quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Quando você conhecer alguém...
Quando você conhecer alguém que a faça desejar mudar de estado civil, pelo seu próprio bem, abandone sua vida, aquela antiga, com aqueles caras que não a mereceram e a fizeram sofrer, que a ensinaram bastante sobre quem você não queria ao seu lado e que roubaram algumas noites em que você passou na cama, sozinha, chorando.
Abandone também aquele grande amor do passado, aquele primeiro, o que lhe tirou o fôlego e que acreditou que seria para sempre, mas por algum erro de percurso, você perdeu. Sim, enterre também as boas lembranças, os bons momentos que a fazem suspirar quando você, por um descuido ou outro, acaba viajando em sonhos para um tempo em que foi muito feliz com alguém.
Não mencione nomes, lugares, episódios.
Quando você conhecer alguém que a faça desejar começar tudo de novo, de um jeito novo, para uma vida nova, mesmo que nada seja certo nem duradouro sobre a face da terra, entenda que suas experiências são suas, para seu crescimento, seu aprendizado, sua história, e que o outro não merece compartilhá-las (por que quer lhe dar novas histórias), nem precisa (por que tem seu próprio passado).
Ao contrário, no lugar de perder tempo detalhando cada ex, cada aventura, cada romance, bem ou mal fadado, aproveite para construir coisas novas sob escombros escuros. Aproveite para se reinventar. Permita-se cometer erros (os mesmos que você já cometeu). Permita-se repetir clichês. Permita-se o frescor de uma nova relação.
Não contamine sua nova existência com um passado mesquinho. Pois o passado é mesquinho sempre. Está engessado no que você fez e viveu. Nada pode se comparar à enormidade de um presente em construção e a um futuro vindouro.
Nenhum amor pode florescer regado de coisas usadas. Liberte-se.
A vida é breve demais para que a gente insista em assistir sempre o mesmo filme. Ler o mesmo livro. Ficar preso à coisas que acabaram.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Menino ou Menina?
Eu nunca pensei seriamente em ter filhos. É verdade que esse
tipo de sonho, como a maioria das minhas aspirações, eu deixei bem ao acaso,
embalado na velha e vaga frase: Se acontecer...
Quando optamos pelo se
estamos contando com a possibilidade de nunca acontecer. É mais prático. O que
não vai acontecer não toma nosso tempo nem nos aflige com as várias
possibilidades. Porém, às vezes algo com que não contávamos simplesmente
acontece e aí nos vemos obrigados a construir todos os planos que deixamos de
fazer por qualquer motivo, até por medo.
E foi assim que o teste de gravidez deu positivo. Mal
comunicada a gravidez e mal recuperado o susto, me vi diante de tantas
questões! É como se a simples tarja cor de rosa no teste de farmácia pudesse
abrir nossa mente e colocar lá dentro todas as respostas: Você está feliz?
Vocês vão se casar? Você prefere menino ou menina?
Essa é uma das grandes questões: Menino ou menina?
Cresci cercada de mulheres e esse é um universo que eu
conheço bem. Bem mesmo. Toda mulher sabe que existe um mundo paralelo onde
somente nós entendemos uma série de sentimentos. Aliás, sentimentos é a palavra
que melhor define o mundo feminino. Não sei se são os ciclos hormonais, a
influência da lua ou apenas uma característica típica do gênero, desenvolvida
pelos milênios para preservar nossa espécie, fato é que toda mulher sente muito
mais que qualquer homem qualquer coisa. Dor. Amor. Solidariedade. Ódio. Inveja.
Compaixão. Isso faz parte de nós.
Então, quando penso em criar uma filha não vejo nenhum
desafio. Só penso no prazer de ter uma igual, alguém que vou entender a cada
dia como parte e extensão de mim mesma, e antes de mim, de minha mãe, avó, e
toda uma geração de mulheres que acumularam valores, força e essa dor própria
do sexo. Também penso em delicadeza e laços cor de rosa como estereótipo comum
de quem adora coisas de mulherzinha, mesmo sabendo que as crianças, às vezes,
gostam de nos contrariar, e preferem skates e guitarras elétricas a sapatilhas
cor de rosa e pianos de cauda.
Mas criar um filho seria para mim um verdadeiro confronto
comigo mesma, com meus valores, meus medos, minhas decepções. Isso por que
entendo que apesar de todo o feminismo tarjado de igualdade, o mundo é dos
homens.
Não se choquem, caras amigas, será que apesar de tudo o que
vivem diariamente, ainda não entenderam isso? Sim, o mundo é dos homens, sempre
foi, não sei se assim permanecerá, mas nadar contra a maré até hoje não nos
trouxe nenhum alívio. E a culpa dessa propriedade é de ninguém menos que nossa,
pois que os colocamos no mundo e não os ensinamos a dividi-lo conosco.
Todos os dias nascem milhares de meninos e o que eles
aprendem de suas mães? É essa a grande questão que eu teria que descobrir.
Ciente de que a única coisa que não
gostaria de passar para meu filho é a ideia de continuidade. Terei eu o direito
de ensiná-lo que o mundo precisa mudar, e que a minha parca contribuição para
tanto é acreditar que o mundo pode ser diferente? Terei eu o direito de incutir
em sua mente a necessidade de esperança, de comunhão, de amizade, de amor e de
paz? Posso moldar uma pequena mente para crescer pensando um pouco diferente da
maioria e transgredir a estupidez comum da humanidade, ensinar o respeito por tudo e a todos, as diferenças de cor, credo, sexualidade, a inutilidade do preconceito e da violência, o ser forte sem ser rude, o ser superior sem inferiorizar, o ser homem sem ser macho?
Ainda não sei. Pois
os planos que deveria ter feito ainda bem jovem, aqueles onde nascem as mães,
deixei ao acaso. É preciso correr contra o tempo. Nove meses para resgatar uma
vida de negligência.
Ainda outro dia, quando discutia o sexo dos anjos com o pai
do meu filho, ele acabou me esbofeteando
taxativamente: há coisas sobre os homens que as mulheres nunca irão saber,
simplesmente por serem mulheres e vice e versa. É verdade.
Mas ele não deixou de me tranquilizar, entre um carinho e
outro, com a experiência de quem já é pai: sempre
nasce uma mãe quando nasce um bebê.
Estou grávida de mim mesma.
***
***
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Por que é preciso Brigar
Frequentemente ouço alguém dizer, até com
certo orgulho, que é muito feliz em seu relacionamento e que nunca briga com
seu parceiro. Quando ouço essas coisas não consigo deixar de ficar alerta. Está
claro para mim, num casal que nunca briga, que alguma das partes, ou ambas,
estão se anulando permanentemente para manter o relacionamento sem conflitos, o
que pode parecer saudável, mas pode também esconder uma catastrófica bomba
relógio.
Quando uma nova relação se
inicia, o primeiro momento é de fascínio. Tudo o que a pessoa faz é lindo. Mas
basta arrefecer o primeiro sopro da paixão para a gente começar a se chocar
com opiniões e comportamentos que não notávamos. Ou então, basta a intimidade
crescer para o defeito (que antes não nos incomodava) aparecer.
Porém, como todos sabemos,
ninguém é perfeito. Humanos que somos, defeito é o que não falta a ninguém, e
não são os defeitos que fazem a gente morrer de amores pelo outro, são as
qualidades. Amar é admirar mais as qualidades que odiar os defeitos.
Nessa descoberta do outro,
frequentemente, são necessários ajustes. Ninguém, salvo raríssimos casos
novelescos, nasce se encaixando perfeitamente em outra pessoa, é preciso aparar
as arestas para o clique ser definitivo. Afinal todo relacionamento precisa de
regras e limites. Existem as coisas que
vamos aceitar felizes, coisas que vamos tolerar com dificuldade e aquelas
com as quais não conseguimos conviver de forma alguma, não sem agredir a nós
mesmos. Tudo isso precisa ser esclarecido para se construir um relacionamento
saudável e satisfatório, porque de amor somente ninguém vive. É preciso também
boa dose de tolerância, respeito, generosidade e interesses futuros em
comum. Se pelo menos uma das partes não
tiver o temperamento extremamente dócil e tolerante, essa adaptação ao outro
vai passar por uma boa dose de conflitos.
Admiro os casais que conhecem a
arte da negociação pacífica. Porém, nem sempre é possível negociar. Às vezes a
saída só surge com aquela briga de arrepiar os ossos. E isso todo mundo teme. A
gente sempre acha que o relacionamento não vai sobreviver a um grande choque.
E se não
sobreviver, melhor. Um relacionamento em que ao outro não é permitido nunca
perder o controle e em que não exista nada que se possa perdoar, não era para
dar certo mesmo. Acaba junto com a briga e tarde. Os relacionamentos genuínos
são os que sobrevivem a tempestades.
É claro que não quero dizer com
isso que é legal brigar o tempo todo e por qualquer coisa. Brigar não é a primeira nem mais fácil saída. E são poucas – muito poucas – pessoas no mundo que
conseguem brigar com dignidade, ou seja, sem ofender, humilhar ou agredir o
outro. Mas uma boa chamada de atenção, uma discussão mais acalorada ou um DR
firme não mata ninguém. E o casal pode sair disso fortalecido. Claro, quando há
respeito e amor.
Brigas frequentes ou conversas
que sempre culminam em discussões são sinais evidentes de que há algo muito
errado. Mas não brigar nunca é um sinal de que alguém está sendo negligenciado,
ignorado e até mesmo oprimido na relação. Não brigar nunca significa ceder
sempre, e ceder sempre não é bom para ninguém. Quem cede sempre em suas
necessidades nunca as tem atendidas, e com o tempo, a mágoa e o rancor podem
sobrepujar o amor.
O importante num casal é saber
quando ceder e quando lutar. Casais inteligentes sabem escolher muito bem suas
batalhas, saem fortalecidos e se sentem mais apreciados e respeitados. Sabem
que é preciso estabelecer um sistema de troca, pois amar é dar e receber. Sabem
negociar com carinho. Sabem reconhecer o que é importante para o outro sem
jamais minimizar seus sentimentos. Sabem o que é manha e o que é papo sério.
Sabem se perdoar e reconhecer quando passaram dos limites. Sabem pedir no lugar
de exigir e sabem que um não hoje pode significar um sim amanhã.
E sabem quando uma bela briga
pode apimentar o amor.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Não é só por vinte centavos...
Pessoalmente eu não acho que importa muito o motivo pelo qual cidadãos vão às ruas manifestar sua insatisfação. Não importa se é por 20 centavos, se é pelo casamento gay, se é pela miss Brasil. O que importa para mim, e o que deveria valer aos olhos dos brasileiros é que o direito de nos manifestar contra qualquer coisa deveria ser protegido pelo governo que elegemos e apoiado pela opinião pública.
Foto de um manifestante em São Paulo, 17/06/2003
É fato que nem todas as manifestações são inteligentes e consistentes. Em alguns casos, cujos exemplos nem vou citar para não causar polêmica, as manifestações causam apenas estorvo, prejudicam o trânsito e às vezes, com consequências mais sérias, geram muita violência. Mas o que deveria chocar em primeiro lugar é a brutalidade com que geralmente as manifestações no Brasil são abafadas. O que devia ser inaceitável para nós é sermos atacados com tamanha movimentação militar (que raramente é despendida contra bandidos). Isso deveria causar horror, repúdio, intolerância e acima de tudo, atitudes de todos nós. O que o brasileiro tem que entender é que ele tem direitos previstos pela Constituição e a compreensão disso é que vai nos livrar de cair nas mãos de uma nova ditadura.
