado café coado em filtro de pano. E domingo era uma festa! As massas, o frango ensopado, o tradicional tutu de feijão com calabresa e cebola... dá água na boca só de lembrar aquelas comidas simples, cozidas em panelas antigas, que tinham um tempero que jamais provei igual, desde que minha avó parou de cozinhar para sempre... “ah, deixa disso, menina, é só feijão...” dizia ela toda modesta, quando não conseguíamos conter os elogios. E ela também fazia o milagre da multiplicação, por que na casa da minha avó, comiam quantos chegassem, e sempre aquela fartura que a gente nunca sabia de onde vinha...
E o Empadão de frango? Você acha que conhece Empadão de Frango por que jamais teve a felicidade de provar o da minha avó (que ela chamava de Pastelão). Felizmente essa iguaria não se perdeu, por que um tio aprendeu a fazer, e espero que ele ensine a sua filha, para que as futuras gerações conheçam esse especial prato dos Fiuza. O dele é parecido, mas ainda não é aquele, acho que o ingrediente que falta é o que minha avó colocava de afeição, carinho e devoção, que ninguém sabe imitar, ao amassar com as mãos a massa do Empadão.
Não herdei absolutamente os dotes culinários da minha avó... Lendo Como água para Chocolate, esse livro delicioso da Laura Esquivel, e lembrando da minha avó, tive grande pena de não saber cozinhar. Aliás, cozinhar eu cozinho (muito mal), mas não sei encantar... Por que culinária é encantar os sentidos.
Acho engraçado esses grandes chefs de cozinha ensinando pratos sofisticados em programas de tevê... Uma parafernália imensa, ingredientes que nunca ouvimos falar, medidores, uma alquimia maluca, para uma porção ínfima de comida que mal enche o buraco do estômago e não têm gosto de nada...
Queria vê-los usando uma panela de ferro velha e uma colher de pau, e transformando farinha e água em algo delicioso, para dez crianças esfomeadas num lanche da tarde...