Agora voltando aos vinte centavos, não sei quem concluiu que é uma quantia irrisória e insignificante. Provavelmente alguém que não sabe fazer conta. Ou que não utiliza o transporte público urbano. Alguém que não conhece a população de São Paulo e que não sabe calcular o preço da passagem vezes dias da semana, do mês e do ano. Alguém cuja lacuna deixada pela ignorância está provavelmente sendo preenchida por meios de comunicação tendenciosos.
A diversidade de opiniões sobre as manifestações contra o aumento das passagens de ônibus em São Paulo pode até surpreender, mesmo por que há milhões de outras causas que mereciam o mesmo tratamento. Mas vencer a apatia da nossa população já é um passo monumental. Penso que se esse acordar for apenas um início, ainda surgirão muitas outras manifestações por causas diversas, algumas nobres, outras nem tanto... Algumas irão incomodar, outras serão hilárias, porém, todo embrião bem nutrido cresce, evolui e quem sabe, num futuro, estaremos às portas da verdadeira cidadania, aquela que considera direitos irrevogáveis e deveres supremos.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Nem Jorge pra Salvar a Novela das Oito
Novela é uma coisa que eu raramente tenho saco de assistir. Não consigo nem mesmo naqueles momentos de extremo ócio caseiro, quando já cansei de algum livro ou alguma atividade. Prefiro qualquer outro programa televisivo. Mas nem sempre consigo escapar das novelas, se quiser compartilhar um momentinho familiar, já que a tal da novela é preferência absoluta das noitinhas lá em casa (para meu desespero).
Às vezes alguma novela conquista meu coração. Por isso mesmo estou chocada com Glória Perez. Depois de um currículo até razoável, onde se inclui pérolas da televisão brasileira como Desejo, Ilda Furacão, e até a divertida Diarista, vem cuspir essa chatice de Salve Jorge na cara da gente, uma novela sem eira nem beira, mal escrita, mal interpretada, ou seja, um fiasco total em todos os sentidos!
A verdade é que Glória Perez não acerta mais a mão. Não sei de onde ele tirou personagens tão sem consistência, como a mocinha atormentada Morena, cuja atriz, inexperiente para o papel, não tem muito traquejo cênico. Além disso, o casal principal não tem a menor química. Aliás, não existe o casal central, aquele parzinho romântico que fazia a gente suspirar... Ele foi subistituído por uma grotesca suruba Global em que o herói valoroso é capaz de disferir uma frase como: "eu transei com ela (a arquiinimiga de sua amada) por vingança!"
O mocinho cantado em verso e prosa por Roberto Carlos em seu recente sucesso "Esse cara sou eu", que fez a mulherada molhar as calcinhas e sonhar com o príncipe encantado não serve nem pra cafajeste. Pra ser cafajeste ele teria que melhorar muito e muito.
Falando "nesse cara", quem não suporta mais essa música enjoada levanta a mão! o/
O tema do tráfico de pessoas podia ser interessante, mas obviamente Glória Perez não sabe nada a respeito. Uma série de vilões meio idiotas, meio obssessivos, meio atrapalhados mantém uma turma de mocinhas que mais parecem gatas borralheiras que mulheres obrigadas a se prostituírem presas num cenário de dar dó (talvez o orçamento tenha se esgotado com as locações na Turquia).
Não podemos negar que Giovana Antonelli é carismática e divertida. E que a Claudia Raia está musa, num figurino irretocável (dizem que sua personagem foi inspirada na personagem da poderosíssima Madeleine Stowe, de Revenge). Mas o que mais me assusta é a falta de senso crítico do público brasileiro. Ora vamos, somos um país noveleiro... Como é que a gente aceita uma novelinha
meia boca como essa?
É um desfilar de cenas com graves erros de continuidade e contra-regra, e mesmo de elaboração (entrar no elevador para conseguir um sinal melhor para o celular... oi?). E a agulhada fatal? Gostaria de saber como se mata com uma agulha...
Hoje fomos presenteados com a filha da Gretchen dançando Conga la Conga! Gente, Conga la Conga!
Bom, paro por aqui. Não quero ofender os brios dos noveleiros de plantão... Falando nisso, viva a TV por assinatura... Esse luxinho que me salva da Globo no horário nobre. Plim plim!
Às vezes alguma novela conquista meu coração. Por isso mesmo estou chocada com Glória Perez. Depois de um currículo até razoável, onde se inclui pérolas da televisão brasileira como Desejo, Ilda Furacão, e até a divertida Diarista, vem cuspir essa chatice de Salve Jorge na cara da gente, uma novela sem eira nem beira, mal escrita, mal interpretada, ou seja, um fiasco total em todos os sentidos!
A verdade é que Glória Perez não acerta mais a mão. Não sei de onde ele tirou personagens tão sem consistência, como a mocinha atormentada Morena, cuja atriz, inexperiente para o papel, não tem muito traquejo cênico. Além disso, o casal principal não tem a menor química. Aliás, não existe o casal central, aquele parzinho romântico que fazia a gente suspirar... Ele foi subistituído por uma grotesca suruba Global em que o herói valoroso é capaz de disferir uma frase como: "eu transei com ela (a arquiinimiga de sua amada) por vingança!"
O mocinho cantado em verso e prosa por Roberto Carlos em seu recente sucesso "Esse cara sou eu", que fez a mulherada molhar as calcinhas e sonhar com o príncipe encantado não serve nem pra cafajeste. Pra ser cafajeste ele teria que melhorar muito e muito.
Falando "nesse cara", quem não suporta mais essa música enjoada levanta a mão! o/
O tema do tráfico de pessoas podia ser interessante, mas obviamente Glória Perez não sabe nada a respeito. Uma série de vilões meio idiotas, meio obssessivos, meio atrapalhados mantém uma turma de mocinhas que mais parecem gatas borralheiras que mulheres obrigadas a se prostituírem presas num cenário de dar dó (talvez o orçamento tenha se esgotado com as locações na Turquia).
Não podemos negar que Giovana Antonelli é carismática e divertida. E que a Claudia Raia está musa, num figurino irretocável (dizem que sua personagem foi inspirada na personagem da poderosíssima Madeleine Stowe, de Revenge). Mas o que mais me assusta é a falta de senso crítico do público brasileiro. Ora vamos, somos um país noveleiro... Como é que a gente aceita uma novelinha
meia boca como essa?
É um desfilar de cenas com graves erros de continuidade e contra-regra, e mesmo de elaboração (entrar no elevador para conseguir um sinal melhor para o celular... oi?). E a agulhada fatal? Gostaria de saber como se mata com uma agulha...
Hoje fomos presenteados com a filha da Gretchen dançando Conga la Conga! Gente, Conga la Conga!
Bom, paro por aqui. Não quero ofender os brios dos noveleiros de plantão... Falando nisso, viva a TV por assinatura... Esse luxinho que me salva da Globo no horário nobre. Plim plim!
domingo, 21 de outubro de 2012
Como se comportar com alguém com necessidades especiais?
Eu me procupo com a questão da acessibilidade porque tenho uma irmã cadeirante. Para mim é comum e corriqueiro chegar em algum lugar e com um olhar já fazer aquela análise... Se tem rampa de acesso, elevador, se o vão das portas é largo o suficiente, se o piso é escorregadio, se as mesas e cadeiras estão distantes suficientemente umas das outras, se a altura das mesas permite que um cadeirante se instale sem problemas, se existem banheiros acessíveis e outra infinidade de detalhes que quem não convive com pessoas com necessidades especiais não repara.
Claro que quem não vive essa realidade não pensa muito a respeito, ou antes só pensa quando a questão é levantada por alguém. É até natural isso. Existem várias realidades que não conhecemos e que não nos habituamos a considerar. Mas isso está errado. O mundo precisa ser acessível e bom para todos, não apenas para a maioria. Mesmo porque as realidades mudam, todos nós um dia seremos idosos e quiçá precisaremos de um mundo adaptado às nossas necessidades. Todos nós temos avós, tios, parentes, amigos, vizinhos, colegas de escola, enfim, alguém do nosso convívio que precisa de uma atenção diferenciada, por qualquer motivo, seja um cardápio de restaurante em braille ou piso antiderrapante. Basta simplesmente torcer o tornozelo para que uma escada sem corrimão se torne um Everest a ser escalado.
Recentemente, nas eleições, apesar de toda a propaganda apelando para a importância dos votos, para o sistema ultra moderno das nossas urnas eletrônicas que divulgaram o resultado da votação minutos após o encerramento, o que se via nas zonas eleitorais era uma batalha para velhinhos e deficientes físicos conseguirem subir vários lances de escada para votar. Não havia zonas especiais no térreo das escolas. Como pode existir cidadania e democracia dessa forma?
Porém, para esse tipo de coisa, existem leis que obrigam os locais públicos a se adaptarem. Arquitetos e engenheiros já pensam espaços acessíveis rotineiramente. Shoppings podem ser multados e processados se uma criança escorrega num piso molhado e se machuca. Existem normas claras de tamanhos de vãos de portas, elevadores e escadas. Banheiros, bebedouros e telefones públicos devem ser acessíveis. Isso tudo não somente pensando no conforto das pessoas especiais mas também na segurança de todos.
Mas e nós? Estamos preparados para seguir as leis? Estamos preparados para nos comportar da maneira mais solidária e adequada mesmo quando não existir uma lei que nos obrigue a isso, quando estamos num local privado? Nem sempre. Às vezes até mesmo por ignorância. A falta de informação nos impede de agir adequadamente mesmo quando nossa intenção é essa.
Seguem abaixo algumas regrinhas de ouro que podem nos nortear nesse sentido:
1) Ajuda: nem sempre o deficiente físico precisa de ajuda. Geralmente quando o ambiente tem as adaptações necessárias, não é preciso. Mas quando observar que alguém encontra-se em dificuldades ou que falta algum acessório para acessibilidade, ofereça ajuda. A pessoa vai lhe dizer o que você pode fazer. Se for um deficiente visual, toque de leve o ombro da pessoa e identifique-se, pergunte se pode ajudar e como.
2) Nunca, jamais se apóie, sente, toque na cadeira de rodas sem pedir permissão. Lembre-se, esse acessório faz parte do corpo da pessoa que dele necessita. Antes de empurrar, pergunte se pode ajudar primeiro, pois as cadeiras que não são motorizadas vem com um aro para que o próprio cadeirante a movimente, e se alguém empurra bruscamente, pode machucar suas mãos.
3) Quando um cadeirante ou pessoa com locomoção especial vem em sua direção e não há passagem suficiente para ambos, é você quem deve parar e aguardar a pessoa passar. É uma preferência cortez que a sua educação e sensibilidade deve oferecer, visto que para você ficar parado esperando o outro passar é fisicamente mais confortável. Concorda?
4) Em corredores de shopping é comum as pessoas se espremerem entre a cadeira de rodas e um vão pequeno, principalmente se estiver cheio. Ou então, correrem para passar na frente da cadeira. Isso além de ser uma grosseiria, é perigoso. Alguém pode se machucar. Cuide principalmente das crianças para que elas não tentem competir pela passagem com uma cadeira de rodas. Vamos zelar pelo conforto e segurança de todos.
5) Elevadores: a preferencia óbvia é do cadeirante. Espere que ele entre, segure a porta se for necessário. Ainda que você esteja com pressa, lembre-se: você pode subir escadas.
6) Quando não houver fila destinada a pessoas especiais e idosos, mulheres grávidas e pessoas com crianças de colo, eles tem preferência na fila comum, é um direito previsto por lei. Portanto, dê passagem e lembre às outras pessoas na fila de também fazê-lo.
7) Essa ninguém deveria ter que lembrar, mas não custa: nunca estacione nas vagas destinadas à idosos e pessoas especiais. Nunca estacione nas vagas destinadas à idosos e pessoas especiais. E nunca estacione nas vagas destinadas à idosos e pessoas especiais.
8) Seja cortês não somente com pessoas especiais, mas com todo mundo. Deixar passar, abrir a porta, segurar a porta do elevador, dar um lugar para alguém mais velho sentar, ajudar a carregar as compras... A gentileza tem o condão de ser contagiosa. Uma vez uma senhora deixou cair uma sacola e suas coisas se espalharam pela rua... Ajudei-a a recolocar as compras na sacola, ela foi embora sem sequer me agradecer. No dia seguinte nos esbarramos de novo e ela sorriu. E no seguinte ela me disse "Bom dia". Aposto que hoje ela seria capaz de ajudar alguém a recolher algo que caiu na rua, se ela tiver a oportunidade.
Gentileza. Essa palavra simples que tem a incrível capacidade de tornar o mundo melhor.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Seleções Abertas: Procuram-se pessoas especiais
Procuram-se pessoas especiais. Que tenham o riso fácil, o olhar franco e que apreciem conversas muito longas. Desejável que gostem de falar de tudo um pouco, de política a futilidades. Mas que gostem de falar, sobretudo, de futilidades. Por exemplo, de como passaram um dia feliz à beira de um lago, soltando pipa num parque ou tomando sorvete com seus filhos. E que gostem de livros. Não é necessário que tenham lido todos os grandes livros. Mas que apreciem o cheiro de papel impresso e de conhecimento que eles exalam.
Diplomas são desnecessários. Desde que as pessoas sejam graduadas na vida. Que tenham alguma história para contar, de sucesso ou de fracasso. Que tenham amado pelo menos uma vez, e quando não, que tenham desejado amar. Precisa-se também de pessoas que tenham chorado ao menos uma vez, que tenham sofrido perdas, as menores já são suficientes. Pessoas que tenham sido forjadas na dor e na alegria e que sejam simplesmente humanas. Pessoas que apreciem os prazeres simples, mas pelo menos um sofisticado (champanhe serve).
Precisa-se de pessoas curiosas, que não se contentam com “nãos”, “talvezes” e respostas prontas. Pessoas que tentam mesmo quando pareça impossível, mas que tenham coragem de desistir de casos perdidos. Precisa-se, sobretudo, de pessoas corajosas. Que tenham perdido medos gastos como medo do escuro, medo de amar, medo de ficar sozinho, medo de morrer e o medo de mudar.
Precisa-se de pessoas que gostem de crianças, de cachorros e de banhos de mar. E de pessoas que gostem de abraçar e de refeições com amigos, dessas que duram horas e horas regadas a vinhos, azeite de oliva e conversas e risos. Precisa-se de pessoas com mãos generosas, ouvidos atentos e corações povoáveis.
Contratam-se, com urgência, mães que perdem a noite de sono preocupadas com os filhos, pais que gostem de acalentar e contar histórias, filhos que cuidam dos pais velhinhos. E, também, irmãos que protegem, irmãs que trocam maquiagem e brincam juntas de boneca. Procuram-se amigas que elogiam as outras e são capazes de dar bronca quando necessário. Procuram-se amigos que se oferecem para ficar sem beber para conduzir os outros para casa. Procuram-se namorados que dão flores e paqueras que ligam no dia seguinte. Procuram-se esposas que não criticam e não discutem na frente das visitas. Procuram-se pessoas lentas em julgar, rápidas em perdoar e dar o primeiro passo.
Procuram-se pessoas legais. Que não pensem que são melhores que os outros. Que estejam dispostas a superar preconceitos, mágoas, violência e que querem plantar um girassol na janela.
Procuram-se pessoas especiais para povoar o mundo. Com urgência. Com benefícios.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Saia da Geladeira!
E você, já esteve na geladeira?
Eu já, e posso te contar como é. E quando eu te contar, de duas uma, você vai saber que também já esteve lá ou vai desejar nunca estar lá.
Funciona assim: você tem uma quedinha por alguém. Ou talvez seja mais que uma quedinha. Você está realmente apaixonado por alguém. E essa pessoa... Bem, ela o incentiva a manter o seu sentimento por ela... Trata-o com o maior carinho e atenção... Mas a história de vocês nunca evolui! Sempre há algum empecilho! Ele (a) está com problemas familiares, profissionais, está sem tempo, sem dinheiro, blablablá... Essas desculpas só funcionam quando você está na jogada: para o resto do mundo ela está sempre disponível.
Mas é só a pessoa ter uma crise de carência e pronto, aparece toda meiga falando que você é o máximo, que adora sua companhia, e que você é muito especial para ela...
Posso prestar um serviço de utilidade pública? Não, a pessoa não está mentindo! Você é especial sim... Você é quem nutre o ego dela quando ela está às moscas... Mas... é só isso mesmo. Quando você tiver lambido as feridinhas dela, como um cãozinho esperando um afago, ela vai voltar à vida e você vai voltar pra geladeira, onde ela faz questão de te manter. Ah, sim, exatamente como Amy Winehouse cantou... “you back to her and I back to Black”.
Você nunca será o escolhido. Não importa o quanto se dedique, o quanto faça loucuras para conquistar essa pessoa que só te quer quando ela quer. Não precisa ficar animadinha quando ele te liga (uma vez a cada mês) para dizer que está morrendo de saudades. Pensa, minha filha: que saudade é essa que só acontece uma vez por mês? Se você não estivesse tão cega, tão apaixonada, tão esperançosa de um sinal dele, não ia engolir essa conversinha.
Ele (a) é uma pessoa má e ardilosa? Nem sempre. Todos nós agimos de acordo com nossos interesses e se temos uma pessoa disponível para nossos joguinhos, continuamos a jogar, mesmo que o outro esteja sofrendo por nossa causa. Isso é inerente à natureza humana. Claro, existem pessoas que não tem o menor respeito pelo sentimento alheio. Mas geralmente não “congelamos” alguém por sadismo. “Congelamos” alguém por valorizar demasiadamente nossas necessidades de afeto e atenção.
Então? Resta saber se queremos ficar em stand by permanente na vida de outra pessoa. Se a resposta é não, está na hora de acordar. Migalhas de atenção podem parecer grandes gestos quando valorizamos demais alguém. Mas quando nos valorizamos, quando temos consciência de que merecemos mais, não nos contentamos com atenções esporádicas.
Dicionário do Congelador:
SMS no meio da noite = não durma sem pensar em mim
Mensagem no Facebook = não vou gastar meus créditos te ligando, mas mesmo assim quero marcar presença, e melhor que seja de graça
Nossa, queria tanto te ver, mas ando tão ocupado = querida, eu tenho mais o que fazer do que me encontrar com você
Se eu não estivesse passando por tanta coisa, seríamos felizes juntos = Estou esperando alguém de quem eu realmente goste
Entendeu?
Eu já, e posso te contar como é. E quando eu te contar, de duas uma, você vai saber que também já esteve lá ou vai desejar nunca estar lá.
Funciona assim: você tem uma quedinha por alguém. Ou talvez seja mais que uma quedinha. Você está realmente apaixonado por alguém. E essa pessoa... Bem, ela o incentiva a manter o seu sentimento por ela... Trata-o com o maior carinho e atenção... Mas a história de vocês nunca evolui! Sempre há algum empecilho! Ele (a) está com problemas familiares, profissionais, está sem tempo, sem dinheiro, blablablá... Essas desculpas só funcionam quando você está na jogada: para o resto do mundo ela está sempre disponível.
Mas é só a pessoa ter uma crise de carência e pronto, aparece toda meiga falando que você é o máximo, que adora sua companhia, e que você é muito especial para ela...
Posso prestar um serviço de utilidade pública? Não, a pessoa não está mentindo! Você é especial sim... Você é quem nutre o ego dela quando ela está às moscas... Mas... é só isso mesmo. Quando você tiver lambido as feridinhas dela, como um cãozinho esperando um afago, ela vai voltar à vida e você vai voltar pra geladeira, onde ela faz questão de te manter. Ah, sim, exatamente como Amy Winehouse cantou... “you back to her and I back to Black”.
Você nunca será o escolhido. Não importa o quanto se dedique, o quanto faça loucuras para conquistar essa pessoa que só te quer quando ela quer. Não precisa ficar animadinha quando ele te liga (uma vez a cada mês) para dizer que está morrendo de saudades. Pensa, minha filha: que saudade é essa que só acontece uma vez por mês? Se você não estivesse tão cega, tão apaixonada, tão esperançosa de um sinal dele, não ia engolir essa conversinha.
Ele (a) é uma pessoa má e ardilosa? Nem sempre. Todos nós agimos de acordo com nossos interesses e se temos uma pessoa disponível para nossos joguinhos, continuamos a jogar, mesmo que o outro esteja sofrendo por nossa causa. Isso é inerente à natureza humana. Claro, existem pessoas que não tem o menor respeito pelo sentimento alheio. Mas geralmente não “congelamos” alguém por sadismo. “Congelamos” alguém por valorizar demasiadamente nossas necessidades de afeto e atenção.
Então? Resta saber se queremos ficar em stand by permanente na vida de outra pessoa. Se a resposta é não, está na hora de acordar. Migalhas de atenção podem parecer grandes gestos quando valorizamos demais alguém. Mas quando nos valorizamos, quando temos consciência de que merecemos mais, não nos contentamos com atenções esporádicas.
Dicionário do Congelador:
SMS no meio da noite = não durma sem pensar em mim
Mensagem no Facebook = não vou gastar meus créditos te ligando, mas mesmo assim quero marcar presença, e melhor que seja de graça
Nossa, queria tanto te ver, mas ando tão ocupado = querida, eu tenho mais o que fazer do que me encontrar com você
Se eu não estivesse passando por tanta coisa, seríamos felizes juntos = Estou esperando alguém de quem eu realmente goste
Entendeu?
sexta-feira, 23 de março de 2012
Resposta ao Padre
O mundo está cada vez mais pop... E os padres também! Estou acompanhando com muita curiosidade o caso do padre pop de Divinópolis, especificamente pela sua fama de conselheiro amoroso!
Sabe-se que padres adoram casamentos, e são particularmente interessados em casar pessoas - penso que das liturgias todas, essa á preferida deles... Então, é de se imaginar que, numa época em que os casamentos estão mais instantâneos e os divórcios mais frequentes, os padres estejam procupados em levantar o moral da cerimônia nupcial. Daí o sucesso do padre que dá conselhos amorosos e ainda bomba na internê.
Eu não sei muito bem o que os padres sabem sobre relacionamentos amorosos, pois é meio óbvio que não tenham muita experiência prática no assunto. Eles nada sabem sobre a ansiedade da espera de encontrar alguém quando a gente está solteira, pois eles são os únicos solteiros que não sofrem nenhuma pressão da sociedade. Eles não sabem o que é estar numa balada sendo bombardeada de informações e finalmente alguém oferecer um drinque e uma conversa, e tentar, nessa única conversa abafada pelo som da música estourando, tentar saber se aquela pessoa tem os pré-requisitos para nos apaixonar.
Não sei se um padre também já esteve num encontro às escuras, aqueles onde um casal de amigos sabe que você está encalhada e cisma que você é a alma gêmea do amigo encalhado deles. Aí vocês se encontram naquele restaurante da moda, e eles ficam fazendo as piadas certas e contando sua história de amor desde o início, para envolver você e o amigo encalhado no clima de romance e diversão e, quem sabe, formar um novo casal. E você percebe que, apesar do amigo encalhado ser gente boa, a única coisa que ele tem em comum com você é o fato de estar encalhado, e a coisa não podia ter menos química! E você volta para casa quadruplamente frustrada, por ter estragado sua noite, a do seus amigos e a do amigo encalhado deles.
Será que os padres alguma vez esperaram o telefone tocar, sabendo que ia tocar mais cedo ou mais tarde, e que a voz do outro lado ia levá-los ao paraíso mesmo antes do juízo final? Será que já se sentiram no fim de uma jornada de procura e expectativa ao segurar a mão de alguém, ao ouvir um “eu te amo” sussurrado no ouvido, para logo depois descerem ao inferno de danação e pensar que a vida acabou quando o “grande amor” chegou ao fim? Será que eles já ficaram confusos e arrasados com a descoberta do “amor que acaba” quando tudo o que lhes foi ensinado é que o amor verdadeiro é pra sempre? Será que alguém já lhes prometeu “até que a morte nos separe” para um belo dia receberem a solicitação “eu quero o divórcio”?
E então eu me pergunto: o que os padres podem nos ensinar sobre o amor que já não sofremos, testamos, vivemos e experimentamos na nossa nada santa vida? A usar as roupas certas e nos comportar da maneira certa para conquistar alguém? Sempre pensei que o jeito certo fosse ser eu mesma, pois se alguém gosta de mim do jeito que eu sou - é de verdade. A ir aos lugares certos? Já vi lindos casamentos começarem na internet, na balada, no local de trabalho, num hospital e até mesmo na guerra... Existem regras?
A única regra para “encontrar alguém” parece estar um pouco esquecida atualmente. E como já dizia Madonna, nos anos 80 (enquanto chocava alguns padres, com sua atitude): Open your heart to me, baby... I hold the lock and you hold the key....
Com direito a duplo sentido e tudo!
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Em 2012: Fé na Vida!
Crescer é uma forma desastrosa e compulsória de abrir mão de quem somos para nos tornar o que devemos ser. É um processo pelo qual todo ser humano passa, em maior ou menor grau, e olhar para trás, para a alegria e inocência da juventude, para a inconsequência e despreocupação que vivemos um dia, sempre causa a sensação de nostalgia que nos faz questionar se vale (ou valeu) a pena nos transformar tanto.
Uma das maiores perdas do amadurecimento é a forma de encarar o amor, a amizade e todas as coisas que realmente importam na vida, as coisas que nos fazem testar nossa têmpera e nosso caráter. Todas as vezes que falhamos com as pessoas foi mesmo tentando acertar? Quais impulsos egoístas podíamos ter evitado? O que dos nossos erros realmente nos tornou pessoas melhores?
Nem sempre encaramos as decepções e o sofrimento como ritos de passagem para um estágio mais evoluído, mas são eles que nos ensinam a crescer. A experiência da vida se resume a nossa maneira de lidar com as pessoas, em todos os níveis. O desenvolvimento profissional só é possível quando aprendemos essas lições. A vitória pessoal também passa por esse conhecimento. A arte do lidar, de negociar, de convencer, de sentir prazer ou dor, tudo isso é meramente como estamos enxergando o outro e como estamos convivendo. Mas infelizmente, ao aprender pelo sofrimento, além de nos tornarmos mais fortes, nos tornamos mais amargos. É preciso mesmo?
Outra grande perda é a nossa capacidade de acreditar. Eu digo, confiar é um talento para poucos, numa realidade em que tudo nos leva a perder a fé. A fé nas pessoas que se mostram tão imperfeitas, a fé no bem que sempre deveria vencer o mal, a certeza de que dias melhores virão. Nossa fé vai sofrendo danos progressivos, e de pouco em pouco é substituída por uma ironia tipicamente adulta, aquele sorriso amarelo diante das falhas dos outros, como se já contássemos com o desfecho negativo das situações. Crescer é passar a contar com o fracasso com mais certeza do que a vitória.
No filme Uma Linda Mulher, Vivian, uma mulher inteligente e encantadora vive um romance impossível com um homem rico, desacreditado dos relacionamentos. Para ambos, a única forma de sair ileso de uma aproximação com o outro é o distanciamento dos sentimentos. Ela é uma prostituta, com muitos outros talentos que poderiam ter feito dela uma vencedora. E quando Edward questiona isso, ela diz: “As pessoas nos dizem que você não é capaz, e você acredita”. “Eu digo que você é muito capaz”, ele rebate. “Você já notou? É mais fácil acreditar nas coisas ruins.”
Vivian estava certa. É mais fácil acreditar nas coisas ruins, a lógica da vida está em esperar pelo pior. E o pior é algo que vem, independente se esperamos ou não.
Por que então, devemos viver esperando por algo que já está garantido? Por que não mudamos nossa postura, e resgatamos a nossa juvenil fé na vida, no sucesso, no amor, na alegria dos sentimentos verdadeiros? Por que não arriscamos uma decepção ao contrário? Por que não passamos a contar com os sucessos e quem sabe, assim, quando eles vierem, a surpresa seja boa?
É nostálgico, eu sei, é inocente, é quase infantil desafiar você a ter fé na vida. Em você mesmo. Em suas melhores qualidades, ou seja, aquelas que lhes couberam genuinamente, não as que você desenvolveu durante anos para se tornar um adulto responsável e garantir o seu sustento.
Mas é preciso. Desculpe, é imperativo!
Que em 2012, você possa descobrir que ter fé é uma questão de treino. Treine seu olhar para as belezas, para as coisas boas que cruzarão seu caminho. A gente é capaz de ter um ano bom ou ruim. É só uma questão de perspectiva.
Uma das maiores perdas do amadurecimento é a forma de encarar o amor, a amizade e todas as coisas que realmente importam na vida, as coisas que nos fazem testar nossa têmpera e nosso caráter. Todas as vezes que falhamos com as pessoas foi mesmo tentando acertar? Quais impulsos egoístas podíamos ter evitado? O que dos nossos erros realmente nos tornou pessoas melhores?
Nem sempre encaramos as decepções e o sofrimento como ritos de passagem para um estágio mais evoluído, mas são eles que nos ensinam a crescer. A experiência da vida se resume a nossa maneira de lidar com as pessoas, em todos os níveis. O desenvolvimento profissional só é possível quando aprendemos essas lições. A vitória pessoal também passa por esse conhecimento. A arte do lidar, de negociar, de convencer, de sentir prazer ou dor, tudo isso é meramente como estamos enxergando o outro e como estamos convivendo. Mas infelizmente, ao aprender pelo sofrimento, além de nos tornarmos mais fortes, nos tornamos mais amargos. É preciso mesmo?
Outra grande perda é a nossa capacidade de acreditar. Eu digo, confiar é um talento para poucos, numa realidade em que tudo nos leva a perder a fé. A fé nas pessoas que se mostram tão imperfeitas, a fé no bem que sempre deveria vencer o mal, a certeza de que dias melhores virão. Nossa fé vai sofrendo danos progressivos, e de pouco em pouco é substituída por uma ironia tipicamente adulta, aquele sorriso amarelo diante das falhas dos outros, como se já contássemos com o desfecho negativo das situações. Crescer é passar a contar com o fracasso com mais certeza do que a vitória.
No filme Uma Linda Mulher, Vivian, uma mulher inteligente e encantadora vive um romance impossível com um homem rico, desacreditado dos relacionamentos. Para ambos, a única forma de sair ileso de uma aproximação com o outro é o distanciamento dos sentimentos. Ela é uma prostituta, com muitos outros talentos que poderiam ter feito dela uma vencedora. E quando Edward questiona isso, ela diz: “As pessoas nos dizem que você não é capaz, e você acredita”. “Eu digo que você é muito capaz”, ele rebate. “Você já notou? É mais fácil acreditar nas coisas ruins.”
Vivian estava certa. É mais fácil acreditar nas coisas ruins, a lógica da vida está em esperar pelo pior. E o pior é algo que vem, independente se esperamos ou não.
Por que então, devemos viver esperando por algo que já está garantido? Por que não mudamos nossa postura, e resgatamos a nossa juvenil fé na vida, no sucesso, no amor, na alegria dos sentimentos verdadeiros? Por que não arriscamos uma decepção ao contrário? Por que não passamos a contar com os sucessos e quem sabe, assim, quando eles vierem, a surpresa seja boa?
É nostálgico, eu sei, é inocente, é quase infantil desafiar você a ter fé na vida. Em você mesmo. Em suas melhores qualidades, ou seja, aquelas que lhes couberam genuinamente, não as que você desenvolveu durante anos para se tornar um adulto responsável e garantir o seu sustento.
Mas é preciso. Desculpe, é imperativo!
Que em 2012, você possa descobrir que ter fé é uma questão de treino. Treine seu olhar para as belezas, para as coisas boas que cruzarão seu caminho. A gente é capaz de ter um ano bom ou ruim. É só uma questão de perspectiva.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Amadurecer para Amar
Vivemos ainda sob os ecos do Romantismo, um movimento detonado aproximadamente no fim do séc. XVIII, e que foi o alicerce da sociedade moderna e da mentalidade que prega a valorização do eu. Para mim, esse movimento vive na atualidade o seu apogeu, pois nunca, em nenhuma época, a humanidade se voltou tanto para o individualismo, nunca o homem valorizou tanto suas próprias conquistas e suas necessidades.
Eu é a palavra de ordem da sociedade contemporânea e tudo está baseado nela. O que eu quero, o que eu tenho, o que eu posso. Auto-conhecimento, Identidade, Satisfação Pessoal são somente algumas das expressões super divulgadas pela mídia para nos atrair, pois tudo o que tem a ver com o prazer pessoal chama a atenção e é vendável.
E o outro? O outro é somente uma peça na engrenagem da auto-satisfação, e só tem utilidade enquanto nos identificamos com ele. É por isso que os relacionamentos estão ficando progressivamente insuportáveis. Tolerância e aceitação estão cada vez mais fora de cena, o que importa mesmo nas pessoas é que elas se pareçam com a gente e nos satisfaçam nas nossas expectativas. Quando isso não ocorre, o rompimento é inevitável. É fácil e quase imperativo desistir de alguém que não “combina” com a gente. Como se as pessoas fossem sapatos e meias feitas para se casarem, e não seres únicos e com características originais e inimitáveis.
Com tudo isso, o conceito do amor, tão lindo sob a ética romântica, ficou inalcansável e contraditório. Ainda hoje, pleno séc. XXI, as pessoas usam o amor como mais um ítem da sua satisfação pessoal, e ainda acreditam que ele é algo que se encontra, não algo que se constrói. Assim, seguimos acreditando que para amar alguém, basta que essa pessoa nos apareça como num conto de fadas, com todas as perfeições criadas na nossa mente fértil para nos coroar de felicidade. A contradição é que, ou as pessoas se decepcionam em seus amores, ou elas nunca os encontram, e culpam tudo, menos a elas mesmas e seus ideais absurdos.
É fato que a teoria da atração ainda está ligada à aparência. O amor romântico venera a aparência, e seus reflexos na arte reafirmam isso. Beleza e amor quase necessariamente estão vinculados. Mas é fácil perceber que o amor não se encaixa num conceito material. É impossível manter a estética do amor quando o caráter (que é onde se fixam todas as nossas afeições duradouras) não corresponde à aparência. Podemos ser atraídos pela aparência, mas dificilmente ficamos ligados a um caráter medíocre, a uma inteligência inferior, pois isso se torna incômodo. Mas essa percepção só é possível após o amadurecimento.
Quando crescemos, adquirimos bagagem para avaliar os outros de forma mais segura e completa. Artificialismos raramente nos enganam quando somos maduros emocionalmente. E essa maturidade é construída com base em vivência, em decepções, em superação, e não raramente, com humilhação dos nossos superalimentados egos. Amar se torna uma escolha, uma decisão, uma consequência do crescimento interior, e descobrimos que o amor não se encontra.
O amor só é possível quando somos capazes de desvincular nossos anseios românticos e usar a razão para apoiar os motivos pelos quais escolhemos alguém. É a razão que nos faz admirar uma inteligência e um caráter. É ela que avalia atitudes e julga falhas. No fim, sabemos que não é possível amar um corpo, assim como é impossível desejar uma idéia.
Os casais mais improváveis que eu conheço são também os mais felizes. Eles não tiveram encontros de fábulas, não lutaram contra monstros marinhos, não se apaixonaram à primeira vista. Eles começaram construindo um cotidiano, uma amizade, um caminho em comum, dividindo trabalhos chatos ou se uniram em momentos difíceis, em que precisaram se apoiar. E aqueles impulsivos unidos pelo cupido duraram apenas até o primeiro bocejo da relação.
O amor é a idéia. E só pode satisfazer uma vida quando colocamos o amor no plano que ele realmente merece, onde pode se avaliado e considerado importante, ou seja, o plano da razão. Amar com a cabeça, e não com o coração, é o desafio da nossa era.
Eu é a palavra de ordem da sociedade contemporânea e tudo está baseado nela. O que eu quero, o que eu tenho, o que eu posso. Auto-conhecimento, Identidade, Satisfação Pessoal são somente algumas das expressões super divulgadas pela mídia para nos atrair, pois tudo o que tem a ver com o prazer pessoal chama a atenção e é vendável.
E o outro? O outro é somente uma peça na engrenagem da auto-satisfação, e só tem utilidade enquanto nos identificamos com ele. É por isso que os relacionamentos estão ficando progressivamente insuportáveis. Tolerância e aceitação estão cada vez mais fora de cena, o que importa mesmo nas pessoas é que elas se pareçam com a gente e nos satisfaçam nas nossas expectativas. Quando isso não ocorre, o rompimento é inevitável. É fácil e quase imperativo desistir de alguém que não “combina” com a gente. Como se as pessoas fossem sapatos e meias feitas para se casarem, e não seres únicos e com características originais e inimitáveis.
Com tudo isso, o conceito do amor, tão lindo sob a ética romântica, ficou inalcansável e contraditório. Ainda hoje, pleno séc. XXI, as pessoas usam o amor como mais um ítem da sua satisfação pessoal, e ainda acreditam que ele é algo que se encontra, não algo que se constrói. Assim, seguimos acreditando que para amar alguém, basta que essa pessoa nos apareça como num conto de fadas, com todas as perfeições criadas na nossa mente fértil para nos coroar de felicidade. A contradição é que, ou as pessoas se decepcionam em seus amores, ou elas nunca os encontram, e culpam tudo, menos a elas mesmas e seus ideais absurdos.
É fato que a teoria da atração ainda está ligada à aparência. O amor romântico venera a aparência, e seus reflexos na arte reafirmam isso. Beleza e amor quase necessariamente estão vinculados. Mas é fácil perceber que o amor não se encaixa num conceito material. É impossível manter a estética do amor quando o caráter (que é onde se fixam todas as nossas afeições duradouras) não corresponde à aparência. Podemos ser atraídos pela aparência, mas dificilmente ficamos ligados a um caráter medíocre, a uma inteligência inferior, pois isso se torna incômodo. Mas essa percepção só é possível após o amadurecimento.
Quando crescemos, adquirimos bagagem para avaliar os outros de forma mais segura e completa. Artificialismos raramente nos enganam quando somos maduros emocionalmente. E essa maturidade é construída com base em vivência, em decepções, em superação, e não raramente, com humilhação dos nossos superalimentados egos. Amar se torna uma escolha, uma decisão, uma consequência do crescimento interior, e descobrimos que o amor não se encontra.
O amor só é possível quando somos capazes de desvincular nossos anseios românticos e usar a razão para apoiar os motivos pelos quais escolhemos alguém. É a razão que nos faz admirar uma inteligência e um caráter. É ela que avalia atitudes e julga falhas. No fim, sabemos que não é possível amar um corpo, assim como é impossível desejar uma idéia.
Os casais mais improváveis que eu conheço são também os mais felizes. Eles não tiveram encontros de fábulas, não lutaram contra monstros marinhos, não se apaixonaram à primeira vista. Eles começaram construindo um cotidiano, uma amizade, um caminho em comum, dividindo trabalhos chatos ou se uniram em momentos difíceis, em que precisaram se apoiar. E aqueles impulsivos unidos pelo cupido duraram apenas até o primeiro bocejo da relação.
O amor é a idéia. E só pode satisfazer uma vida quando colocamos o amor no plano que ele realmente merece, onde pode se avaliado e considerado importante, ou seja, o plano da razão. Amar com a cabeça, e não com o coração, é o desafio da nossa era.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
20 Coisas que gostaríamos que os homens soubessem sobre as mulheres
1) Sabemos como é difícil conviver conosco quando estamos de TPM... Então, obrigada por tentar.
2) Não, não acordamos sempre com vontade de transar, mas isso pode mudar, conforme sua habilidade em nos convencer.
3) Nós adoramos cozinhar para vocês, tanto quando adoramos que vocês nos levem para jantar naquele restaurante romântico.
4) Nós temos muito mais disposição para o sexo quando estamos felizes com vocês, por isso não adianta largar a pia lotada de louça suja ou nos ignorar o dia inteiro por causa do futebol e esperar uma noite tórrida de amor...
5) Nós sabemos que vocês são capazes de notar nosso corte de cabelo ou vestido novo por que todos os demais homens, amigos, colegas de trabalho... notam!
6) Quando dizemos: “ele é apenas um amigo” – fique alerta.
7) Adoraríamos experimentar “coisas novas” na cama, desde que haja confiança, companheirismo e intimidade para isso
8) Não vamos trair vocês só por que temos amigas solteiras. Adoramos ter para onde voltar depois de tomar um drinque com uma amiga, rir um pouco e relembrar nossa juventude.
9) Sim, nós apreciamos quando vocês se matam de trabalhar pelo nosso futuro. Só que somos incapazes de não manifestar como sentimos sua falta.
10) Na verdade, não é que a gente se importe que vocês saiam com seus amigos... O que a gente não suporta mesmo é que vocês ajam como idiotas quando estão com eles. Isso faz com que a gente questione sua inteligência.
11) O único motivo pelo qual demoramos horas para nos arrumar é por que queremos estar lindas como uma capa de revista para vocês. Então, reconheçam isso.
12) Quando queremos que vocês usem certa roupa ou cortem o cabelo daquele jeito é por que vocês ficam mais gatos e mais gostosos desse jeito. Confiem em nós, é para seu bem.
13) Se vocês não gostam que uma mulher finja orgasmo, não a obrigue a fingir que vocês não estão olhando para a aquela loura estonteante!
14) Ok, a gente sabe que vocês não lêem pensamentos. Mas sempre ficamos admiradas com a incapacidade de vocês de decorarem padrões de comportamento que nos deixa chateadas.
15) Às vezes só abraçar é o suficiente.
16) Vocês podem ficar perdidos e pedir informação. Isso não fará com que sejam menos maravilhosos e fantásticos aos nossos olhos.
17) Não queremos comparar vocês com nossos ex. Não queremos nem falar no assunto. Nunca.
18) A única forma de nos darmos bem com a sua mãe é tendo você como diplomata. Por favor, nos ajude nisso!
19) Preferir ficar agarradinho conosco no sofá nos faz mais felizes que presentes caros.
20) Quando uma mulher está apaixonada por você, ela te admira, te aceita, te vê como um príncipe encantado, mesmo que você não tenha um diploma de Oxford, um carro esportivo ou um salário de 5 dígitos. Portanto, o mínimo que você pode fazer, é tratá-la como a princesa que ela merece!
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Só pra quem tem Peito!
Há algum tempo, discuti aqui no blog a repercussão do caso da universitária de minissaia, Geyse Arruda. E não sei por que esse assunto sempre volta, como o da professora mineira afastada por usar decotes. Sempre me estarrece a frequente saída das discussões produtivas e a concentração de atenção nas coisas sem importância... Por que discutir a violência nos meios elitizados e a má qualidade da educação pública se podemos meter o pau na roupas das mulheres?
Fico pensando como chegamos nesse grau de moralismo retrógrado numa época em que tudo o mais está evoluindo para níveis nunca antes imaginados, como a tecnologia e a comunicação. Enquanto o futuro está acontecendo sob nossas vistas, estamos retomando valores contra os quais nossas avós e mães lutaram arduamente para que hoje pudéssemos ser livres. E isso me dá uma tristeza imensa: será que a luta das nossas antecessoras foi em vão?
Quando Leila Diniz popularizou o biquíni nas praias cariocas, escandalizando a sociedade e libertando nossos corpos de críticas e julgamentos, ela contribuiu para abrir, como tantas outras, portas lacradas. Estamos fechando essas portas para inaugurar novas regras sociais, aquelas que impõem adequações ao comportamento feminino. Estamos refletindo demais sobre onde e quando usar certo tipo de roupa, o que dizer e em qual tom de voz sob o pretexto da elegância. Nossos biquínis estão ficando maiores e nossas mentes mais estreitas?
Será que não há nada incomodando mais que o tamanho de um decote?
Desde quando peitos se tornaram obscenos? Considero muita coisa obscena por aí, mas peitos definitivamente não estão na minha lista. São belos, são femininos, são artísticos, são fofos. O ícone maior da maternidade. Sabemos que algumas idéias são cíclicas no movimento histórico, mas isso foi quando a história levava séculos para acontecer! Faz sentido retomar limites numa era em que tudo muda diariamente?
Quando penso nas sacerdotisas cretenses exibindo os seus seios nos rituais sagrados e religiosos para demonstrar o seu poder, há milênios A.C , vejo como as mulheres atuais não sabem nada sobre o próprio corpo e como estão presas à tirania dos padrões de beleza. Submetemos-nos a eles com uma docilidade que faria vergonha às mais meigas Amélia do pré- guerras.
Claro que num mundo de hoje não cabe mais peitos à mostra. O corpo feminino foi vulgarizado pela exposição descabida da mídia. Foi artificializado pelo boom do silicone. Foi rebaixado ao nível do desejo masculino, como se o nosso corpo só servisse para isso, para provocar o outro gênero, para vender cerveja e revistas de baixo calão.
Se eu pudesse deflagrar uma nova revolução, eu pregaria o uso de burcas no ocidente! Quem sabe vestindo nossos corpos como usamos nossas mentes, pudéssemos compreender que há mais em jogo na simples crítica ao decote que podemos supor.
E viva a ousadia!
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Belo Horizonte na era do Amor Virtual
Essa cena é do Filme Medianeiras - Buenos Aires na era do amor virtual... Mas podia ser de Belo Horizonte...
Belo Horizonte é uma cidade que cresce descontrolada, como tantas metrópoles, mesmo sobre o alicerce do progresso e do planejamento. Suas fronteiras já superaram os limites originais da Avenida 7 de Setembro há anos luz, e que nenhum belo horizontino sabe exatamente onde fica, exceto quando a chamamos pelo apelidinho carinhoso de Contorno. O contorno de Belo Horizonte já perdeu seu desenho. Somos um mapa disforme, imperfeito e progressivamente caótico.
Em contrapartida, existe algo sendo criado na mente dos sempre interioranos belo horizontinos, pois em nenhuma metrópole a característica amistosa do povo da roça se observa mais que aqui. Talvez por ser uma cidade adolescente, praticamente todo mundo que vive aqui tem uma família que começou em outro lugar, na maioria das vezes no interior de Minas onde a vida ainda corre lenta, preguiçosa e cheia de intimidade entre vizinhos e familiares. Nessa metrópole ainda se toma café coado na casa dos amigos, ainda se prefere barzinho e violão a balada e o fogão à lenha decora as coberturas classudas do Belvedere.
Aqui os relacionamentos começam mais nos meios de convívio contínuo do que em locais públicos. Aqui se apresentam amigos, se planejam encontros e as pessoas raramente se esbarram ao acaso. As mesmas pessoas vão sempre aos mesmos lugares. A gente acaba acreditando que a população é na verdade, muito menor do que é.
Talvez pela dificuldade de encontrar diversidade nessa cidade bagunçada, ou de se encontrar qualquer coisa, os relacionamentos também migraram para a esfera virtual, e todas essas práticas são agora, preferencialmente, apreciadas sem sair de casa. Não sair de casa parece uma tendência da contemporaneidade, já que a violência, a preguiça e a internet estão fazendo de nós vítimas e prisioneiros dos nossos próprios lares. Namorar, transar, casar, ter amigos, colegas, professores e até mesmo terapeutas pela internet é o hit do momento.
Quando ouvi de uma amiga que ela fazia terapia virtual fiquei realmente espantada. Eu mesma vivo brigando com a internet diariamente. Adoro sites de relacionamento, mas ainda desconfio dos serviços bancários virtuais. Atrevo-me a chamar “amigos” pessoas que nunca vi antes na vida de qualquer parte do mundo, mas não tenho coragem de solicitar um Big Mac pela internet, pois sempre acho que meu pedido nunca vai chegar. Já me apaixonei pela internet, já participei de festa pela internet, mas sou incapaz de enviar um e-mail sem ligar depois dizendo: olha, te mandei um e-mail... Emails podem ainda nunca chegar, não é mesmo? É um jeito bem mineiro de ser geek.
A verdade é que estou a cada dia mais preocupada com as pessoas que se relacionam pela internet, e só pela internet. Nunca consegui fazer uma idéia de alguém sem ter essa pessoa ao vivo, e fico um pouco achando que na internet ninguém existe, aqueles perfis todos do Facebook são projeções das pessoas em outra dimensão... Eu sempre precisei sentir o cheiro das pessoas. É como diz Patrick Suskind no seu ótimo romance O Perfume: o olfato é o sentido mais próximo da respiração, e, portanto, é o sentido que fala mais próximo da essência das pessoas. É impossível esquecer um cheiro, e o cheio faz com que associações da memória aconteçam de uma forma otimizada. O cheiro potencializa a memória e os sentimentos. Como gostar de alguém que eu não sei como cheira?
Mas todos já conhecemos os contras das relações pela internet. Sabemos o risco de estar sempre diante de máscaras, sabemos que um perfil no Facebook pode ocultar um psicopata, sabemos que a superficialidade e a ausência da relação física isola as pessoas e torna tudo insípido.
O que ninguém discutiu são os prós das relações virtuais. Pensemos bem... Também existem riscos que não corremos nas relações virtuais. Como tudo é muito superficial, as pessoas não chegam a extremos. Raramente você vai ter uma discussão violenta com um amigo virtual. As pessoas estão sempre disponíveis virtualmente, não é aquele saco de marcar mil vezes para tomar um chope e não dar certo. Você precisa de uma informação jurídica, ta ali seu conhecido advogado a um clique da sua dúvida. Sempre há gente online 24 horas por dia. Algumas conversas online às vezes são mais produtivas que pessoalmente. A gente não se expõe, ou ainda expõe só o que quer. Estamos sempre com o escudo da fibra ótica nos protegendo.
Será que caminhamos para uma era em que o ser humano será um celular? Isolado, sozinho e único, mas, no entanto, rapidamente acessível a qualquer momento que for solicitado? Será que no futuro vamos nos acostumar a não trocar cheiros, gostos e toques e vamos somente digitar o que estamos sentido?
Será que existirão sentimentos?
E será que Belo Horizonte vai sobreviver a essa dualidade do ser próximo-distante do outro?
Belo Horizonte é uma cidade que cresce descontrolada, como tantas metrópoles, mesmo sobre o alicerce do progresso e do planejamento. Suas fronteiras já superaram os limites originais da Avenida 7 de Setembro há anos luz, e que nenhum belo horizontino sabe exatamente onde fica, exceto quando a chamamos pelo apelidinho carinhoso de Contorno. O contorno de Belo Horizonte já perdeu seu desenho. Somos um mapa disforme, imperfeito e progressivamente caótico.
Em contrapartida, existe algo sendo criado na mente dos sempre interioranos belo horizontinos, pois em nenhuma metrópole a característica amistosa do povo da roça se observa mais que aqui. Talvez por ser uma cidade adolescente, praticamente todo mundo que vive aqui tem uma família que começou em outro lugar, na maioria das vezes no interior de Minas onde a vida ainda corre lenta, preguiçosa e cheia de intimidade entre vizinhos e familiares. Nessa metrópole ainda se toma café coado na casa dos amigos, ainda se prefere barzinho e violão a balada e o fogão à lenha decora as coberturas classudas do Belvedere.
Aqui os relacionamentos começam mais nos meios de convívio contínuo do que em locais públicos. Aqui se apresentam amigos, se planejam encontros e as pessoas raramente se esbarram ao acaso. As mesmas pessoas vão sempre aos mesmos lugares. A gente acaba acreditando que a população é na verdade, muito menor do que é.
Talvez pela dificuldade de encontrar diversidade nessa cidade bagunçada, ou de se encontrar qualquer coisa, os relacionamentos também migraram para a esfera virtual, e todas essas práticas são agora, preferencialmente, apreciadas sem sair de casa. Não sair de casa parece uma tendência da contemporaneidade, já que a violência, a preguiça e a internet estão fazendo de nós vítimas e prisioneiros dos nossos próprios lares. Namorar, transar, casar, ter amigos, colegas, professores e até mesmo terapeutas pela internet é o hit do momento.
Quando ouvi de uma amiga que ela fazia terapia virtual fiquei realmente espantada. Eu mesma vivo brigando com a internet diariamente. Adoro sites de relacionamento, mas ainda desconfio dos serviços bancários virtuais. Atrevo-me a chamar “amigos” pessoas que nunca vi antes na vida de qualquer parte do mundo, mas não tenho coragem de solicitar um Big Mac pela internet, pois sempre acho que meu pedido nunca vai chegar. Já me apaixonei pela internet, já participei de festa pela internet, mas sou incapaz de enviar um e-mail sem ligar depois dizendo: olha, te mandei um e-mail... Emails podem ainda nunca chegar, não é mesmo? É um jeito bem mineiro de ser geek.
A verdade é que estou a cada dia mais preocupada com as pessoas que se relacionam pela internet, e só pela internet. Nunca consegui fazer uma idéia de alguém sem ter essa pessoa ao vivo, e fico um pouco achando que na internet ninguém existe, aqueles perfis todos do Facebook são projeções das pessoas em outra dimensão... Eu sempre precisei sentir o cheiro das pessoas. É como diz Patrick Suskind no seu ótimo romance O Perfume: o olfato é o sentido mais próximo da respiração, e, portanto, é o sentido que fala mais próximo da essência das pessoas. É impossível esquecer um cheiro, e o cheio faz com que associações da memória aconteçam de uma forma otimizada. O cheiro potencializa a memória e os sentimentos. Como gostar de alguém que eu não sei como cheira?
Mas todos já conhecemos os contras das relações pela internet. Sabemos o risco de estar sempre diante de máscaras, sabemos que um perfil no Facebook pode ocultar um psicopata, sabemos que a superficialidade e a ausência da relação física isola as pessoas e torna tudo insípido.
O que ninguém discutiu são os prós das relações virtuais. Pensemos bem... Também existem riscos que não corremos nas relações virtuais. Como tudo é muito superficial, as pessoas não chegam a extremos. Raramente você vai ter uma discussão violenta com um amigo virtual. As pessoas estão sempre disponíveis virtualmente, não é aquele saco de marcar mil vezes para tomar um chope e não dar certo. Você precisa de uma informação jurídica, ta ali seu conhecido advogado a um clique da sua dúvida. Sempre há gente online 24 horas por dia. Algumas conversas online às vezes são mais produtivas que pessoalmente. A gente não se expõe, ou ainda expõe só o que quer. Estamos sempre com o escudo da fibra ótica nos protegendo.
Será que caminhamos para uma era em que o ser humano será um celular? Isolado, sozinho e único, mas, no entanto, rapidamente acessível a qualquer momento que for solicitado? Será que no futuro vamos nos acostumar a não trocar cheiros, gostos e toques e vamos somente digitar o que estamos sentido?
Será que existirão sentimentos?
E será que Belo Horizonte vai sobreviver a essa dualidade do ser próximo-distante do outro?
domingo, 9 de outubro de 2011
5 homens que não existem, mas deveriam!
1 - WOLVERINE
Perigoso, rebelde, esquentadinho, sexy e essencialmente estranho...
2 . JAMES BOND
Fino, elegante, bem vestido, inteligente, cheio de truques e ainda por cima entende TUDO de mulheres!
3. KEVIN WALKER
Especial para meus amigos gays... Lindo, doce e sarcástico ao mesmo tempo, bem sucedido e com um sorriso perfeito de queixo partido...
4. JERRY MAGUIRE
Que mulher não sonha em transformar um simpático e charmoso fracassado num grande homem vencedor? E ainda ouvir dele no final: você me completa?
5. PRÍNCIPE ENCANTADO
Preciso explicar? Não né...
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Desabafo de uma obstinada...
E a gente segue batendo cabeça na vida, tentando, tentando... Por quê algumas coisas precisam ser tão difíceis de alcançar? Por que tanta porrada que a gente leva da vida? Tudo bem, somos guerreiros, viemos a isso. Mas às vezes eu acho que a vida exagera, e bate mais do que podemos suportar. Ou não? Ou a carga que levamos é extrema justamente por que somos fortes o suficiente para dar conta?
Eu queria muito acreditar nisso. Sou dessas pessoas abençoadas, para quem tudo é um pouco mais dramático e complicado do que para a maioria das pessoas. Ou isso, ou é como eu enxergo as coisas... Velha história, a grama do vizinho é sempre mais verde... Mas voltando ao assunto, sempre questiono minhas frustrações e penso que, se tem que ser assim, é por que de certa forma eu sou forte, eu dou conta, eu continuo levando porta na cara e tirando força não sei de onde para continuar batendo. Vai entender...
Outro dia, de papo com uma querida amiga, perguntei a ela o que ela achava das pessoas chegarem e comentarem as conquistas dela como se ela fosse algum ser extraordinário. Ela me disse: “Sim, tenho uma vida confortável, um marido companheiro e três filhos inteligentes, saudáveis e que me dão orgulho. Mas é isso o que as pessoas querem ver. O que eu sofri para chegar até aqui e para sustentar isso tudo ninguém vê. Ninguém quer ver ou se importa. Por que o que a gente vende são nossas vitórias, não nosso sofrimento.”
Como será acordar todo dia e não ter uma longa batalha a travar? Fico imaginando essa vida de facilidades que é meramente idealizada. Simplesmente ter um dia inteiro durante a semana para acordar tarde, sem hora marcada, ler um livro, sem hora marcada, ver um filme, sem hora marcada, ver o tempo passar, simplesmente sem ter que me vestir, correr, enfrentar um trânsito, correr, comer sem sentir o gosto da comida, correr... Bom eu não sei o que é isso. Não ter uma vida cheia de responsabilidades e compromissos a cumprir, prazos e complicações.
É isso, eu não me canso. Aliás, eu me canso, mas não tenho tempo para pensar no assunto. Assim que eu levo mais um empurrão, já estou me virando para levantar e continuar. Mal vivo um fracasso e já estou me organizando para traçar outra forma de viver um sucesso. Às vezes acho essa persistência meio estúpida, meio sem sentido. Parece um vício do qual não consigo me livrar. Não consigo largar a mão, desacelerar e ligar o foda-se. Às vezes eu vejo que sou uma puta de uma cagona, tenho medo mesmo.
Às vezes é preciso mais coragem para desistir do que para continuar...
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Me gusta Buenos Aires
Uma breve nota sobre minhas curtas férias de meados de ano...
Como uma viajante que se apega à cultura e à costumes mais que à turismo, em cada viagem que faço, curta e simples que seja , procuro ter a experiência verdadeira do lugar. Deve ser por isso que as coisas não me dizem muito, eu prefiro mesmo é ouvir da boca das pessoas. Ouvir toda hora Maradona ou Pelé, e sorrir sem querer começar uma discussão. Mas enfim, para que visitar Buenos Aires se não vamos respirar a rivalidade Boca x River, se não vamos comer tango e cheirar o orgulho cômico dos argentinos, se não vamos ficar num hotel decadente do início do século XX, com salão de baile, pátios abertos ao sol e banheiras de louça no lugar de chuveiros elétricos?
Existem alguns detalhes que definem muito bem um lugar. Uma palavra para definir Buenos Aires? História. Ela está em todos os cantos, em cada esquina, orgulhosamente preservada pelos seus habitantes. Uma história de um passado glamouroso, um presente de crise e um futuro indefinido. Nada mais encantador que ler todos esses momentos nos monumentos, esquinas e praças. É por isso que um ritmo e uma dança se tornaram patrimônio da humanidade...
Outra palavra seria contradição. Como um país falido consegue fazer com que seus cidadãos não atirem um só panfleto na rua no dia de eleições presidenciais... Amor, educação, critério? Escolha você... É por isso que mansões neoclássicas se dão tão bem com grandes prédios em concreto e vidro. É por isso do constrangimento do orgulho arranhado pelo fiasco econômico, representado por crianças esmolando na rua e carros gastos esbatidos circulando nas largas avenidas. É por isso que as pessoas são tão elegantes e nunca saem de casa sem vestir o seu melhor casaco, escovado e engomado por anos a fio.
Mais uma palavra...? Diversão! Uma cidade para se conhecer a pé, sentar sem hora marcada em um café e ler um jornal, jogar conversa fora ou simplesmente não se importar com o tempo que passa, traduz uma alegria toda charmosa de viver. Ou então aproveitar um jardim verde para tomar um excelente vinho e namorar, ao som de músicos que tocam pelo prazer de receber alguns trocados e de despertar alguns sorrisos. E diversão para quem gosta de arriscar a sorte em jogos de azar, ou arriscar a sanidade num dos muitos clubes noturnos. Por fim, diversão para quem gosta de teatro, dança ,música, cultura, todos as noites em cartaz nos muitos teatros da cidade.
Mas talvez a melhor palavra para Buenos Aires seja Paixão. Tudo é extremo em Buenos Aires... Toda dor é profunda, toda alegria é imensa, todo desespero é de morte... Todos gritam o que sentem, as árvores, as crianças nas praças, os guardas de trânsito, os jovens nas boates, os barraqueiros e camelôs, os dançarinos urbanos... Ninguém sai de lá sem deixar parte do seu coração ou levar parte de um coração consigo...
Como uma viajante que se apega à cultura e à costumes mais que à turismo, em cada viagem que faço, curta e simples que seja , procuro ter a experiência verdadeira do lugar. Deve ser por isso que as coisas não me dizem muito, eu prefiro mesmo é ouvir da boca das pessoas. Ouvir toda hora Maradona ou Pelé, e sorrir sem querer começar uma discussão. Mas enfim, para que visitar Buenos Aires se não vamos respirar a rivalidade Boca x River, se não vamos comer tango e cheirar o orgulho cômico dos argentinos, se não vamos ficar num hotel decadente do início do século XX, com salão de baile, pátios abertos ao sol e banheiras de louça no lugar de chuveiros elétricos?
Existem alguns detalhes que definem muito bem um lugar. Uma palavra para definir Buenos Aires? História. Ela está em todos os cantos, em cada esquina, orgulhosamente preservada pelos seus habitantes. Uma história de um passado glamouroso, um presente de crise e um futuro indefinido. Nada mais encantador que ler todos esses momentos nos monumentos, esquinas e praças. É por isso que um ritmo e uma dança se tornaram patrimônio da humanidade...
Outra palavra seria contradição. Como um país falido consegue fazer com que seus cidadãos não atirem um só panfleto na rua no dia de eleições presidenciais... Amor, educação, critério? Escolha você... É por isso que mansões neoclássicas se dão tão bem com grandes prédios em concreto e vidro. É por isso do constrangimento do orgulho arranhado pelo fiasco econômico, representado por crianças esmolando na rua e carros gastos esbatidos circulando nas largas avenidas. É por isso que as pessoas são tão elegantes e nunca saem de casa sem vestir o seu melhor casaco, escovado e engomado por anos a fio.
Mais uma palavra...? Diversão! Uma cidade para se conhecer a pé, sentar sem hora marcada em um café e ler um jornal, jogar conversa fora ou simplesmente não se importar com o tempo que passa, traduz uma alegria toda charmosa de viver. Ou então aproveitar um jardim verde para tomar um excelente vinho e namorar, ao som de músicos que tocam pelo prazer de receber alguns trocados e de despertar alguns sorrisos. E diversão para quem gosta de arriscar a sorte em jogos de azar, ou arriscar a sanidade num dos muitos clubes noturnos. Por fim, diversão para quem gosta de teatro, dança ,música, cultura, todos as noites em cartaz nos muitos teatros da cidade.
Mas talvez a melhor palavra para Buenos Aires seja Paixão. Tudo é extremo em Buenos Aires... Toda dor é profunda, toda alegria é imensa, todo desespero é de morte... Todos gritam o que sentem, as árvores, as crianças nas praças, os guardas de trânsito, os jovens nas boates, os barraqueiros e camelôs, os dançarinos urbanos... Ninguém sai de lá sem deixar parte do seu coração ou levar parte de um coração consigo...
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Tango ou Valsa?
O início de um relacionamento é uma fase crítica, pois, junto com o sentimento arrebatador da paixão, que nos faz desejar loucamente a companhia de alguém, seguem outros sentimentos contraditórios e perturbadores, que fazem com que tenhamos a sensação de estar pisando em ovos. Ainda não conhecemos o outro totalmente, e a insegurança a respeito de sua personalidade e da intensidade com que ele está correspondendo aos nossos carinhos começam a turvar o doce mar do romantismo.
Todos os livros de auto ajuda que prometem resgatar a nossa vida afetiva são unânimes em afirmar que o ser humano tende a preferir as pessoas que estão o mínimo disponíveis, e dizem que o que é mais raro é mais valorizado. Ou seja, estimulam a gente a dizer não aos nossos pretendentes, roubando-lhes os lances que premeditam, com o intuito de frustrar suas expectativas e nos tornar mais caros aos seus olhos.
Sempre achei essas dicas um tanto quanto cruéis, pois, para mim, tudo o que tem haver com a astúcia é falso e merece desconfiança. Pessoalmente, tenho muita preguiça desses joguinhos de deixar o telefone tocar infinitamente sem atender, mesmo estando louca para falar com a pessoa. Ou então, contar cinco dias depois de um encontro para procurar a pessoa de novo. Não sei se isso é o peso do amadurecimento, ou se é o imediatismo da vida moderna que me deixa com preguiça de “fazer cera” com alguém, o fato é que adoro lances espontâneos do tipo: “sei que acabei de te deixar em casa, mas resolvi ligar mais uma vez só para dizer que o encontro foi maravilhoso!” Não sei se as mulheres de 20 anos tem paciência para tanta espontaneidade, só sei que eu seria incapaz de desprezar um gesto tão carinhoso, mesmo por que, na altura da vida em que estou, sei o que admirar em alguém, e não é um telefonema de mais ou de menos que vai balançar minhas opiniões.
Mas a grande maioria das pessoas se encaixa exatamente no padrão de livros de auto ajuda. Desprezam telefonemas no meio da noite, sentem-se invadidas se alguém as procura muito e caem no pranto da insegurança se o seu affair some por sete dias seguidos, exatamente como os tais livros de auto ajuda rezam.
Fico pensando por que a gente não deixa a vida correr no seu ritmo natural, e por que entramos em joguinhos tão mesquinhos? Mas reconheço, muitas vezes necessários. Por que é tão avassalador dizer, na lata, como uma pessoa é importante para a gente, por que seguramos as palavras, os gestos, os carinhos, tudo para deixar alguém inseguro o suficiente para estar preso a nós? Será que pensamos que isso é uma forma requintada de sedução? Para mim, a sedução já deixou de ser requintada faz tempo, principalmente por que não tem nada menos sexy do que um convite para sair via Facebook.
Uma vez um homem (muito sedutor) me disse que cortejar uma mulher era como dançar um tango... Saber conduzir, saber colocar-se vulnerável na hora certa, fazer uma promessa para logo em seguida causar uma decepção, dar um, dois, três passos em direção a ela, e quando estiver bem próximo, simplesmente recuar e deixar que ela venha atrás...
Muito interessante tudo isso, mas eu prefiro dançar uma valsa... Onde os dois seguem juntos, giro por giro, com movimentos cronometrados... Tango é sexy e sem dúvida nenhuma, arrasador para um coração (sem falar em outras partes do corpo), mas cá pra nós, para dançar uma valsa, é preciso muito mais sinceridade com o seu par... E sem dúvida é uma dança muito, mas muito mais romântica...
Todos os livros de auto ajuda que prometem resgatar a nossa vida afetiva são unânimes em afirmar que o ser humano tende a preferir as pessoas que estão o mínimo disponíveis, e dizem que o que é mais raro é mais valorizado. Ou seja, estimulam a gente a dizer não aos nossos pretendentes, roubando-lhes os lances que premeditam, com o intuito de frustrar suas expectativas e nos tornar mais caros aos seus olhos.
Sempre achei essas dicas um tanto quanto cruéis, pois, para mim, tudo o que tem haver com a astúcia é falso e merece desconfiança. Pessoalmente, tenho muita preguiça desses joguinhos de deixar o telefone tocar infinitamente sem atender, mesmo estando louca para falar com a pessoa. Ou então, contar cinco dias depois de um encontro para procurar a pessoa de novo. Não sei se isso é o peso do amadurecimento, ou se é o imediatismo da vida moderna que me deixa com preguiça de “fazer cera” com alguém, o fato é que adoro lances espontâneos do tipo: “sei que acabei de te deixar em casa, mas resolvi ligar mais uma vez só para dizer que o encontro foi maravilhoso!” Não sei se as mulheres de 20 anos tem paciência para tanta espontaneidade, só sei que eu seria incapaz de desprezar um gesto tão carinhoso, mesmo por que, na altura da vida em que estou, sei o que admirar em alguém, e não é um telefonema de mais ou de menos que vai balançar minhas opiniões.
Mas a grande maioria das pessoas se encaixa exatamente no padrão de livros de auto ajuda. Desprezam telefonemas no meio da noite, sentem-se invadidas se alguém as procura muito e caem no pranto da insegurança se o seu affair some por sete dias seguidos, exatamente como os tais livros de auto ajuda rezam.
Fico pensando por que a gente não deixa a vida correr no seu ritmo natural, e por que entramos em joguinhos tão mesquinhos? Mas reconheço, muitas vezes necessários. Por que é tão avassalador dizer, na lata, como uma pessoa é importante para a gente, por que seguramos as palavras, os gestos, os carinhos, tudo para deixar alguém inseguro o suficiente para estar preso a nós? Será que pensamos que isso é uma forma requintada de sedução? Para mim, a sedução já deixou de ser requintada faz tempo, principalmente por que não tem nada menos sexy do que um convite para sair via Facebook.
Uma vez um homem (muito sedutor) me disse que cortejar uma mulher era como dançar um tango... Saber conduzir, saber colocar-se vulnerável na hora certa, fazer uma promessa para logo em seguida causar uma decepção, dar um, dois, três passos em direção a ela, e quando estiver bem próximo, simplesmente recuar e deixar que ela venha atrás...
Muito interessante tudo isso, mas eu prefiro dançar uma valsa... Onde os dois seguem juntos, giro por giro, com movimentos cronometrados... Tango é sexy e sem dúvida nenhuma, arrasador para um coração (sem falar em outras partes do corpo), mas cá pra nós, para dançar uma valsa, é preciso muito mais sinceridade com o seu par... E sem dúvida é uma dança muito, mas muito mais romântica...
sábado, 16 de julho de 2011
Para os Homens
No Dia da Mulher, ganhamos flores, somos paparicadas e homenageadas, reclamamos nosso respeito e dignidade e somos reconhecidas como as grandes mantenedoras da humanidade. Agora inventaram o Dia do Homem. Sinceramente não sei o que o Dia do Homem significa. Não me parece que o homem, gênero que sempre dominou o mundo mereça um dia para ser lembrado, uma vez que os outros 364 dias do ano eles imperam soberbos.
Ainda ontem, no metrô, ouvi, por acaso, uma moça ter uma discussão com o namorado pelo celular. Ela falava em tom meigo e choroso, se humilhando realmente, dizendo que o namorado estava a tratando com frieza, que não suportava ficar sem ele, que o amava, e blábláblá. A acolhida não devia estar sendo boa, por não demorou para que as lágrimas lhe viessem aos olhos. Fiquei penalizada. Por que os homens sempre sabem nos machucar quando querem?
Porém, devo reconhecer a injustiça do meu raciocínio. Os homens fazem parte de um equilíbrio sem o qual nada seria possível. Até mesmo essa “frieza” com que conseguem lidar com situaçãos emocionais é extremamente importante para todos nós. Quando penso em “homem”, como um gênero em geral, penso em força, em razão, em coragem. Reconheço que a maioria dos homens que eu conheço possuem essas características, em menor ou maior grau. Os homens são controlados como nós mulheres nunca poderemos ser. Eles são analíticos. E nem por isso, menos capazes dos sentimentos mais ternos, mais violentos, como o amor, a paixão, o ciúme, a inveja, o desespero.
Dizem que por trás de um grande homem sempre existe uma grande mulher. Mas admito que toda grande mulher precisa de um bom homem ao seu lado.
Ainda ontem, no metrô, ouvi, por acaso, uma moça ter uma discussão com o namorado pelo celular. Ela falava em tom meigo e choroso, se humilhando realmente, dizendo que o namorado estava a tratando com frieza, que não suportava ficar sem ele, que o amava, e blábláblá. A acolhida não devia estar sendo boa, por não demorou para que as lágrimas lhe viessem aos olhos. Fiquei penalizada. Por que os homens sempre sabem nos machucar quando querem?
Porém, devo reconhecer a injustiça do meu raciocínio. Os homens fazem parte de um equilíbrio sem o qual nada seria possível. Até mesmo essa “frieza” com que conseguem lidar com situaçãos emocionais é extremamente importante para todos nós. Quando penso em “homem”, como um gênero em geral, penso em força, em razão, em coragem. Reconheço que a maioria dos homens que eu conheço possuem essas características, em menor ou maior grau. Os homens são controlados como nós mulheres nunca poderemos ser. Eles são analíticos. E nem por isso, menos capazes dos sentimentos mais ternos, mais violentos, como o amor, a paixão, o ciúme, a inveja, o desespero.
Dizem que por trás de um grande homem sempre existe uma grande mulher. Mas admito que toda grande mulher precisa de um bom homem ao seu lado.
Penso que, na natureza, o gênero masculino da nossa espécie foi o que mais preservou suas características primitivas, como a necessidade de proteger, o instinto violento que o faz competitivo e caçador. Nós mulheres não somos assim. Nós absorvemos características masculinas mais profundamente. Foi o que nos permitiu conquistar posições que antes eram exclusivamente masculinas.
Por isso hoje, fica minha homenagem a todos os homens que podem ser realmente chamados de Homens, assim com H maiúsculo. E meu obrigada aos amigos, colegas, pais, tios, irmãos, namorados, filhos, maridos, amantes que eles são. Obrigada por não caírem no choro quando recebem uma bronca no trabalho. Obrigada por nos protegerem, por cuidarem de nós e nos tratar como princesas, e por, muitas vezes, serem os príncepes encantados que precisamos. Obrigada por não se chatearem com coisas pequenas e saberem evitar uma discussão quando tudo o que queremos é brigar e colocar lenha na fogueira com todos os nossos hormônios em ebulição. Obrigada por trocarem o pneu do carro, por sempre nos lembrarem que precisa trocar o óleo. Por puxarem a cadeira para a gente se sentar. Por ficarem tão surpresos e agradecidos quando cedemos aos seus desejos mais simples. Por fazerem com que a gente se sinta linda, com uma olhada apenas. Obrigada por ficarem tão confusos ao lidar com as mulheres, e por saberem às vezes exatamente o que pensamos. Por trabalharem tão duro pelas suas famílias.
E obrigada por chorarem quando ficam emocionados. Por conseguirem falar dos seus sentimentos. Por sonharem em ter um filho. Por sentirem medo. Por serem o nosso complemento perfeito.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Aquelas pessoas tão legais...
Eu admiro muito as pessoas legais.
São aquelas que sabem ser agradáveis e conversar em tons amenos com qualquer um, de forma que quando saem de uma sala, deixam alguém sorrindo em um canto. Ou então, quando é lembrada para algum evento, as pessoas sempre dizem assim: “isso, vamos convidar o fulano, ele é tão legal...” As pessoas legais sabem fazer os outros sorrirem, estão sempre alegrinhas e contando casos espirituosos. Elas não entram em disputas de opinião, tem um jeitinho de colocar as suas sob um prisma que combina com o de todo mundo, sem discordar de ninguém. Elas não polemizam, não ficam de nenhum lado. É comum ouvir uma pessoa legal dizer: “Sei que ele te tratou abominavelmente, mas comigo ele sempre foi gentil...”
Fico na dúvida se as pessoas legais não tomam partido de ninguém por que são justas ou se estão com medo de perderem um admirador, ou ainda, se elas dizem sempre a coisa certa na hora certa por que aprenderam a dizer exatamente o que a gente quer ouvir...
Eu sempre desconfiei de pessoas que não têm uma opinião firme pelo menos, sobre um determinado assunto, ou que estão dispostas, à menor argumentação, a mudar seu ponto de vista, para concordar com o outro. Fico pensando se essas pessoas são de fato dóceis e gentis ou se elas são apenas inseguras, ávidas por aprovação.
O real caráter de uma pessoa legal não precisa de fato ser conhecido, para que ela seja admirada e bem quista. Basta que alguém distribua sorrisos, amabilidades e favores para ser considerada legal? Ou nós estudamos o interior de alguém antes de elevá-lo a esse status?
A maioria de nós prefere mesmo evitar conflitos e estar ao lado de pessoas leves e divertidas. A solicitude dessas pessoas as fazem ótimas ouvintes quando queremos falar sobre futilidades, intriguinhas sem importância, mas quando temos um real problema, ou quando as requisitamos para as grandes causas, elas fogem como o diabo da cruz. E quando precisamos de um conselho sensato sobre alguma coisa, elas se recusam a opinar, resumindo, uma pessoa legal nunca vai dizer que você está realmente acima do peso, o que seria muito mais proveitoso para você.
Assim, seguimos poluindo nossos relacionamentos com a falsa expectativa de honestidade. Preferimos sugar a alegria de um falso amigo do que suportar as falhas de um amigo que não está disposto a amaciar suas opiniões, mas que será, porém verdadeiro.
E fico pensando se as pessoas que realmente nos amam e se importam conosco são essas que sempre dizem exatamente aquilo que desejamos ouvir, mas que são incapazes de nos segurar no colo quando mais precisamos.
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